Avatar de Desconhecido

Germinando

E se as lágrimas forem necessárias para fazer a vida germinar?

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Teu néctar

Saudei a vida feito um borboleta

Que se liberta de sua crisálida

Por nela não caber mais.

.

Cresci e não foi fácil.

Crescer nunca é fácil.

Crescer pinica e faz chorar.

.

Mas agora, posso voar

E ver lá de cima

Como são pequeninas

As antes coisas grandes da vida

Que em mim também já não cabem mais.

.

Agora, conto com o vento

Estou pelo voo sedento:

Ei de te achar

E voarei até ti

Para do teu néctar degustar.

Avatar de Desconhecido

Crescer

Por pura vaidade, não reconhece a perda.

Luta batalhas que não fazem mais sentido.

Chama a atenção para as suas causas irrelevantes –

Todas elas –

Irrelevantes para o mundo; o mundo que não é só dele.

Distorce, trama, difama, manipula,

Pois não tem a coragem de se olhar no espelho.

E ali, bem no meio da poça de sangue

Que se formou dos cortes que fez a si mesmo,

Prosta-se feito criança que espera a saída do escola.

Quer rever seu pai, sua mãe.

Quer que eles lhe digam que vai ficar tudo bem.

Quer se rever criança e poder ser criança.

Mas isso não é mais possível: a criança precisa morrer.

O bebê que ainda é precisa desfraldar.

Precisa sepultar partes suas em definitivo para ser.

Precisa viver o luto que é crescer.

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Temporário

Eu sou
O que está por detrás
Das portas que não abro
O que não encaro
Nas janelas que embaço
As músicas que não escuto
Os petiscos que não degusto
Os vinhos que não abro
As conversas que não tenho
Os sentimentos que ignoro
E tudo mais que disfarço

Eu estou
Sem sede
Sem fome
Entalado
Mofado
Abismado
Atordoado
Disperso
Possesso
Compresso
Inconfesso
Puto!
E mais nada

Eu estou
O reverso
Eu estou
Ao contrário
E diante
Desse corolário
Eu estou morto
Mas esse óbito –
Valha-me, Deus! –
É temporário.