Amor sem doses de sacrifício e renúncia não passa de efêmera paixão com eventuais toques egóicos de apego.

Amor sem doses de sacrifício e renúncia não passa de efêmera paixão com eventuais toques egóicos de apego.

Por pura vaidade, não reconhece a perda.
Luta batalhas que não fazem mais sentido.
Chama a atenção para as suas causas irrelevantes –
Todas elas –
Irrelevantes para o mundo; o mundo que não é só dele.
Distorce, trama, difama, manipula,
Pois não tem a coragem de se olhar no espelho.
E ali, bem no meio da poça de sangue
Que se formou dos cortes que fez a si mesmo,
Prosta-se feito criança que espera a saída do escola.
Quer rever seu pai, sua mãe.
Quer que eles lhe digam que vai ficar tudo bem.
Quer se rever criança e poder ser criança.
Mas isso não é mais possível: a criança precisa morrer.
O bebê que ainda é precisa desfraldar.
Precisa sepultar partes suas em definitivo para ser.
Precisa viver o luto que é crescer.

O desejo incontrolável de torcer pelo sucesso do outro, independentemente da distância e das saudades.
O desapego, o fim da vaidade, o aplauso do ego.
Ser lembrança e guardar na lembrança com carinho todos os detalhes, todos os momentos, todos os cheiros, todos os gostos, todos os tudos que não cabem em nenhum vocabulário.
Abandonar a raiva, abraçar a despedida como amiga, chorar cada lágrima dorida com dignidade, tal como tributo ao próprio amor.
Agradecer a Deus pelos momentos, pelas oportunidades, pelo crescimento.
Amar é, acima de tudo, aceitar o infortúnio como dádiva.
E eu te amo. E te amarei por toda a eternidade.
Meu amor de ti independe e esta é a essência do próprio amor que veio em mim morar.

Na vida, não faz sentido competir por aquilo que existe em abundância. Não se esqueça: a carência é do ego e a fartura é da alma.
