me pega
e transforma
meu inverno
em verão
e meu inferno
em paraíso
faz chover granizo
é de ti que preciso
quero risos
e minha língua
perto do teu umbigo

me pega
e transforma
meu inverno
em verão
e meu inferno
em paraíso
faz chover granizo
é de ti que preciso
quero risos
e minha língua
perto do teu umbigo

Se você esteve no inferno, talvez leve algum tempo para se adaptar ao paraíso. A paz é uma estranha para quem vive em guerra. Não desista. Acostume-se.

No Rio de Janeiro, só há duas estações no ano:
Como não dá para sair correndo pelado por aqui no inferno (nem seria aconselhável, sob risco de multa por poluição visual em alguns casos), gastamos uma fortuna de ar-condicionado. Não satisfeitos, depois gastamos fortunas tratando alergias por conta dos casacos mofados que passamos a usar quando a temperatura polar chega, que como todos sabem, é algo em torno de 20 graus Celsius.
Enfim… Cada povo tem as estações que merece, e o cheiro dos transportes coletivos não fica nada agradável durante o inferno.
Quer vir ao Rio de Janeiro? Venha de férias, se hospede em um hotel, e curta sua praia… No dia-a-dia, duvido que seja melhor do que qualquer lugar ruim para se viver. A “Cidade Maravilhosa” já perdeu quase todos seus encantos. O que ficou mesmo foi o pranto.

Ao fundo ouço os gritos
São de falta de esperança
Sei que não são de dor ou fome
Eles não saberiam gritar por isso
Nunca deixaram de sentir dor
Nunca deixaram de sentir fome
Não conhecem o oposto disso
E na carência ou ausência de tudo
Eis que surge este deus imundo
Que lhes faz promessas sem dó
Esse ser infernal
Que coaduna todo o mal
Não é nem de longe Lúcifer
Mas se acha mais que o tal
De vermelho, acena destemido
Sabe que depende do sangue
De quem jura defender
Mas em seguida os fazer morrer
Pois são mero mal necessário
E no meio dessa lambança
Onde está de fato Deus?
Leva para longe essa praga
Que assola os filhos teus!
E Deus, em seu tempo, responde…
Em vermelho, agonizará pela eternidade
E nem mesmo no inferno
Terá a sua imortalidade
Pois nem Lúcifer o quer por lá
Será no meio dos que gritam
Em praça pública, nas ruas
Diante dos mesmos que quis
Sempre quis
Enganar
Será lembrado para sempre
Pelos que contra ele lutaram
Como adversário covarde
Puto, imbecil, salafrário
Sindicado será por Nosso Senhor
Que não quer cargos ou salários!
Quero ver a tal coragem
Quando do fundo da sua alma
For extirpado seu orgulho
E seu nome, feito entulho
For depositado em uma
Cova rasa.
