Avatar de Desconhecido

Quanto vale um abraço?

A roupa nova
O carro importado
A viagem para a Europa
A próxima mansão pós moderna…

Ficou tudo para depois

Precisou um vírus
Parar o mundo
Para pararmos
Para ver
Que parados
Nada temos
E sequer
Conseguimos ser!

Só precisamos de um abraço
Um abraço…
Que nos devolva os laços
E o prazer de poder viver
Sem de quase nada precisar
E ao mesmo tempo –
De volta –
Nos ter.

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Meio besta

Eu te tinha
Não, tu não eras minha
Mas eras dona do meu coração

As risadas que dávamos juntos
A tua implicância
A tua maneira de me fazer rir…

Eu te achava linda…
Mas eu era imaturo e não entendia
Que eras bem mais do que aquecia meus sentidos

Hoje, só de reconhecer isso
Já sinto algum tipo de alívio:
Fazer as pazes com o passado é imperativo

O café está de pé
A churrascaria vegana também
E tudo mais o que quiseres

A vida apronta –
Ela não vem pronta –
E confesso:

Eu era meio besta.

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Beija-me

Beija-me
Com gosto de café
Beija-me não apenas com a boca
Beija-me com a alma
Beija-me com tudo –
Toda! –
Beija-me da cabeça até os pés.

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Morda!

Morda!
Mas não me leve em pedaços:
Engula-me inteiro.

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Inside your insides

I am present
But I am not public

I am here and there
Everywhere
Present
But not public

Memories
Dreams
Stories
Shivers
Chills
Fevers
Always present
But not public

You see, my darling
This is how it goes:
I don’t have to be public
To be present
And being present
Deep inside
Your insides
Requires much more depth
Than being public.

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Volta e meia

Perdão:
É aquilo que fui capaz de lhe dar
Sem você ter sido capaz de pedir

E fiz isso por mim:
Para que minhas memórias –
Nossas histórias –
Me invadam
E me façam sorrir
Coisa que volta e meia
Acontece
Sem querer
Ou pedir

Não
Eu não fui um erro
Não

Em silêncio
Pergunte de mim
Para o seu coração

Você sabe disso
E talvez justamente por isso
É que tenha tanto medo –
Tanto receio –
De sentir
E para si mesma pedir
Perdão

A vida segue
E o que é
Prossegue
Longe do toque
Dos dedos
Impresso na alma
E talvez
Mais vivo que nunca
Na negação

Volta e meia…
Volta e meia…
Volta e meia…

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Café com você

Quando tudo isso passar –
Seja lá o que tiver que passar –
A primeira coisa que vou querer
É tomar um café com você

E que seja com bolo de fubá
Cheio de erva doce
Para a gente aproveitar
Tudo que a gente sempre negou
Mas que a vida sempre quis que fosse.

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Alma limpa

Havia algo de despretencioso
No silêncio dos meus lábios
Nas batidas compassadas
No meu coração

Havia algo de belo
Na ausência das rimas
Na calmaria dos gestos
Nos meus pés no chão

Havia algo de precioso
Nas páginas dos livros
Nos filmes introspectivos
Na profunda reflexão

Havia algo de singelo
Nas brisa suave
Nos sonhos risonhos
No incondicional perdão

Havia algo
De novo
De novo
Eu havia.

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Pigarro

Estive pensando
Em mim
Em você
Em nós
Nos nós
Na garganta –
Pigarro –
Difíceis
De engolir

Coisa pouca
Eu e você
Queijos e vinhos
Nenhuma roupa
Nenhuma pretensão
Mais nada
Mais ninguém

Eu estou bem

O dulçor
E o amargor
Da saudade
Me guarnecem
Me aquecem
Feito prece
O resto
É o resto
É o momento
No tempo
Em deixar
Por decidir.


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Quase nada

Procurei em tuas palavras
Algo que fizesse sentido
Abraço ou ombro amigo
Não encontrei nada

Olhei para o vazio
Para o leito de um rio
De onde tudo já jorrou
E no qual não corre nem mais água

Não é que tenha dado em nada
Tudo deu e tudo foi
O antes, o durante e o depois
Esperanças embalsamadas

Afasta-me o tempo
Derruba-me sem alento
E o que ficou para comer
Foi a poeira da estrada

Nas idas e vindas
Das eternas despedidas
Restou só um amor
Que não vale nada.