Ninguém me entregou um molde.
Cheguei antes de ser,
e cada passo que dei
foi tijolo meu.
Ainda assim,
há trilhas que eu nunca tinha visto
e que meus pés reconhecem
logo no primeiro passo.
De onde vem isso
que sabe antes de mim?
Ninguém me ditou,
e mesmo assim chama.
Talvez eu não seja
nem o que encontro pronto
nem o que invento do nada.
Escolho, sim.
O peso é meu,
a conta é minha.
Mas escolho ouvindo
o que em mim
já sabia o caminho
antes de eu chegar.
E entre o que faço
e o que pede para ser,
eu vou sendo.
Sobre o poema
Jean-Paul Sartre e Carl Jung olharam para a mesma pergunta, quem somos, por caminhos opostos. Para Sartre, a existência precede a essência. Não há nada em nós esperando para ser revelado; somos o que fazemos, e por isso estamos condenados a ser livres, sem desculpas. Para Jung, existe em cada um de nós um Self, uma totalidade que pede para se realizar, e a vida é um processo de individuação, de nos tornarmos quem somos. Um diz que nos inventamos; o outro, que nos encontramos. O poema mora entre os dois: a escolha é minha, o peso também, mas talvez escolher bem seja escolher ouvindo.
Que incrível!!!!
Que bom que gostou! Eu estou adorando esse formato de poesia com contraposição de ideias em alguns casos. Obrigado pela visita! 🙂
Sim, eu adorei também! Acho que poesia é um pensamento enxuto e às vezes abstrato. Quando tem essa contraposição de ideias nos faz refletir mais ainda!
E apesar de relativamente curta, deu um trabalho danado. Tenho experimentado muito. Me permitido escrever de maneiras que nunca fiz antes.
Ainda tenho outras parecidas no forno. Algumas na geladeira também. Vamos ver no que vai dar. Rs.
Eu adoro experimentações, ultimamente estou fazendo isso com os meus textos! É difícil, realmente! Vou acompanhar o seu blog pra ler mais ☺️
Muito bom! E eu vou acompanhar mais de perto o seu. 🙂