É preciso mais do que nunca adotar uma postura combativa. Este discurso pátria, família e liberdade está matando as nossas mulheres!
-=-=-=-=-=-=-=-=-=-
Como todo homem da minha geração, cresci ouvindo todos os absurdos com relação às mulheres de uma forma geral. As músicas que me foram apresentadas na escola, por exemplo, sempre se referiam à mulher como a “rainha do lar”, que nada mais é do que um eufemismo para a condição subalterna a qual todas as mulheres deveriam se submeter. Para piorar um pouco, a iniciação sexual do homem era algo conduzido pelo pai/tios, que faziam questão de levar o iniciado até um prostíbulo, reforçando a ideia de que a mulher nada mais seria do que um simples objeto, sempre submissa à vontade masculina. Como meu pai era relativamente ausente por conta da morte do meu irmão, tive a sorte de não ter que passar por isso.
Como eu disse, cresci assim. Sempre tive em mim todos os elementos necessários para ser extremamente machista. Tenho certeza que fui machista muitas vezes, mas o tempo se encarregou de me mostrar o outro lado da moeda: o lado das mulheres.
Fiz uma faculdade de Ciências Humanas (Economia), e o contato com Sociologia, Antropologia e até mesmo a Ciências Políticas, sugeriam que havia mais do que eu estava vendo (status quo). O próprio DCE da universidade aguçava a minha curiosidade. Termos como feminismo, patriarcado, sexismo, misoginia, sororidade, empoderamento e tantos outros passaram a fazer parte da minha rotina acadêmica. E o inevitável aconteceu: me interessei pelo assunto.
Confesso que, de início, achava tudo muito exagerado, mas percebi que todos os homens achavam tudo muito exagerado. E talvez isso tenha ligado o meu alerta: se as mulheres estão questionando a sociedade com relação a seus direitos, não é natural e até mesmo esperado que o grupo dominante (i.e. homens) reaja de alguma forma? E era exatamente o que estava acontecendo. As mulheres com ideiais mais progressistas começaram a ser chamadas de loucas, histéricas, bruxas (isso desde a Idade Média), e de forma mais agressiva e contundente, de vagabundas, piranhas, etc.
A técnica utilizada era simples: reduzir a mulher ao nada, invalidando seu discurso. Rotular para que “tudo fique bem” (i.e. para que a dominância masculina se perpetue). Usar a religião como ferramenta de controle. Usar o termo família e casamento como se fossem prisões. Enfim… Uma série de técnicas de manipulação que sempre se mostraram eficazes, mas que começaram a perder a sua efetividade na medida em que as mulheres insistiam em fazer valer os seus direitos e suas vontades.
Com o tempo, vieram as grandes conquistas. A Lei Maria da Penha, a tipificação penal do feminicídio, a presença das mulheres nas Forças Armadas e nas Polícias, e até mesmo séries temáticas como Law & Order: Special Victims Unit.
Em 2008, me tornei pai de uma menina. Foi a gota que faltava para o copo transbordar de vez. Graças a ela, tive a chance de perceber detalhes sobre o machismo que me eram completamente desconhecidos. Senti na pele as dores que ela teve que sentir por ser mulher, e rompi de vez com essa ideia de que as mulheres progressistas são simplesmente rebeldes sem causa. Não são. Nunca foram. Nunca serão. São apenas mulheres se protegendo e fazendo valer os seus direitos, suas vontades.
Mas a luta está só começando. Apesar de todo o esforço, ainda é bem comum ver homens que acham que as mulheres são suas posses ou propiedades. Homens que não aceitam que não é não. Homens que se valem de ferramentas bárbaras para manterem suas mulheres, quero dizer, seus objetos a sua disposição. Homens que se separariam de suas companheiras facilmente se encontrassem uma nova parceira, mas que não admitem serem preteridos, tal como se sua honra dependesse da manutenção de sua condição de homem tóxico, abusador, manipulador, perverso e potencialmente perigoso.
Não há um único dia em que não se encontre um crime bárbaro contra a mulher. O que mais choca é o feminicídio por motivos óbvios. A média é de 4 mulheres mortas por dia, número este que só cresce, apesar da queda geral de mortes violentas no Brasil. Ainda assim, há todo um outro rol de crimes que vou listar aqui com a ajuda de meu companheiro inseparável Copilot.
