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Hoje é dia de milagres!

Eu não sei o que há de errado em sua vida agora. Talvez você esteja só cansado. Talvez esteja decepcionado, desiludido. Talvez tenha perdido um parente, um amor, um amigo… Eu não sei, mas de uma coisa estou certo: Deus está aí com você nesse momento. Deus está com você em todos os momentos.

A vida tem dessas coisas. Nem sempre tudo vai bem. Mas repare no mundo, na natureza, no que acontece todos os dias. Depois da noite, sempre vem o dia. Depois da tempestade, a bonança. Depois da estiagem, a chuva. E assim será na sua vida. Eu não preciso saber o que aperta seu coração, porque sei qual é o remédio e sei qual é a cura para todos os males: Deus.

Entregue-se de corpo e alma. Aceita a vida como é e as coisas como são. Perdoe até mesmo quem nunca fui capaz de pedir perdão. Sinta suas dores e as entregue nas mãos de Deus. E assim, diante da sua humildade, você será grande diante dos olhos de Deus. Essa é a única maneira de seguir em frente.

Não acredite que você não é forte o bastante. Não acredite que você não vai conseguir. Aquele que deu seu filho por nós é por você, é por mim. Não há força maior no mundo que a força de Deus, e se Deus permitiu que algo acontecesse em sua vida, é porque Deus está te preparando para algo muito melhor. É justo nesses momentos, onde parece que você está sozinho, é que Deus você está no colo de Deus.

Peça; Entregue; Receba. É hoje o seu dia. É hoje a sua hora.

Amém!

P.S.: Eu sou cristão, mas não tenho religião. Eu só acredito em Deus.

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Eu não te dei nada

Eu não te dei asas;

Tu já as tinha.

Talvez dobradas,

Amarrotadas,

Mas contigo já estavam.

 

Eu não te dei sorrisos;

Tu já os tinha.

Talvez acabrunhados,

Pensando-se exagerados,

Mas contigo já estavam.

 

Eu não te dei suspiros;

Só ajudei-te a desengaiola-los.

Eu não te dei prazeres;

Só ajudei-te a vivencia-los.

 

Eu não te dei nada,

Porque de fato era do nada que precisavas.

 

Só olhei-te com os olhos e lentes do amor,

E de dentro do teu coração,

Estas e milhares de outras sementes brotaram.

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Decerto

Há coisas que são só para os olhos

E há aquelas coisas

Que ousam –

Que pousam! –

No ventre,

No útero,

No nascer,

No adeus,

Em Deus,

 

Há coisas –

E de todas essas coisas –

Há o grito,

Calmo ou aflito,

Onde te penumbro,

E nunca te ofusco.

 

Há luz,

Há verdade,

Há claridade

Na cerca que não cerca,

No abraço que não prende,

Na doença que não e moléstia,

Na ausência que é presença

Farta e certa.

 

E tudo

No momento certo,

Quer seja no coração que sangra,

Ou no que o orgulho lacra –

Aberto! –

Renasce por suas próprias forças,

Posto que o amor

Ressurge e urge

No presente fingido,

Cujo futuro –

Decerto –

É comunhão,

Entrega,

Vida,

Sublime abnegação,

Água no deserto.

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Janelas

Entre tantos parapeitos,

Por que escolheste pousar justo neste?

Justo nestas janelas,

Nas minhas janelas,

Que para mim eram só mais umas janelas –

Entre tantas outras –

De onde eu via o mundo,

E de onde eu não imaginava

Que tu me vias.

 

Abriste meus olhos –

Sim, as tais janelas –

E enxergou-me por dentro,

Enquanto eu sorria do lado de fora.

 

Deixei que o fizesse sem pressa –

Mas também sem demora –

Porque eu não saberia descrever

Tudo que dentro de mim ficou

E nunca foi-se embora.

 

E desde então,

Minhas janelas seguem abertas para o mundo,

Em todo e qualquer segundo,

E de todo e qualquer jeito.

Pois sempre que pousas

No meu parapeito

Convido-te a entrar

Para repousar,

E para te aninhar

Bem dentro –

No centro –

Do meu peito.

