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Bruxas?

A mulher não pode ser feliz. Simplesmente não pode! Porque mulher feliz não é mulher: é “bruxa”.

A mulher, para ser reconhecida como mulher pela sociedade, precisa:

  • Ser completamente submissa ao homem.
  • Não pode emitir opiniões.
  • Não pode ter sonhos.
  • Precisa entender que o casamento é uma sentença, e que se o casamento der errado, a culpa será sempre dela.
  • Não pode ter desejos ou fantasias sexuais.
  • Precisa se submeter a todo tipo de perversão ou parafilia proposta pelo homem.
  • Pode ser traída e precisa respeitar a “natureza dos homens”.
  • Precisa sofrer calada a todo tipo de abuso físico, psicológico e financeiro.
  • Tem que ser mãe, cuidar da casa, fazer comida, lavar e passar.
  • Precisa estar sempre limpa e arrumada.

Enfim… Precisa ser uma escrava por ter nascido mulher.

Agora eu entendo porque caçavam as “bruxas”. Masculinidade frágil, tóxica. Foi e é assim desde sempre, e a grande verdade é que eu sempre achei as “bruxas” mais atraentes. Sim… As mesmas que a Rita Lee (salve!!!) chamava de “ovelhas negras”. 🙂

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Desassossego

Às vezes –

Todas as vezes! –

Sinto que a vida pode me lanhar.

Não tenho medo,

Porque é só no desassossego,

Nos limites do desejo,

Que sou –

E QUERO! –

Estar.

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A coisa mais linda

De todas as coisas lindas da vida –
E na vida não faltam coisas lindas –
A vida é sempre das coisas a mais linda.

Ora feliz, ora triste
Ora crente, ora descrente
Tudo permanece, tudo existe
Tudo permeia, tudo insiste
Tudo é porque é
Tudo é vivo
Tudo pulsa
Tudo.

Tenho medo de perder a vida
Não porque tenho medo da morte,
Mas porque há muita sorte
Em se poder ter a vida.

Que os sorrisos invadam!
Que as lágrimas corram soltas!
Pois tudo é parte das coisas lindas
E do privilégio que é poder achar que são lindas
As coisa mais lindas que são a própria vida.

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Um estranho me sorriu

Hoje, um estranho me sorriu. Ele não me pediu nada. Não queria nada. Simplesmente sorriu porque o deixei passar na minha frente durante uma caminhada pelas ruas do bairro. Ele não sabia disso, mas eu precisava daquele sorriso. Eu também não sabia, mas senti algo muito positivo quando vi seu sorriso. Uma espécie de injeção de ânimo. Difícil de explicar.

E durante o resto de minha caminhada, segui sorrindo. Sorri para homens e mulheres. As mais novas eventualmente pensaram que minha simpatia era alguma espécie de cantada. As mais velhas, sorriam de volta. Os homens, não sabiam ao certo se eu era gay, maluco ou estava simplesmente feliz. De qualquer forma, o meu sorriso causou sensações nas pessoas, e era exatamente isso que eu queria.

Esperamos muito da vida. Compreensão, carinho e compaixão (entre outras coisas), mas muitas vezes nos esquecemos de dar justamente o que nos faz falta. Quanto me custou sorrir? Será que não fiz por alguma pessoa o mesmo que o estranho fez por mim?

Por via das dúvidas, vou continuar sorrindo. Espero que a vida também continue a sorrir para mim.

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Não querendo, não pude

Se querer é poder, quem não quer, não pode.

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Ávida vida

A culpa nunca é minha

É da vida

Não é das escolhas que fiz

Ou das que não fiz

É da vida

 

Não trabalho com o que gosto?

É a vida

Deixei passar meu grande amor?

É a vida

Estou fora de forma?

É a vida

 

E de fato a vida não se importa

Com o que penso dela

Do que a culpo

Porque ela é, de fato e de direito

A vida

 

Tão poderosa, maleável

Ao ponto de ser o que eu quero

O que eu permito que ela seja

Mesmo que eu só me dê conta disso

Quando estiver perto do fim

Ou bem longe do começo

 

E nesse darradeiro momento

Creio que não me servirá de consolo

Ou amenizará meu sofrimento

Culpar a vida pela vida

Que não vivi.

 

Foi-se

Perdeu-se

A culpa toda é só minha

Faltou avidez

Na minha vida.

a-vida-e-de-quem