Algumas de nossas coisas
Só nos fazem falta
Quando já não são mais nossas coisas.
Que fim levaram?
Para onde vão?
Agora, que já se foram,
Só restou o vão.

Algumas de nossas coisas
Só nos fazem falta
Quando já não são mais nossas coisas.
Que fim levaram?
Para onde vão?
Agora, que já se foram,
Só restou o vão.

As pessoas tendem a valorizar o difícil, o improvável, o inatingível. Muitos, inclusive, se apaixonam por esta busca frenética e chamam isso de amor.
Não. O amor não é e nem precisa de nada disso. O amor chega fácil. É claro, objetivo e direto. É óbvio. Não precisa ser convencido. O amor não joga. É leal. É fiel. É recíproco. É respeitoso, íntegro e integral. É correspondido. É leve. Eleva. Faz crescer. E, sobretudo, o amor nunca se coloca ou permite ser colocado em uma posição na qual possa se perder ou mesmo deixar de existir.
Nem por isso dispensa manutenção, claro. Amor é dia a dia. Amor é cotidiano. Amor é no detalhe e no todo. Amor é jornada. Amor é estrada. Amor é pé no chão.
Se for muito complicado, não é amor. É alguma outra coisa que você resolveu chamar de amor para preencher algum vazio. E se você não estiver inteiro, vai chamar qualquer porcaria ou migalha de amor e vai sofrer horrores por conta disso.
É ou não é amor? Só você é capaz de responder essa pergunta.

Eu olho para o céu e vejo
No infinito a minha finitude
Perplexidade diante de coisas tão pequenas
Fraqueza, apesar de plena e total saúde.
Nas sombras eu me escondo aturdido
Quero ver o Sol, mas não quero luz
Cruel e real tua atordoante presença
Que mesmo sem ter cor, muito seduz.
Desejar-te é desafiar todas as barreiras
Vencer o tempo, fugir da cruz
Animalizado instinto, puro sentimento
Revelar meu carrasco, sem tirar seu capuz.
Deixar o fogo queimar a carne
Deixar a alma arder em torpor
Trocar o certo pelo incerto atraente
Trocar o vazio pelo anseio, impávido pavor.
Sucubus real, tangível e sedutor
Filha das trevas, suga o sangue de minhas feridas
Cospe em minha face, sem nenhum valor
Prossegue caminhando para sempre sem vida.
Eu olho para o céu e vejo
Fragmentos de mim, totalidade do teu ser
És agora mais forte que antes
Êxtase alucinante, não me perdoo por te querer.
E depois me calo,
O silêncio tem mais à dizer
Fria pele, passa-me teu calor
Já estou morto, muito antes de morrer.

Eu precisava de um motivo para não ir
E de todos, o mais racional escolhi:
Ainda que o corpo fosse, a alma ficaria
E corpo vazio não escreve ou vive em poesia.
