É sobre ter paciência
Entender que precisa madurar
Antes de colher
É sobre o amor
Amargo feito fel
Que vira brigadeiro de colher

Nada de azar
Nade de sorte
Colheita
Para uns
Beijos da vida
Para outros
Abraços da morte
A semeadura
Nunca abandona
Ou se esquece
De ninguém
E no tempo certo
Todo jardineiro
Que teve tempo
Mais do que suficiente
Para debulhar
Suas sementes
Receberá a sua paga
E vai chama-la de destino
Sem entender seus porquês
E menos ainda os seus poréns.

Eu sou um desavergonhado
Que ama incondicionalmente
E que genuinamente se preocupa
Com a dor que o outro sente
E que até mesmo esquece sua própria dor
Para cuidar da dor de quem se mostra indiferente
Eu sou um desavergonhado
Que escreve poesias para quem não as lê
Que faz do papel uma espécie de confessionário
Tornando-se óbvio, simples de se ver
E que ainda assim se torna culpado
Por pedir ajuda para ao outro entender
Eu sou um desavergonhado
Que aceita que confundam a minha bondade
Com algum tipo de fraqueza
E que quer para os outros a felicidade
Ainda que seja retribuído com aspereza
O meu coração faminto e dorido de saudade
Mas acima de tudo sou um otimista
Que acredita que o amor com amor se conquista
Que dá mesmo sem nada receber
E que se regozija no plantio altruísta
Na certeza de que colheita maior não há
Do que ser do amor um eterno protagonista.
