Feito oxigênio,
Estás em minhas artérias,
És meu pulmão.
Saturação?
100%.

Feito oxigênio,
Estás em minhas artérias,
És meu pulmão.
Saturação?
100%.

Desejo que por mim fala
Que me deixa sem voz
Desejo que me consome
Que me fustiga a alma
Desejo que me faz derrubar paredes
Que me faz criar poças
Desejo que me vasculariza
Que me engrandece
Desejo que nunca me esquece
Que tem nome e dona
…
Vivo em estado de visceral desejo
É fato
Eu reconheço
Eu já sei
…
Desejo, desejo,
Beijo, vinho
Queijo, beijo
Explodi!

Repara nos meus olhos.
Não me denunciam?
O meu desejo que explode e inunda
Não faz de mim réu confesso?
Devo pedir perdão
Pelo que quero de novo?
…
A dureza dos meus dias
Só se aplaca em tuas entranhas,
E o gosto e o cheiro das tuas partes nuas
São a verve de todas as minhas fantasias.
…
Declaro-me orgulhosamente culpado
Por não ser na tua vida um santo:
Meu corpo pulsa e esguicha por ti
Verdades táteis e aromáticas
Todo santo dia.
Me negue teus beijos
Me puna por me amar
Reclame da tua vulnerabilidade
Da tua fragilidade
Do teu coração descompassado
Das tuas pernas trêmulas
Do teu desejo que tudo queima
Quando teus lábios
Encontram os meus
…
Me negue teus beijos:
Negue-se
O amor morre. Morre no silêncio. Não há sepultamento e muito menos atestado de óbito. Partes do cadáver ficam pelo chão.
O amor morre nas lonjuras. Não nas distâncias físicas mas nas psíquicas. Nas que só vivem quando há, quando existe amor.
Minha cabeça se apoia na coluna do bar ao lado de minha mesa. Finjo que saboreio a moça que me olha, enquanto gin que está na minha mesa esquenta. Finjo. Um, dois, três segundos… Minutos… Horas. Parece funcionar para a multidão que me olha em fúria: cadê aquela filha da puta que você ama?
Saco do fundo do baú aquele olhar sexy, aquele comentário picante. Ela quer me dar, mas ela não é ela. Ela não tem o gosto e o cheiro de quem eu quero que me afogue. Ela nunca teve do meu caralho a posse. No máximo um “válido por duas horas”. Nada mais.
Dou um trago no cigarro de um amigo. Lembro-me dela em minha cama. Tenho una ereção infinita. Só ela sabia fazer isso com minha pica. Gozar litros. O teto, a parede, o chão. Não vejo nada parecido com ela ao meu redor, e me lembro que ainda que eu não esteja só, dentro dela não estou.
A noite corre solta. Não saio daqui sozinho. Procuro o meu ninho. Aonde você está, cachorra? Me dá seu pescoço! Me deixa rouco de te ouvir gritar.

Queria que você me lesse em braille:
Há trechos com acentos para lá de agudos.

O travesseiro me chama para ti,
Para teus braços,
Teus abraços,
Teu corpo –
Descompasso! –
E eu ali só com a memória do teu cheiro,
Do teu gosto em minhas mãos.
De que adianta tudo aqui,
Se sem ti eu quase não existo?
Dou risadas falhas,
Conto piadas toscas,
Mas eu mesmo quero um único rosto
Em uma multidão de 10 bilhões!
Tu me pagas… Ah! Se me pagas!
O câmbio?
O mesmo de sempre:
Trocas entre nossos ventres,
Vinhos e beijos,
Queijos,
Desejos,
Ontem, amanhã,
Hoje,
Agora,
Aqui,
Onde for.

Vinho sem você não tem contexto.

As nossas “notas erradas” nada mais são do que oportunidades para reflexão, aprimoramento e crescimento.
Que as notas erradas em nossas vidas nunca nos façam perder a paixão por viver. ❤ ❤ ❤

E nas madrugadas
Nunca, nunca frias
Sentiam-se invisíveis e imunes
Protagonistas de seus próprios dias:
Nada, nada temiam
Pois o medo não lhes reconhecia.
E nas vielas quase escuras
Em retas e curvas
Seus corpos queimavam
E se consumiam
Sem nenhum pudor –
Puro resplendor –
Que em seus corpos flamejantes ardia.
Cegavam olhos curiosos
De pregadores –
Pecadores! –
Zelosos tentando manter ao longe
Aqueles que tinham a galhardia
De ser a soma fecunda e profunda
Do estarrecedor desejo que a eles consumia.
Tendo a Lua como única testemunha
Da sua luxúria e devassidão
Não se importavam
Em fazer ouvir aos outros
Os inúmeros
“Eu te amo”
Ditos entre suas peles e almas despidas.
