A tolice de quem de fato não compreende os poetas é acreditar que a leniência destes é um modo de vida, e não algo que se extingue de forma feroz e abrupta na ponta de uma caneta qualquer.

A tolice de quem de fato não compreende os poetas é acreditar que a leniência destes é um modo de vida, e não algo que se extingue de forma feroz e abrupta na ponta de uma caneta qualquer.

Queria eu que fosse só bobagem
Queria eu que fosse só capricho
Queria eu que fosse só orgulho
Queria eu que fosse só poesia
Queria eu que fosse só barulho
Queria eu que não fosse
Só amor.

E de repente
Sem querer se sente
Que só há espaço na mente
Para qualquer dia quente
Onde haja somente
Você e eu
E que isso não fique para semente
Mesmo nesse mundo discrente
O amor não está ausente!
Há felicidade dormente
Futuro, passado, presente
Você e eu.

Meu amor hoje são cacos
De um coração
Que espatifou-se
Enquanto procurava
Alguma explicação –
Ainda que mentirosa –
Para tal situação
Entregou-se
Dedicou-se
Declarou-se
Perdeu-se
Calou-se
E como era prolixo
Talvez visto como lixo
Cansou-se
Espatifou-se
E ainda há quem reclame dos cacos
“Por que não fostes te matar
Em outro lugar?”
Peço desculpas
Não era essa intenção
Era só um coração
Que como eu bem disse
Espatifou-se
Não haverá sepultamento
Missa de corpo presente
Porque dele mesmo
Já estava ausente
Discrente
Doente
E mesmo sem querer
Foi-se
Dessa para melhor
Espatifou-se
A ironia
É que ressuscitou
Ao terceiro dia!
Coração lazarento
Fez dos cacos poesia
Espatifou-se
Mas voltou mais doce
Como se nunca tivesse
Morrido um dia.

Há dias em que adio
E tenho medo…
E ainda assim
Mais do que desejo
Sabes que tenho fé
E se não for só um café?
E se forem ruídos
E gemidos
Corpos ardentes
Despidos
Chama que me chama
Almas que se encontram
Que fazem sentido?
Insisto!
E se não for só um café?
E se for tiramisu
Lambido sobre seu corpo nu?
Diante de seus olhos e cabelos
Os motivos de todos
Os meus infinitos desesperos
E se também for doce
O que transborda do seu corpo
E me lambuza como se fosse –
Como de fato é –
O melhor que a vida já me trouxe?
Desisto!
Que não seja só um café!
Que seja como Deus quiser
Que no meio do espresso
Seja por nós dois espresso
O inconfesso
O incontroverso
Nosso direito de ter
E de ser
Nosso próprio
E incontido
Universo
Almas unidas por um café
Amor
Paixão
Ou simplesmente
Naturalmente
E absurdamente
Vulgar sexo.

Sempre achei que a vida fosse
O oposto da morte
Não a vejo mais assim
A vida é apenas o que antecede
E como não sabemos
O que a sucede
Melhor aproveitar como der
Como vier
Vivendo de forma incerta
Na certeza inabalável da
Morte.

Deixo-te como herança
O meu sorriso
Ei-lo como na chegada
Este da despedida
O coração?
Não te preocupes
Apesar de não estar bem
Já há disgnóstico:
Ausência total de toda sorte
Também conhecida como
Morte.

Não me destrates!
Trates de me tratar bem
Para que o trato
De eu sempre te dar um trato
Não trate de reles distrato
Sem nenhum ato
Fato
Ou artefato.

Diga-me quem és
Porque bem sei quem sou
Tenho todos os defeitos típicos
De quem se apaixonou
Não há sentimento de sua parte
Essa parte eu até entendo
Mas por que dizes ser imperfeito
O amor pelo amor que estou tendo?
Deixe-me amar, me apaixonar!
Faço disso disso tudo bom proveito
Não imaginas o que sinto ao acordar
E bradar: Deus, sou imperfeito!
O amor e a paixão são assim
Realizam-se na imperfeição
Não devem explicações a meu cérebro
Somente a meu pulsante e esfuziante coração.
