Hidrate-me já!
Já que queres fazer-me perder fluidos
Não deixe-me nessa sede eterna
Ainda mais com esse manancial
Que há entre as tuas pernas!

Hidrate-me já!
Já que queres fazer-me perder fluidos
Não deixe-me nessa sede eterna
Ainda mais com esse manancial
Que há entre as tuas pernas!

EXPLICANDO
Não ti devo ninhuma sastifação!
Voto nim mim porque quiz!
TRADUZINDO
O quê? Mínima formação?
Desculpe-me, eleitor
Só queria ganhar a eleição!
CONCLUINDO
Quem é o mais burro:
O político ou o eleitor
Que faz cara de horror
Mas colocou a figura no cargo
Através da eleição?

Fique tranquila
(ou preocupe-se):
Não vai acontecer nada –
Absolutamente nada –
Entre nós
Que seja esquecível
Ou mesmo perecível
O tempo há de mostrar isto.

Eu podia estar roubando
Eu podia estar matando
Estou só aqui no Congresso
Deputando e senadando.
OBS.: Continua roubando a matando.

No fundo, no fundo
Bem no fundo
Tudo que tens
É carência de potássio
Queres ajuda?

Não fosse a quantidade de roupas
Que rasguei para despir-te
Eu juro que nem me lembraria
Do frio que lá fora acontecia
Da próxima vez
Um sobretudo sobre nada
Quem sabe?
Pois não quero causar-te
De maneira alguma
Grande prejuízo
Apenas rasgar, picotar e sublimar
O teu juízo.

Eu poderia estar no Casino Monte-Carlo
Mas preferi ficar aqui
Nesse par ou ímpar
Esperando que dê par.

É questão de vida ou morte:
Que tu me jogues uma corda!
Espero que tenha sido mera desatenção
Teres jogado antes
Metros e mais metros
De arame farpado.

O que fazer com o que não se entende?
Paciência dizem uns
Sabedoria dizem outros
Terapia dizem alguns
Bebida dizem quase todos!
O que eu digo?
Não aceito e duvido!
Só
Eu sei dos meus motivos!
A grande verdade
É que minha mente cartesiana
Se nega a entender
Conjunturas e fatos são irrelevantes
Quando é o coração que está a doer.
Sangra, pobre coitado!
Ainda que com a carcaça lançada aos abutres
A alma facciosa não desapega-se de sua cruz.

Montanha russa não é o que vivemos
É o que deixamos de viver em função
De uma ordem que não existe
Montanha russa é dizer não
Quando deveria se dizer o sim
E não se diz por medo, por capricho
Montanha russa não é tentar racionalizar
O que não pode e não precisa
De maneira alguma ser explicado
Montanha russa é o que não foi sentido
O que foi propositalmente ignorado
Para manter o status quo
Montanha russa é sermos os mesmos
Ainda que a vida insista em nos mostrar
Que há muito mais para ser vivido
Montanha russa é morrer sem ter experimentado
A felicidade da chegada, a dor da partida
Sorrisos e lágrimas que não acabam
Montanha russa é achar que há controle
Quando justamente a falta de controle
É o que cria a descarga de adrenalina
Montanha russa não é para ser
A exceção, o diferente
É para ser o que ainda não há
Montanha russa não é a fraqueza
De permanecer imóvel
Enquanto a vida insiste em nos chacoalhar
Montanha russa não somos você e eu
É de fato nós com outros
É a vida como está
Convém verificar se
A montanha russa em que vivemos
Não está desativada há tempos.
