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Resposta

Quem espera uma resposta
não mora mais nas horas.
Mora nos minutos.

O relógio, que antes corria,
agora pisa devagar,
como quem atravessa
um quarto escuro.

Uma tarde inteira
cabe num olhar para a porta.
Uma noite
dura o tempo de uma pergunta
que ninguém escuta.

Nesses minutos,
o silêncio pesa mais que o corpo.
Qualquer passo no corredor
faz o coração chegar
antes dos olhos.
Não é a resposta.
Nunca é.

Nesses minutos,
volta-se a cada palavra dita,
à procura do erro,
do que foi dito a mais,
do gesto que talvez
tenha fechado a porta.

Nesses minutos,
inventam-se respostas.
Algumas salvam,
outras condenam.
Nenhuma é verdadeira,
mas todas são vividas inteiras.

O café esfria sem ser bebido.
A janela anoitece sem ser vista.
O mundo continua lá fora,
mas, para quem espera,
tudo é sala de espera.

E o ontem não passa:
senta-se ao lado
e espera junto.

Ninguém sabe quanto tempo falta.
Sabe-se só que, enquanto a resposta não vem,
quem espera aprende o nome exato
de cada minuto.

Mas há uma coisa que só se descobre tarde:
a resposta quase sempre já veio.
Veio no silêncio que se repete,
na porta que não se abre,
no passo que nunca chega.

Não é a resposta que demora.
É quem ama que demora
a acreditar nela.

Porque acreditar é ficar
diante do vazio que ela deixa,
do desconhecido que começa
onde a espera termina,
e daquilo que, em silêncio,
a gente teme encontrar em si.

E é preciso acreditar.
Não para fechar a porta,
mas para que a vida,
enfim liberta da espera,
volte a fazer perguntas.

Perguntas sobre outros caminhos,
outros nomes,
outras manhãs
que ainda vão chegar.

E o tempo, devagar,
volta a ser feito de horas.

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