Eu era só aquele que te amava Em qualquer tempo ou lugar Na frente de tudo Na frente de todos Diante de mim
Eu era só aquele que te amava Que esperava por um sinal Um breve olhar Um mínimo sorriso Para viver o meu dia
Eu era só aquele que te amava Que comemorava tuas vitórias Tais como se fossem minhas E ficava eufórico em te ver crescer E em de alguma forma te fazer feliz
Eu era só aquele que te amava Sem julgamentos ou motivos Sem limites ou barreiras Amor daqueles brutais Amor de todas as maneiras
Eu era só aquele que te amava Que se importava Que chorava e sorria Que era poesia Que era lido e guardado
Eu era só aquele que te amava Que fazia do impossível Sempre, sempre possível Para te ter ao meu lado Para te fazer feliz
Não há nada que você possa dizer ou fazer que seja capaz de me fazer sentir pior ou melhor do que me sinto.
E repetindo essa espécie de mantra, no dia a dia eu passei a vivencia-lo, iniciando meu processo de cura.
Não precisei criar narrativas fantasiosas onde você era a pior criatura do mundo, e eu o mocinho de um filme de faroeste ou de terror. Não precisei te culpar por nada. Não foi tudo em comum acordo? Não precisei difamar você ou mesmo mentir para justificar o que vivemos. Não precisei desconstruir ou destruir você. Não precisei pensar em algum tipo de vingança ou atitude intempestiva de maior impacto. Para quê? Por quê? Em nome do quê? Não precisei me esquecer de nada que vivemos, de onde fomos, e muito menos de tudo que sentimos. – Sim! Juntos, os dois! – Não precisei dizer que nunca te amei ou que você nunca me amou, ou mesmo dizer que fui usado, manipulado. Não precisei envolver terceiros, fornecendo a eles informações privilegiadas que obtive de você por conta da nossa intimidade e da confiança que você depositava em mim. Não precisei falar mal da sua família, da sua casa, das suas coisas. Não precisei fingir que te esqueci. Não precisei sequer deixar de te amar para seguir em frente. Eu posso seguir em frente e continuar te amando. E posso amar de novo, e de novo, e de novo, e de novo… Posso recomeçar quantas vezes forem necessárias e isso não é uma escolha. Isso faz parte de quem eu sou.
Há sempre pelo menos uma saída de uma rotatória, nem que seja a mesma via que um dia já serviu de entrada. E eu entrei na sua vida pela porta da frente. Obrigatoriamente, portanto, essa saída passa pela minha integridade e pela minha capacidade de honrar e respeitar o meu passado, aceitando as coisas como elas realmente são, sem mágoas ou ressentimentos. Vida que segue.
O nosso amor foi e é como uma flor, e toda flor tem seus espinhos. E nem por isso, ou justamente por isso, é que nunca deixará de ser flor.
Eu vou respeitar o meu coração Em qualquer situação Em todo momento Durante todo o tempo Até a última hora
Nem sempre o entendo Mas sempre o respeito Para ele não ir embora
Guardo dentro dele coisas gigantes Tesouros incalculáveis: Sonhos Pessoas Futuro Presente Passado
Um pouco de tudo Até mesmo do nada Mas nenhum centavo Nada do que me pode Ser tirado
E há momentos Em que ele não cabe dentro de mim E foge pelas minhas mãos Feito pichador Que nas paredes do meu mundo Liberta-me pintando poesias
Talvez as coisas andem Um pouco desarrumadas Mas nele está Tudo que deveria estar
E quando ele se agita – E sempre se agita – Desarruma-me Mas é justamente desarrumado Completamente desarrumado Que me sinto mais vivo Mais no rumo Seja lá qual rumo for
Eu já quis ter o poder De decidir o que nele ficaria Ou o que nele eu colocaria Quanta hipocrisia!
Mas não… É melhor não… Ele tem vida própria E eu só tenho o que chamam de razão.