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Manteiga

Eu só cresci te amando,

E quero que isso fique claro.

 

Não há choro ou velas,

Porque ninguém morreu.

É que de amor não se morre:

De amor se vive.

 

Percebe a sutil diferença?

Amor é aquela risada

Carregada de sacanagem

Que só a gente consegue entender.

É o olhar e dizer:

É ali que queremos

E é ali que chegaremos.

 

Não pelos outros,

Tudo por você,

Por mim,

Por nós.

Porque no mundo estamos a sós

Bombardeados por olhares

De quem nossos sapatos não calça.

 

Porra!

O mundo não quer saber

Se vamos conseguir ou não!

A lenda é nossa,

A história é nossa.

Era para a gente escrever o livro

E depois, só depois,

Pedir perdão!

 

A quem,

Eu juro que não sei.

Desde quando se pede desculpas

Por viver justo o que não é em vão?

 

E é assim,

Puro coração,

O dia-a-dia de quem ama.

Não, não há ilusão.

A resposta vem do útero do coração.

Essa coisa não se importa

Se a gente acredita ou não!

Essa coisa é

E o tempo todo diz.

 

Eu só cresci te amando,

E durante esse processo,

Acabei me reencontrando.

Te vi e me vi tão perfeitos,

Alma na alma,

Peito no peito,

Feito propaganda de margarina,

Mas só que nós somos pura, saudável,

E francesa manteiga.

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Em vão

Vem cá…

Vem me falar

De tudo que você acha

Que não precisa dizer

 

Lembra?

Antes de tudo eu era amigo

Abrigo…

O bom dia

O boa noite

E tudo mais que precisava ser

 

Deixo assim

Nas tuas mãos

O direito de ser feliz –

Ou não!

 

Mas se quiser me falar

Do seu coração

Continuo por aqui

Depende só de você

Confessar-se

Ou deixar o momento ir-se em vão.

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Tente ficar em silêncio

Eu sobreviverei a todo e qualquer silêncio que você me imponha

Porque por dentro de você eu sei que sou puro barulho.

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Me ajuda?

Igual a você, ninguém mais

Me ensina o que isso quer dizer?

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Fé

Em Deus, na vida, no amor, no mundo.

Simplesmente fé.

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Eu, mendigo

Eu vi um menino com sua mãe

Pedintes em frente de uma padaria de luxo

As pessoas desviavam deles

Não os escutavam

Não os ouviam

Como se fossem apenas

Mulher e menino sujos

 

Por ali

Passava eu com pressa

Barba feita e perfume

Passava a moça que tinha feito luzes

Passava o policial

A médica

A professora

O pipoqueiro

O malabarista

O feirante

O artista

E por ali permaneciam

Como se fossem apenas

Mulher e menino sujos

 

Só que me senti incomodado

E precisei voltar

Para aliviar minha consciência

Para mostrar minha superioridade

Diriam alguns

Mas não…

Não voltei por isso

Voltei para mostrar até para mim mesmo

Que nem tudo é maldade

E não dei moeda

Dei pão

Dei ouvidos

Dei coração

E não me importa

Se outros acham isso certo ou não

Pois viam, mas não sentiam

Como se fossem apenas

Mulher e menino sujos

 

A prefeitura

As ONGs

Os intelectuais

Os boçais

Os Cristos

Os Judas

E os Barrabás

Sempre prontos

Para jogar uma pedra a mais

Encaravam-me

Reprovavam-me

Por eu estar ali com eles

Como se eu fosse melhor que eles

Como se fossem apenas

Mulher e menino sujos

 

Mas meu coração se limpou

O menino sorriu

A mãe agradeceu

Eu os toquei

Eu os presenciei

Eu os vivi

Só que eu tinha que sair dali

Para não assumir de vez

A desgraça da miséria humana

E trata-los novamente

Como se fossem apenas

Mulher e menino sujos

 

Não, nunca foram

Não são

E nem nunca serão

Mulheres e meninos sujos

Apenas estão sujos

E me tornaram humano

Limparam o meu coração

E me enchi e os enchi de esperança

Sei que não foi em vão.

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