Sim
Eu realmente sinto diferente de você
Eu sinto o agora
A sexta-feira
As taças de vinho que não serão
Os beijos deixados pelo caminho
A flor
O espinho
Eu realmente sinto diferente de você
Porque te sinto
E sinto muito.

Sim
Eu realmente sinto diferente de você
Eu sinto o agora
A sexta-feira
As taças de vinho que não serão
Os beijos deixados pelo caminho
A flor
O espinho
Eu realmente sinto diferente de você
Porque te sinto
E sinto muito.

Reparei nela…
Comecei pela canela
Depois, café com pó de canela
Mais tarde, óleo de canela
E canela em pau
Obviamente
Só pra ela
Posto que eu cravo
Que nela vigorosamente canela.

Não te amo por amar-te
Tu és como azeite
Que jorra de meus poros
Esperando aquele risoto de bacalhau
Que ainda não foi feito
Perdoe-me pela insistência
Por essa infantil carência
Que deseja-te feito dama e puta
Nada que te falo é verborragia fajuta
Sou teu sendo-me meu
És-me a verdade absoluta.

Somos eu
Somos você
Muito mais que nós
É o que nos agride
É o que nos maltrata
É a falta da pele do outro
É a falta do cheiro e do gosto
É a abundância
É a fartura
É a perda da coordenação
É vício e fissura
É o toque
É o gesto
É a saliva
É o arrepio
É roupa que cai
É o gole que enlouquece
É o despejar de vida
É a láurea de quem não padece
É a beira da praia
É a beira da cama
É a beira da loucura
É essa coisa totalmente insana
É o despertar
É o dormir
É o comer até o fim
É não deixar ir
É destino
É o inteiro e o recorte
É querer mais que querer
É a brisa fraca e o vento forte
É o corpo suado
É a alma que sacode
É a arritmia das cores
É o cachorro que ladra e morde
É a eternidade
É o viver sem temer a morte
É amor e anistia
É o não precisar de sorte
E por fim
É o Sul e o Norte
É os fatos como são
É da felicidade o passaporte
Somos eu
Somos você
Muito mais que nós.

Nunca me cansei de te comer
Muito menos de te beber
Gosto de abundantes farturas
Não por vício
Mas por opção
Te comer e te beber
É sempre muito bom
Ao ponto de assar, quase doer
Nenhuma sobra
Nenhum resto
E apesar disso
Eterno “enterro dos ossos”
Eterno comer e beber
Sim, é putaria
Mas quem disso vai saber?
É algo nosso
Prognóstico?
Comer e beber
Até morrer
Causa mortis?
Banquete de prazer.

Beijar nunca me satisfaz
Quanto mais eu beijo
Mais eu quero beijar
Sim, é sem dúvida um vício
Posto que não sei como controlar
Beijo o beijo dos beijos
E a sua boca quero e preciso beijar.

Amor é quando eu vejo
O sim e o não
Pulsando das minhas veias
E em reação
Diante de toda e qualquer presunção
Afogo-me nos teus seios.

Tirando a essência
De ser o que se é
O resto é puro badulaque
Por mim
Que fique
SEMPRE
Nua.

Há noites em que você me chama
E o fogo que arde em seu corpo
Em sua cama
Queira você ou não
Chega até mim
Já respiramos um dentro do outro
Não há limites
Nada de esquisitices
Amor visceral
Que de nós flui
E que nos faz sorrir
E outras coisas mais
Confesso que sinto sua falta
Do seu perfume
Do seu hálito com alucinante
De todos os nossos cheiros
De todos os nossos gostos
Que valem mais que diamantes
Que fluem –
E como fluem! –
E nos afogam
Morremos em nossos braços
Por alguns instantes.
Aliás, você não é mais uma
E por mais tenham existido algumas –
Meu passado eu não renego –
Você é e desde sempre foi
A única de qual não quero
Jamais me despedir
No máximo –
Que fique perfeitamente claro –
Quero com você me despir.

A maior doçura do mel se sente com os ouvidos
Mel…
Mel…
Mel…
Mel aqui…
Mela aqui…
Doçura em favos
De carne e osso.
