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O retorno

Meu corpo te diz adeus,
Sem palavras, casualmente,
Sem a força de quem diz que vai
Esperando o momento da volta,
Como corpo que espera o coração bater.

E eu que tanto te quis,
Me olho assustado, surpreso,
Para onde foi todo aquele desejo?
Onde está o nosso último beijo?
Eu não sei. Eu não sei.

Só sei que sou agora o mesmo de antes,
De antes de te conhecer.
Puro, sincero, verdadeiro,
Forte, destemido, louco pelo cheiro
Da vida, do amor, de Deus.

Ah! Meus amigos voltaram,
Voltou a paz da incerteza do destino,
Voltou a luta diária pelo pão de cada dia,
Voltou aquela menina da rua que me sorria,
Voltou tudo, ou melhor, eu voltei.

É, agora eu me pergunto,
Será que por um breve período enlouqueci?
Tenho certeza que não!
Foi coisa do coração:
Coisa que dá e passa.

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Adeus

Se tu leres o que escrevo,
Saberás que é para ti
Este polido e fiel recado,
Notório, mas nunca por mim revelado,
Escrito com o puro sangue
Que jorra de minha cruz sem peso.

Que se diga, portanto, toda verdade,
Este jugo ao qual me submeto,
Esta poesia que canto ardentemente,
No centro de qualquer esquecido coreto,
Faz de meu corpo sacro púlpito,
De onde todos meus pecados confesso.

E se com lágrimas profanas,
Minha dor eu manifesto,
Reservo-me o direito de querer,
Muito mais do que te quero,
Que todos os meus desvairados devaneios,
Por ti e em ti se encerrem.

Não te direi adeus jamais,
Um louco não carece de loucura,
Simplesmente peço que te vás,
E com tua empáfia procure algures,
Outro coração que possas empalar,
E que tua redenção, não obstante, procures.

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Eu te disse

Há várias maneiras de se dizer adeus. Uma delas é não dizendo.

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Onde você deixa seu chinelo de dedo antes de dormir?

É muito comum nos dias de hoje ver pessoas perguntando coisas do tipo “Onde erramos? Quando foi que acabou?” E, inevitavelmente, após esses questionamentos mais básicos e elementares, na defensiva surge a necessidade de culpar alguém: “A culpa é sua e não minha!” é o que mais se costumar ouvir. Prático e patético, não?

Mas não adianta falar em culpa depois que algo acabou, adianta? Não. Acabou. E depois de um tempo, depois que a raiva vai embora e da vida nos mostrar algumas lições, percebemos que podíamos ter sido mais flexíveis aqui e ali para evitar que se chegasse ao fim. Podíamos. Não podemos mais. Chegou o fim.

Em geral, pelo menos uma das partes, quiçá as duas, dão inúmeros avisos e alertas sobre os problemas, que não são coisas que surgem do nada. Um comportamento ou mesmo um simples gesto inadequado repetido ao longo dos anos pode se transformar em um derradeiro motivo, ainda que uma das partes entenda que não. Viver a dois é isso. Se algo incomoda, é preciso falar sobre isso. Fingir que esse algo não existe não é uma solução. Na verdade, é uma agressão ainda maior a quem está se sentindo incomodado.

E o mais engraçado é que não se chega ao fim sem um início, sem um meio. O que era diferente no início? Era justamente essa falta de acomodação, essa incapacidade de machucar o outro e ignorar a situação. E o meio é justamente quando a agressão – é assim que sucessivos erros começam a ser vistos, consciente ou não, começa a cair no lugar comum. É quando se perde a noção de que o amor é algo que se rega todo o dia. Quando se perde isso, se perdeu tudo. Não restou mais nada. Fim.

A vida é assim. Todo mundo quer o melhor dos outros, mas realmente poucos, pouquíssimos querem dar para os outros o seu melhor, mesmo que isso seja algo tão simples quanto mudar o lugar onde se deixa uma chinelo de dedo antes de dormir.

Não tome como certo aquilo que você já tem. Tente ser melhor, sempre melhor. Não faça pouco caso da vontade do outro. Não desmeraça o outro. Não se esqueça do outro. Diante de uma despedida, mudar o lugar onde se guarda uma chinelo de dedo antes de dormir e agradecer a Deus pelo que se tem é um esforço ínfimo.