Fui comprar um queijo bem curado,
E o vendedor me disse: “Foram 6 anos.”
Retruquei assustado: “De cura?”
E ele me disse: “Não, de terapia”.

Fui comprar um queijo bem curado,
E o vendedor me disse: “Foram 6 anos.”
Retruquei assustado: “De cura?”
E ele me disse: “Não, de terapia”.

– Ontem, foi muito engraçado!
– E por que você está me contando isso?
– Ué… Porque ontem foi muito engraçado.
– Faz algumas sessões que você aparece apenas para me contar as coisas que te acontecem. Coisas com as quais voce agora sabe como lidar. Você sabe como agir e reagir diante delas. Eu apenas te ouço. Tem sido assim.
– E o que isso significa?
– Significa que os 5, talvez 6 anos que você investiu na sua terapia chegaram ao fim. Você está pronto.
– Como assim? Falo com você toda a semana! Como é que eu…
– O nosso trabalho está concluído. Chegamos ao fim. Parabéns, Fabio! Agora é com você.
Terminei a sessão e passei alguns minutos olhando para o nada. Uma única lágrima desceu do meu rosto. Somente uma. Eu realmente estava e me sentia pronto.
Não sabia exatamente o que era um tratamento psicológico. Entrei no processo porque as frases de Freud, Jung e Lacan sempre me chamaram a atenção. Como resistir a elas?
Foi o melhor e maior investimento que já fiz em mim, na minha vida. Cheguei a ficar desempregado, mas não desisti da terapia nem por um segundo. Era algo que eu sabia que precisava, e hoje tive a notícia que um dia eu esperava ter: minha alta psicológica ou algo assim.
Olhei para o mundo e pensei no que tinha mudado. Ao olhar, percebi que via as mesmas coisas, mas que meu entendimento e minha percepção sobre elas tinha mudado ou evoluído muito.
Se eu mudei? Provavelmente, mas muito mais do que isso, eu me conheci. Minhas qualidades, meus defeitos, meus limites, minhas missões neste mundo.
Hoje, estou melhor comigo mesmo. Me aceito. Foco no que tenho que melhorar (muitas coisas). Me realizo nas partes do meu eu que já estão avançadas (outras muitas coisas). Percebo e sinto de maneira transparente as pessoas e as coisas ao meu redor. Me sinto mais seguro, mais confiante. Me sinto mais dono de mim.
09 de Janeiro de 2023 – O dia que eu renasci. Obrigado a todos e tudo que sabendo ou não conspiraram por este momento. Obrigado a minha psicóloga, pois sem ela eu não teria conseguido. Obrigado a mim mesmo por ter acreditado em mim. E, acima de tudo, obrigado a Deus por ter me colocado no caminho certo.
Estou muito, muito feliz. Que o mundo se acostume a meu eu assim. É assim que vai ser de agora em diante.
P.S.: Nada me impede de fazer umas sessões de reforço quando eu sentir que preciso. Agora, é só uma questão de escolha. 🙂

Não há a menor possibilidade de haver amor incondicional entre um casal. Simplesmente não há. Amor incondicional é “amor de mãe”. O filho pode ser ou fazer a besteira que for que a mãe continua amando.
“Ain… Eu amo fulano(a) incondicionalmente!”
MENTIRA! Você aceita traição, por exemplo? Aceita se doar para uma pessoa sem que ela seja minimamente grata? Aceita amar sem reciprocidade, sem cumplicidade? Tenho certeza que não, e por definição isso é amor condicional: você ama sob determinadas condições e limites.
Aliás, ouso dizer que amor incondicional entre casais é algo patológico. Alguém com toda certeza está fazendo o papel de mãe. Em alguns casos, ambos estão, ao ponto de se manifestar entre eles uma verdadeira relação simbiótica.
Isso não é saudável. Isso tem a ver com o passado, com a infância. Procure ajuda profissional se for o caso. Você merece mais do que aceitar qualquer coisa vinda do outro em nome de um suposto “amor incondicional”. Onde estão a sua autoestima e amor próprio? Quais são os seus valores mais fundamentais? Quem você é de verdade? Será que você não está abrindo mão de si mesmo por conta do outro? É um preço muito alto a ser pago, e com certeza a conta vai chegar um dia.
Pense nisso. Não destrua a sua vida para agradar os outros.
P.S.: Qual a primeira coisa que a mãe se pergunta quando vê que o filho fez uma besteira? “Onde foi que eu errei???” O nome disso? Culpa. O erro do outro é sua culpa? Saia desse círculo vicioso!

Esse assunto ainda é bem tabu no Brasil. Um monte de gente tem, mas poucas pessoas falam disso. O motivo? Preconceito. Até que tem esses ataques não sabe direito o que eles são, de maneira que admiti-los é quase o mesmo que dizer “fiquei louco”.
É interessante essa visão de loucura. Afinal de contas, o ataque de pânico em si acaba trazendo inúmeros benefícios. O sujeito acaba procurando um psiquiatra, e normalmente um psicólogo/terapeuta, muda hábitos de vida, e no final está melhor do que antes. Sob essa ótica, pode ser considerado uma espécie de chamado, digamos assim.
Isso não ameniza a dor das vítimas desses ataques. O que ameniza é saber que eles vão passar. Será possível curtir um ataque de pânico? Com certeza não, mas com a mesma certeza é possível dizer que entender os mecanismos que geram um ataque de pânico, bem como seus sintomas, pode facilitar a vida de quem os tem. E a certeza de que da mesma forma que chegam, vão embora, também.
Portanto, se você está passando por algo similar, não finja que não está acontecendo nada. Procure um psiquiatra e tente, com a ajuda de um psicólogo/terapeuta, encontrar as causas disso tudo. Se preferir, não conte para aquela vizinha fofoqueira. Ninguém precisa saber disso. É um problema seu que pode e deve ser controlado. Não deixe isso chegar ao ponto de atrapalhar a sua vida social e seu trabalho!
E outra coisa… Se te receitarem um remédio, tome a porra do remédio! Não é vergonha nem demérito para ninguém. É uma necessidade do seu corpo, e quem está receitando essas medicações para você (o psiquiatra, no caso) o está fazendo com o objetivo de obter melhoria contínua na sua qualidade de vida. E novamente, não precisa dizer para a sua vizinha fofoqueira que você está tomando remédio. Guarde essa informação para você e siga rigorosamente as recomendações de seu médico.
Aproveitando a oportunidade, só para deixar claro: loucos não procuram médicos. Na sua loucura, acham que não sofrem de enfermidade alguma. Portanto, deixe de frescuras e procure ajuda!
E para terminar, uma música que ilustra com perfeição as situações de “luta ou fuga” enfrentadas por quem tem ataques de pânico. Não por acaso, o nome da música é “Panic Attack”, do Dream Theater. A letra da música está no próprio vídeo.