Sabe o que é…
É que o céu está azul…
E daí?
E daí, nada…
É que
Por você
Tudo é
De alguma forma
Motivo.

Sabe o que é…
É que o céu está azul…
E daí?
E daí, nada…
É que
Por você
Tudo é
De alguma forma
Motivo.

Adoro ver esse sorriso
Em todos os teus lábios.

Quando olho para meu passado
Percebo os momentos exatos
Em que fiz demais
Tentei demais
Falei demais
Demais…
Não mais!
Porque quem eu era
Já não mais sou
Mas ainda sou
E ainda sinto
Sinto muito
Ademais.

Feito vela que vejo acesa
Que traz você em sua chama
Ora sinuosa, ora imóvel
Me iluminando
Me queimando
Feito milhões de sóis
À luz desta vela eu sigo
Velando dia e noite
Ainda que sem voz
Até que a chama se apague
E tudo mais se cale
E fiquemos em definitivo a sós.

Eu era só aquele que te amava
Em qualquer tempo ou lugar
Na frente de tudo
Na frente de todos
Diante de mim
Eu era só aquele que te amava
Que esperava por um sinal
Um breve olhar
Um mínimo sorriso
Para viver o meu dia
Eu era só aquele que te amava
Que comemorava tuas vitórias
Tais como se fossem minhas
E ficava eufórico em te ver crescer
E em de alguma forma te fazer feliz
Eu era só aquele que te amava
Sem julgamentos ou motivos
Sem limites ou barreiras
Amor daqueles brutais
Amor de todas as maneiras
Eu era só aquele que te amava
Que se importava
Que chorava e sorria
Que era poesia
Que era lido e guardado
Eu era só aquele que te amava
Que fazia do impossível
Sempre, sempre possível
Para te ter ao meu lado
Para te fazer feliz
Eu era só aquele que te amava
Eu era só.

Eu jamais tiraria o teu chão
Sem ter a certeza de que poderias voar –
Eu já tinha visto as tuas asas!

Não há nada que você possa dizer ou fazer que seja capaz de me fazer sentir pior ou melhor do que me sinto.
E repetindo essa espécie de mantra, no dia a dia eu passei a vivencia-lo, iniciando meu processo de cura.
Não precisei criar narrativas fantasiosas onde você era a pior criatura do mundo, e eu o mocinho de um filme de faroeste ou de terror. Não precisei te culpar por nada. Não foi tudo em comum acordo? Não precisei difamar você ou mesmo mentir para justificar o que vivemos. Não precisei desconstruir ou destruir você. Não precisei pensar em algum tipo de vingança ou atitude intempestiva de maior impacto. Para quê? Por quê? Em nome do quê? Não precisei me esquecer de nada que vivemos, de onde fomos, e muito menos de tudo que sentimos. – Sim! Juntos, os dois! – Não precisei dizer que nunca te amei ou que você nunca me amou, ou mesmo dizer que fui usado, manipulado. Não precisei envolver terceiros, fornecendo a eles informações privilegiadas que obtive de você por conta da nossa intimidade e da confiança que você depositava em mim. Não precisei falar mal da sua família, da sua casa, das suas coisas. Não precisei fingir que te esqueci. Não precisei sequer deixar de te amar para seguir em frente. Eu posso seguir em frente e continuar te amando. E posso amar de novo, e de novo, e de novo, e de novo… Posso recomeçar quantas vezes forem necessárias e isso não é uma escolha. Isso faz parte de quem eu sou.
Há sempre pelo menos uma saída de uma rotatória, nem que seja a mesma via que um dia já serviu de entrada. E eu entrei na sua vida pela porta da frente. Obrigatoriamente, portanto, essa saída passa pela minha integridade e pela minha capacidade de honrar e respeitar o meu passado, aceitando as coisas como elas realmente são, sem mágoas ou ressentimentos. Vida que segue.
O nosso amor foi e é como uma flor, e toda flor tem seus espinhos. E nem por isso, ou justamente por isso, é que nunca deixará de ser flor.

Eu vou respeitar o meu coração
Em qualquer situação
Em todo momento
Durante todo o tempo
Até a última hora
Nem sempre o entendo
Mas sempre o respeito
Para ele não ir embora
Guardo dentro dele coisas gigantes
Tesouros incalculáveis:
Sonhos
Pessoas
Futuro
Presente
Passado
Um pouco de tudo
Até mesmo do nada
Mas nenhum centavo
Nada do que me pode
Ser tirado
E há momentos
Em que ele não cabe dentro de mim
E foge pelas minhas mãos
Feito pichador
Que nas paredes do meu mundo
Liberta-me pintando poesias
Talvez as coisas andem
Um pouco desarrumadas
Mas nele está
Tudo que deveria estar
E quando ele se agita –
E sempre se agita –
Desarruma-me
Mas é justamente desarrumado
Completamente desarrumado
Que me sinto mais vivo
Mais no rumo
Seja lá qual rumo for
Eu já quis ter o poder
De decidir o que nele ficaria
Ou o que nele eu colocaria
Quanta hipocrisia!
Mas não…
É melhor não…
Ele tem vida própria
E eu só tenho o que chamam de razão.

Você sussurrava
Em meus ouvidos
Feito vento leve
Feito brisa do mar…
Nunca se deu conta
Dos furacões
E tempestades
Dos maremotos
Dos rochedos
Dos raios
Dos trovões
Que causava
Bem dentro de mim
Cada palavra era um grito –
Um uivo aflito –
E eu ando meio surdo
De não mais lhe ouvir
Eu era nau
Sem rumo
E todos os rumos –
O desconhecido! –
Levavam-me
De volta
Até você.