Tipos de violência/crime contra a mulher (Lei Maria da Penha)
A Lei Maria da Penha reconhece cinco tipos principais de violência doméstica e familiar (art. 7º):
1) Violência Física
Qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal.
Exemplos: tapas, socos, chutes, empurrões, estrangulamento, queimaduras, ferimentos com objetos ou armas.
2) Violência Psicológica
Ações que causem dano emocional, diminuam a autoestima ou controlem comportamentos.
Retenção, subtração ou destruição de bens, documentos, valores e recursos econômicos.
Exemplos: controlar dinheiro, destruir documentos, reter salário, não pagar pensão, dano a objetos.
5) Violência Moral
Ataques à honra por meio de crimes contra a honra.
Exemplos: calúnia, difamação e injúria.
⚖️ Outros crimes frequentes contra a mulher (Código Penal e leis específicas)
Além das cinco categorias da Lei Maria da Penha, a legislação brasileira tipifica outros crimes relevantes:
Crimes cibernéticos: invasão de dispositivo, divulgação de imagens íntimas sem consentimento (Lei Carolina Dieckmann – Lei nº 12.737/2012).
Feminicídio (já mencionado anteriormente): matar mulher por razões da condição do sexo feminino; desde 2024 é crime autônomo com pena agravada (Lei nº 14.994/2024).
Importunação sexual: ato libidinoso sem consentimento (Lei nº 13.718/2018).
Crimes sexuais (estupro, estupro de vulnerável): com agravantes e regras específicas; atenuantes foram extintas para crimes sexuais contra mulheres (Lei de 2025).
Enfim… A moral da história é que não basta não ser machista. É preciso caminhar lado a lado com as mulheres e ser de fato antimachista. É entender que o machismo não é aceitável, e que deve ser repreendido sempre, nos menores detalhes. E sim, é preciso que todos os homens (todos, absolutamente todos), policiem os seus comportamentos. O machismo estrutural, que é o conjunto de normas, práticas, valores e instituições que organizam a sociedade de forma desigual com base no gênero, favorecendo homens e colocando mulheres em posição de desvantagem — independentemente da intenção individual das pessoas, precisa ser combatido. Ou seja, não se trata apenas de atitudes machistas isoladas, mas de uma estrutura social que naturaliza e banaliza a desigualdade entre homens e mulheres.
É isso! Homens e mulheres lado a lado, lutando por uma causa em comum. Chega de machismo! Chega! E para fechar com chave de ouro: feminismo não é a crença de superioridade feminina; é a busca por igualdade. É a busca por igualdade de direitos. É a percepção de que a diferença (de gênero, no caso) não é sinônimo de inferioridade.
Questões anluadas devido a vazamentos: 3 no total. A suspeita é que o número de questões vazadas possa ter chegado a 7. Talvez mais. Quem se beneficiou disso? Uma determinada parcela de candidatos. Quantos? Ninguém sabe ao certo.
Vamos explorar esta questão.
Cenário 1: Das 180 questões, um aluno acertou 180. Por conta das 3 questões anuladas, acertou 177. Entretanto, ele continua com 100% de acerto.
Cenário 2: Das 180 questões, um aluno acertou 140. Por conta das 3 questões anuladas E que ele tinha acertado, ficou com 137 acertos. Levando em conta que a pontuação máxima passou a ser de 177, o aluno desceu de 77,78% (140 acertos de 180 questões) para 77,40% (137 de 177 questões).
Cenário 3: Das 180 questões, um aluno acertou 137. Por conta das 3 questões anuladas E que ele não tinha tinha acertado, permaneceu com 137 acertos. Levando em conta que a pontuação máxima passou a ser de 177, o aluno subiu de 76,11% (137 acertos de 180 questões) para 77,40% (137 de 177 questões).
Na prática, os alunos que erraram ou mesmo nem tentaram fazer as questões anuladas foram matematicamente beneficiados.
“Ah! Mas o TRI recalibra a pontuação e as notas não são afetadas por conta das questões anuladas.”
