A meteorologia avisou:
Há risco de inundação
E eu corro esse risco
Todos os dias
A teu lado
Chovendo
Ou não.

A meteorologia avisou:
Há risco de inundação
E eu corro esse risco
Todos os dias
A teu lado
Chovendo
Ou não.

Se não for para morder,
Não rosne.
Mas se for para morder,
Também não rosne.
Não quero seus avisos;
Quero seus ataques.
E sim…
Quero que seja uma cachorra!
CACHORRA!
Venha balançando o rabo,
Salivando,
Doida para me lamber,
Doida para receber meus carinhos,
Doida para se esfregar em mim.
Vou aproveitar e te ensinar alguns truques,
Com direito a petiscos no final.
E depois de todo alvoroço,
Que você se deite –
Colada em mim –
E fique.
Obedeça-me!
Simplesmente fique.
E que fique claro:
Não ligo para pedigree.
Mas se for para ser minha cachorra,
Que seja só minha cachorra,
Posto que só quero uma cachorra
Para muito bem amar e cuidar
Até o fim.

Ela não pediu minha permissão
Só segurou na minha mão
E me fez olhar para frente
Não me pediu explicação
Sem nenhum porém ou senão
Acalentou minha alma descrente
Não tocou meu corpo em vão
Fez novamente bater meu coração
Disse-me tudo que realmente sente
Invadiu-me a felicidade do seu condão
Mostrou-me que nada foi em vão
E que tudo pode um homem valente
Homem
Ela me teve como homem
E ela em mim se fez mulher
Do tipo que sabe o que quer.

Eu vi um menino com sua mãe
Pedintes em frente de uma padaria de luxo
As pessoas desviavam deles
Não os escutavam
Não os ouviam
Como se fossem apenas
Mulher e menino sujos
Por ali
Passava eu com pressa
Barba feita e perfume
Passava a moça que tinha feito luzes
Passava o policial
A médica
A professora
O pipoqueiro
O malabarista
O feirante
O artista
E por ali permaneciam
Como se fossem apenas
Mulher e menino sujos
Só que me senti incomodado
E precisei voltar
Para aliviar minha consciência
Para mostrar minha superioridade
Diriam alguns
Mas não…
Não voltei por isso
Voltei para mostrar até para mim mesmo
Que nem tudo é maldade
E não dei moeda
Dei pão
Dei ouvidos
Dei coração
E não me importa
Se outros acham isso certo ou não
Pois viam, mas não sentiam
Como se fossem apenas
Mulher e menino sujos
A prefeitura
As ONGs
Os intelectuais
Os boçais
Os Cristos
Os Judas
E os Barrabás
Sempre prontos
Para jogar uma pedra a mais
Encaravam-me
Reprovavam-me
Por eu estar ali com eles
Como se eu fosse melhor que eles
Como se fossem apenas
Mulher e menino sujos
Mas meu coração se limpou
O menino sorriu
A mãe agradeceu
Eu os toquei
Eu os presenciei
Eu os vivi
Só que eu tinha que sair dali
Para não assumir de vez
A desgraça da miséria humana
E trata-los novamente
Como se fossem apenas
Mulher e menino sujos
Não, nunca foram
Não são
E nem nunca serão
Mulheres e meninos sujos
Apenas estão sujos
E me tornaram humano
Limparam o meu coração
E me enchi e os enchi de esperança
Sei que não foi em vão.

– Amor, eu estou bem nesse vestido? – pergunta a mulher, curiosa.
– Está sim! – responde o marido, sem prestar muita atenção nos detalhes.
Momentos depois…
– E nesse vestido Laranja de Marte, o que acha?
– Linda, meu amor! Linda!
– E nesse vestido salmão. O corte é um pouco diferente dos outros… O que acha?
– Foi o melhor até agora, meu amor! Sensacional!
….
– Vamos?
– Olha só… Eu sei que você não precisa usar sutiã, mas está marcando muito… Suas coxas de fora… O vestido está muito curto. Volta lá e troca isso, vai…
– Eu te mostrei todos os vestidos…
– Ok, mas só agora eu vi. Eu tenho ciúmes de você, po! Não quero deixar os outros babando!
– Mas você sabe que eu sou sua…
– Sei. Por isso mesmo… Faz isso por mim?
– Só se quando a gente voltar para casa você aproveitar, usar e abusar de tudo que te deixa enciumado…
– Eu já faria isso sem você pedir…
– Eu te amo!
– E eu também!
Moral da história: homens protegem suas fêmeas. Diferencie quem te ama de quem te exibe ou te quer só por ter. O amor está nos detalhes.

As horas avançam
E a necessidade encrustrada desperta
E revela planos
Tramóias e enganos
Verdades incompletas
Que não escondem
A porta que deixas aberta
Em teu peito
Durante a noite
Onde me escondo
Deliciosas descobertas
E no teu sussurro desconexo
No teu gemido que sai rouco
Nas marcas que deixas em meu corpo
No teu vigor que me deixa louco
Entrego-me
Renego-me
Nossa unicidade plena
Não é doxa ou paradoxa
É teorema
E nessas sessões de tortura consensual
Reciprocidade arreganhada
Desavergonhada
Toques e retoques
Tudo pleonasticamente abissal
Fazemos-nos homem e mulher
E que seja feito o que o universo quiser
Desse fogo que nos rasga
Nos assa e amassa
Enquanto nos comemos à colher
E a manhã que chega úmida
Fronhas e lençóis
Que escorrem
E que nos fazem lembrar
Que não há melhor prazer na vida
Que por a roupa de cama para lavar.

