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Unhas vermelhas

Seriam só unhas

Se não fossem tuas

Tais navalhas divinais

Sobrenaturais

Surreais

Animais

 

Das tuas garras sou presa

Prato principal e sobremesa

De banquete que nunca acaba

De onde sempre se espera

E se quer mais

Sempre muito

Muito além do mais

 

Tal cor é conveniente

Pois é também da cor

Vermelha

E não por acaso se assemelha

À cor do sangue

Que jorra aos borbotões

Enquanto repousamos na cama

Nossos frenéticos

Pulsantes

Ululantes

Urrantes

Alucinantes

Corações

 

Unhas vermelhas

Eram só unhas

Mas como são tuas

Tinham que ser vermelhas

Pois tu bem sabes

Que do amor sou daltônico

Não vejo perigo

Só paixão e devassidão

Seria eu anacrônico?

nails

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Imperfeitamente perfeito

Diga-me quem és

Porque bem sei quem sou

Tenho todos os defeitos típicos

De quem se apaixonou

 

Não há sentimento de sua parte

Essa parte eu até entendo

Mas por que dizes ser imperfeito

O amor pelo amor que estou tendo?

 

Deixe-me amar, me apaixonar!

Faço disso disso tudo bom proveito

Não imaginas o que sinto ao acordar

E bradar: Deus, sou imperfeito!

 

O amor e a paixão são assim

Realizam-se na imperfeição

Não devem explicações a meu cérebro

Somente a meu pulsante e esfuziante coração.

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Anjos do Asfalto – O Sol – 1991

E aí, você acorda em uma segunda-feira qualquer, e um amigo (vocalista da banda na época e seu padrinho de casamento) posta na sua timeline do Facebook uma gravação em vídeo de um show que fez com você em 1991… Sem palavras!

Eu tinha 19 anos… Só 19 anos. Muita história nessa música!

Banda: Anjos do Asfalto (Cacau, Fabinho, Fabio Ottolini, Raul Silveira Simoes, Granamyr)

Música: O Sol

Autores: Cacau Hausen e Fábio Ottolini

Local: Duerê – Niterói/RJ

Ano: 1991

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Licantropia

Nas paredes do meu quarto

Sombras criadas pelas árvores

As mesmas que me viram nascer

E que agora encenam, coreografam

Diante do olhar atento da Lua cheia

Histórias histéricas de prazer

 

Sob a direção da ventania

E de chuva que se inicia

Forma-se espetáculos magníficos

Que em algumas noites

Na vastidão destas algumas noites

Já foram para lá de horríficos

Depravados e torturantes

 

Não hoje; hoje não!

Resignadamente eu imploro…

 

O pulso acelera

O espetáculo na memória reverbera

A respiração ofegante

O suor ácido e borbulhante

Sangue abundante

Causticante

Que faz com que o eu homem

Se transforme no eu besta, fera

 

Maldita maldição!

Já não tenho mais controle

Sobre tal situação

Sou pura vingança, pavor

Ódio e desamor

Sedento por um coração

Que bate sem comiseração

E invoca minha destemperança

 

Maldita maldição!

Que uma bala de prata

Risque a noite

E transfixie meu coração

Que me liberte dessa prisão

Eis que diante da morte

Sinto da vida a maior sorte

Se amar é maldição

Rogo pela minha completa extinção

 

E pela manhã

De volta a minha cama

Roto, puro desgosto

Ainda vivo

Ferimentos que não se curam

Sangue que não se esvai

Dor que de mim não sai

Penso que deve ser assim

Este pejo que recai sobre mim

 

Perdoa-me, Deus…

Por todos os meus pecados

De ontem, de hoje, e de amanhã

Até que dessa vida eu possa dizer adeus.

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Fetichando

Fetiches unitários?
Lamento…
Só os realizo de dois em dois
Um deles precisa ser necessariamente
O fetiche de estar comigo.

fetiche
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Curto circuito

Sinto a força do tempo

Queimando minhas veias

E libertando-me das teias

Já não sou mais presa

Sou predador

 

Sou o que não sei ser

O que nunca pensei em ter

Sim, hoje eu sei

Sonhar alto dá nisso

Pesadelos que eu visto

 

E se virou fel

Aquilo que era favo de mel

Resignadamente eu peço

Valha-me, Deus!

Coração e cérebro desconexos.

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Pôr do Sol

Sentar ao meu lado

Que eu saiba

Nunca foi pecado

Para falar de poesia

De fotografia

Da vida

Do dia-a-dia

Ou para ficarmos calados

Nunca nos faltou assunto

Nunca

E mesmo assim esse silêncio

Essa distância

Essa falta de abundância

Do básico

Algo quase afásico

Algo que não é nosso

Essa coisa, esse troço

Nunca foi assim

Ainda me flagro

Conversando com seu cheiro

Com seu toque

E acredite…

Quando me toca

Ainda sinto aquele choque

É como se fosse ontem…

É como se fosse…

É como se não tivesse fim

E nada há de apagar

O que foi sentido

O que foi falado

O que foi ouvido

O que foi feito e desfeito

Com a sensação platônica

Do mais que perfeito

Não é pretério

Ou finada

A falta que trago em meu peito

Como se fosse ontem…

Como se fosse…

E se fosse, seria

Mais do que já é

Mais do que sempre

Renascida

Sobrevivida

A cada sol poente.

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Antolhado

Pedi a Deus que me desse um novo rumo

Uma nova direção

“Retire seus antolhos!”, disse um anjo

E eu sorri:

Não sou burro, não!

burro1

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Queira me desculpar

Desculpe-me por enviar flores. Não sabia que você era alérgica ao amor.

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Vida post mortem

Já dissemos tudo

Já dissemos nada

Já planejamos tudo

Já planejamos nada

E nossa roda gigante

Com aclives e declives

Dignos de um conto de fadas

Navegamos por risos e lágrimas

Nunca dantes defloradas

E entre ervas daninhas

Monstros e espinhos

Nos perdemos no caminho

Mas insistimos nesta telúrica

E epopéica jornada

 

Dissemos não para o sim

E sim para o não

Acorrentados pelos grilhões amor

Quer seja no prazer ou na dor

Edificamos nossas próprias prisões

Cativos de nossos próprios corações

Somos os sobreviventes

Crentes e carentes

Desse nosso mundo real

Em nada imaginário

 

Que a felicidade nos alcance

Que tudo seja vida post mortem

E que o medo seja esperança

Que sobre em nós a alegria das crianças

Quer seja nas madrugadas fogosas

Ou em para lá de inesquecíveis prosas

Nosso amor é assim:

 

Nunca talvez!

 

Há dias que não

Há dias que sim.

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