“Está calor aqui…
O ar-condicionado
Não dá vazão!”
“Toma uma picolé
E pára de reclamar!
Cala a boca
E chupa!”

“Está calor aqui…
O ar-condicionado
Não dá vazão!”
“Toma uma picolé
E pára de reclamar!
Cala a boca
E chupa!”

E vivíamos esse
Misto quente
Ao invés de
Queijo e presunto
Dúvidas e certezas.

Os dados foram lançados
Sabendo ou não do resultado
Eu já ganhei
No mínimo
Experiência.

Ainda que não fosse
Seria
Eu a
Inventaria
E no final
Seria
Muito abaixo
Do que
É
Só Deus é capaz
De criar
O perfeito
E me outorgou
O direito
De apreciar
Sua criação
Há um porém:
“Não toque”
Alguém
Quem?
É comigo?
Eu digo
Meu amigo
Não inventei
Bem que tentei
Eu falhei
Não precisava conseguir
Meu futuro
Pertence a Deus.

Arrow highway road sign against cloudy sky
Era só espumante
Que tocava seus lábios
Escorria pelo seu corpo
Por caminhos inconfessáveis
Que conheço muito…
Muito bem
E enquanto percorria
Esse relevo paradisíaco
Picos, cânions e vales…
Mudava até de nome:
Champagne!
E eu o sorvo
Ora com fúria
Ora com afeto
Até o último gole
Não deixo uma gota na taça
Que nem de longe disfarça
O serviço foi
Completo.

Esperando…

De trigo
De cevada
Você deixa minha alma lavada!

Silêncio!
Consigo ouvir as areias do tempo
Escorrendo por entre meus dedos
Sou uma ampulheta viva
E sei que a areia que se esvai
Tem rumo certo:
O deserto onde empilham-se
Todos os sonhos
Que jamais realizei
Onde serpentes e insetos
Consomem cadáveres insepultos
Que na morte procuram nexo.
MORRAM, SONHOS!
MORRAM!

Sou tão religioso
Que se o próprio Jesus
Me pedisse ajuda
Eu não o reconheceria
Eu não o atenderia
Aceleraria os passos
E o deixaria a comer poeira
“Estou indo ao templo rezar
Não posso perder tempo
Com coisas pequenas.”

Que seja doce encanto
Nunca
Motivo para pranto
E se for
Chegou a hora
Que vá-se embora
Se momentos felizes
Forem a exceção
Esbaldar-se na tristeza
É negar a real necessidade
De dizer um derradeiro
Um definitivo
Um disruptivo
Não.