Lembro-me como se fosse hoje de como tive meu primeiro contato com esse livro (ou conjunto de livros). Ao chegar no trabalho, vi o que acredito ser o primeiro volume em cima da mesa de uma amiga. Fiquei curioso e resolvi abrir uma página aleatoriamente. Coincidência ou não, abri justamente nas páginas do “fuck hard”.
“I don’t make love. I fuck… Hard”
…
“My desires are… Unconventional”
Sim, o livro era em inglês. Não dei muita importância no momento. Achei que era só mais um livro erótico ou algo do tipo. Mas logo em seguida, veio a febre, e com ela os comentários positivos e negativos:
Eu nunca li o livro. Provavelmente, nunca o lerei. Entretanto, a última frase da lista acima realmente me chamou a atenção:
Até onde eu sei, sexo é uma coisa feita a dois. Se uma mulher nunca foi fodida de verdade, isso significa que um homem nunca a fodeu de verdade.
DISCLAIMER: Por favor… Sem cretinicies LGBT nesse caso. O livro é heterossexual e a história se desenvolve no entorno de práticas de BDSM.
Esse pensamento ficou martelando minha cabeça. Quer dizer que os homens que criticam o livro são os mesmos que acreditam que certas coisas não podem ser feitas com suas namoradas/esposas, mas sim com vadias da rua ou prostitutas, e as mulheres estão dizendo que estão interessadas em fazer o que os homens fazem com as vadias da rua ou prostitutas? Como assim? Quebra de paradigmas? Percebem a desconexão?
Se pensarmos um pouco mais no assunto, podemos chegar a conclusão que há vários homens e mulheres insatisfeitos na cama, apesar de quererem as mesmas coisas. Não estou falando especificamente de BDSM, mas de fetiches e fantasias em geral. Seriam esses fetiches e fantasias algo exclusivo dos homens? Não. Definitivamente não.
Hoje, percebo a importância desse livro para o despertar da sexualidade feminina. Ou melhor… Para o despertar dos homens para a sexualidade feminina. MULHERES FODEM TAMBÉM E NÃO SÃO E NEM PRECISAM SER VADIAS OU PROSTITUTAS PARA ISSO! Toda mulher tem desejos inconfessos, alguns muito mais sacanas do que se pode imaginar, e cabe ao homem saber explorar isso. Está clara essa mensagem? Sob essa ótica, esse livro fez mais pelas mulheres de que todo o movimento feminista já fez, sobretudo porque foi escrito por uma mulher. É quase que um grito de alerta.
Não, meu camarada… Você não precisa ter a grana Christian Grey e nem precisa ser adepto do BDSM. Entretanto, saiba que sua mulher é um agente ativo na cama, que não está lá só para te dar prazer. Aliás, é bom que você entenda isso rapidinho, sob pena de, no mínimo, viver com uma mulher infeliz e insatisfeita com a sua vida sexual. Acho que nem preciso dizer o quanto a vida sexual das pessoas é importante, não é mesmo?
Para o texto não ficar muito longo, gostaria de terminar dizendo que amor e sacanagem podem perfeitamente caminhar juntos. Aliás, não há combinação mais perfeita do que amor com sacanagem. Eu particularmente acho que só se chega no estágio máximo da sacanagem através do amor, mas isso é assunto para outro texto…
Até a próxima!

Gosto
Cheiro
Calor
Tempero
Caldo
Picante
O que sou?
Comida
Sim…
Servida
E bem comida.

Três posts meus sobre o mesmo assunto no Facebook.
Post 1
Sou a favor da remoção do porte de piroca dos estupradores (se é que vocês me entendem).
Post 2
A minha “cultura do estupro” é bem simples: como ter uma ereção no meio de uma porrada de gente? Como compartilhar uma mulher drogada, desacordada? Como fazer algo onde outros 32 estão fazendo? Como fazer algo não consentido? Como sentir prazer vendo uma pessoa sentir dor, se o verdadeiro prazer é ver o outro sentir prazer? Como não ligar para a mulher no dia seguinte? Como não trata-la como uma mulher? Acho que sofro de algum tipo de distúrbio ou disfunção sexual.
Post 3
Falamos de um estupro coletivo que veio a tona. Choca. Agride. Não podemos deixar passar em branco. Óbvio! Mas… Quantas mulheres, nesse momento, guardam dentro de si estupros, agressões, abusos e humilhações de todos os tipos, porque não foram filmadas, expostas, ou porque não tiveram a coragem de passar pela “humilhação” de serem vítimas? NÃO é NÃO! Se existe uma “cultura do estupro”, esta se traduz no mais absoluto silêncio e até mesmo na omissão de parentes, amigos e autoridades competentes.
Vou resumir: se você não gosta da Drª Janaina C. Paschoal, você não gosta de mulher. Está claro isso? Capisci? Furor uterino… Se você der mole, ela ACABA com você. Movimento feminista? Não me faça dar risada! Mulher é a Drª Janaina C. Paschoal!
Tem certeza que eu preciso dizer que ela é empoderada? Acorda, maluco! Ela se empodera! Mulher é isso: não sabe brincar, não desce para o Play. Fique com suas Barbies!