Será mesmo?
“Cada questão do ENEM é previamente analisada e recebe três parâmetros, que são fundamentais para o cálculo da nota:
Indica o quão difícil é a questão.
a) Dificuldade
Questões difíceis valem mais, mas só se o padrão de respostas for coerente. [gov.br], [cnnbrasil.com.br]
b) Discriminação
Mostra o quanto a questão consegue diferenciar quem domina o conteúdo de quem não domina.
Estima a chance de alguém acertar a questão sem saber, apenas chutando.
A TRI reduz o peso de acertos considerados incoerentes com o restante da prova. [gov.br], [cnnbrasil.com.br]“
Na medida em que 3 questões são removidas, ocorre um desequilíbrio natural na distribuição dos pesos das questões dentro do modelo matemático/estatístico, que não por acaso não é divulgado pelo INEP. Afinal de contas, se as 3 questões anuladas eram difíceis, por exemplo, tal fato diminui automaticamente a amostra de perguntas difíceis na prova, o que pode descalibrar o modelo, principalmente se as questões forem da mesma área de conhecimento. Sem contar no tempo que o candidato investiu para resolver questões que eventualmente foram anuladas vs candidatos que nem tentaram resolver as questões (assimetria indireta).
A explicação formal do INEP:
“Anular uma questão reduz levemente a precisão da estimativa, mas não a justiça do resultado.”
Se a estimativa reduz levemente a precisão e os candidatos brigam na casa dos centésimos de pontos, é ÓBVIO que levemente pode significar ser ou não ser aprovado no curso escolhido.
Transparência passa longe (para variar).
Há controvérsias? Sim. Há quem jure que o ENEM é blindado em relação a este tipo de situação, justamente por conta do TRI. Não me parece o caso, até porque não estamos falando da anulação de apenas uma questão, mas sim de três.
Segundo ponto
Os critérios para correção da redação mudaram sem aviso. Candidatos com notas acima de 900 em ENEMs passados e em simulados, tiveram suas notas reduzidas para 800, e até mesmo 700 em alguns casos. Mas foi pior do que isso… Alguns professores corrigiram com os critérios antigos, enquanto alguns corrigiram com os critérios novos. Enfim… Uma BAGUNÇA!
O INEP vem negando desde o início que esta mudança de critérios tenha ocorrido, mas…
Documentos sigilosos mostram que correção da redação do Enem 2025 seguiu ‘regras’ diferentes de anos anteriores
E para fechar com chave de ouro, candidatos com notas de anos anteriores (2023 e 2024) participaram em condições de igualdade com candidatos do ano de 2025, sendo que o sistema escolheu automaticamente a edição que gerasse a melhor média ponderada. E isso nos remete ao item 2.
Um candidato que tirou 960 na redação do ENEM de 2024 e usa esta nota para concorrer com quem fez o ENEM 2025, possui ampla vantagem sobre quem utilizou as notas de redação do ENEM 2025, lembrando que o SISU 2026 (inscrição nos cursos) usa como base a nota bruta do candidato para determinar a nota final para o curso escolhido.
Exemplo: Em um curso onde o peso da redação é 2, o aluno que tirou 960 no ENEM 2024, leva larga vantagem sobre um aluno que tirou 800 pontos no ENEM 2025 devido aos novos critérios de correção que sequer foram informados para os alunos.
Percebem a gravidade do prejuízo?
Quarto ponto
Supondo que tudo que eu tenha relatado até aqui esteja equivocado, como explicar que as notas de corte dos cursos dispararam?
“Com um volume maior de notas disponíveis, o sistema tende a reunir candidatos com desempenhos mais altos, o que naturalmente eleva as notas de corte.” — Leonardo Monteiro, Fundação Bradesco [vestibular…uol.com.br]
A causa principal? A aceitação de notas de 3 ENEMs. E contra fatos, não há argumentos. O fato é que os candidatos deste ano não concorreram em condições de igualdade com candidatos de anos anteriores.
Conclusão
O ENEM 2025 é puro suco do Brasil. Desinformação, bagunça e, acima de tudo, completa falta de transparência.