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Quando o amor vacila – por Antonio Bivar

Eu sei que atrás deste universo de aparências,
Das diferenças todas,
A esperança é preservada.

Nas xícaras sujas de ontem
O café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
E dela não me conformo.

Eu acredito em tudo,
Mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas,
Pelo teu corpo marcado,
Pelas tuas cicatrizes,
Pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos,
Mesmo que por causa delas
Eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo teu jogo triste.

As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.

Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si,
Eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
Se a maré das circunstâncias
Não tivesse te banhado
Nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais
E na vida sem tempo, quando,
Sozinha, bordo mais uma toalha
De fim de semana.

Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.

Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
E pelos teus sonhos inúteis.

Amo teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelo que se repete
E que nunca é igual.

Eu te amo pelas tuas entradas,
Saídas e bandeiras.

Eu te amo desde os teus pés
Até o que te escapa.

Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
Ainda que seja através delas
Que eu me defenda,
Quando digo que te amo
Mais que o silêncio dos momentos difíceis,
Quando o próprio amor
Vacila.

Antonio Bivar
Extraído do Programa de Espetáculo do Drama – Luz da Noite – 1973

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P.S. 14

Eu desisti de entender e resolvi só aceitar.

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No tempo certo

Eu cheguei tarde demais até você, porque a vida estava me forjando, me moldando, aparando minhas arestas, tirando faíscas de mim. Demorou um tempo, mas tinha que ser assim. Eu não estava pronto. Agora, sinto que estou.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu tive que aprender como é viver em um mundo de promessas que nunca são cumpridas. Eu estava aprendendo como não se deve fazer e como se sente quem vê morrer as suas expectativas com mentiras à queima-roupa. Eu precisava aprender para jamais repetir isso.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu tive que entender que a beleza que vem de dentro é muito mais importante do que a de fora. Que o tempo que castiga o corpo é o mesmo tempo que matura e floresce a alma. Que a inteligência e a fluência verbal são qualidades inebriantes. Que a integridade e a leveza da essência são afrodisíacas. Eu precisava ter isso muito claro, transparente dentro de mim. E assim foi.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu estava aprendendo que sexo sem amor e sem intimidade não faz sentido, e que preliminares são as conversas do dia a dia, o companheirismo, o afago, a cumplicidade, o carinho, a presença e que o resultado disso tudo é o tesão, é o sexo. Hoje, eu sei e sinto que precisa ser assim.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu precisava entender que lealdade é condição sine qua non para um relacionamento dar certo. Que a traição, ainda que não descoberta, é o fim de um relacionamento, e que ama de verdade é absolutamente incapaz de trair.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu precisava viver cheio de dinheiro no bolso, perder quase tudo e reconstruir minha vida do zero, para então dar valor ao que de fato importa. Eu precisei perder o que não tinha valor algum para dar valor ao que realmente tem. Sim, estou falando do amor. Dinheiro é meio e não fim.

Eu cheguei tarde demais até você, porque eu precisava entender o que é o amor. O que é amar e ser amado. O quão sublime e verdadeiro é amar por atos muito mais do que por palavras. O que é amar pelo prazer de amar, e amar na certeza de que o amor pode e deve ser infinito na medida em que permaneça recíproco, alimentado por ambos dia após dia.

Eu cheguei tarde demais até você e tudo que eu tenho para oferecer são promessas repetidas, bordões e clichês, que já foram ditos por outros antes de mim.

Eu cheguei tarde demais até você, mas eu cheguei. Perceba minha chegada com todos os seus sentidos. Me sinta! Eu demorei, porque apesar de eu esfar me preparando para você, de alguma forma, você também estava se preparando para mim.

Eu não cheguei tarde e nem você. Tenha certeza disso.

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Dia dos Namorados – 2021

Essa semana, conversei com uma amiga sobre o relacionamento dela com o namorado. Ele está apaixonadíssima, mas cheia de medos, que se traduzem em milhares de “e se…”.

Vejam que curioso. Uma mulher lindíssima (por dentro e por fora), namorando um cara que visivelmente gosta dela, e ela cheia de receios por conta do que aconteceu em relacionamentos anteriores.

Sim, a referência dela é o que aconteceu com ela em outros relacionamentos. Por isso, vive cheia de dúvidas, muito embora esteja vivendo o melhor momento da sua vida amorosa.

O meu conselho foi simples: ou pisa no freio de uma vez, ou pisa no acelerador até o fundo. Não acredito que um relacionamento possa dar certo em marcha lenta. Não mesmo. Ela entendeu o que eu disse e me parece que vai pisar no acelerador. Eu fiquei feliz com isso. Ela merece. Aliás, todo mundo merece um grande amor, daqueles imensos e inesquecíveis!

Então, no dia de hoje, quero convidar aos que se amam para pisarem no acelerador com vontade! Pode não dar certo? É claro que pode. Mas e se der certo? E se for para dar certo? Vale o risco. Podem estar certos disso. O amor agradece.

Feliz Dia dos Namorados para todos, inclusive os solteiros. Sim… Inclusive para os solteiros. Pise no acelerador da sua solteirice. Numa dessas, quem sabe? 🙂

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Simplicidade

É bem simples, meu amor:

Fique nua.

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P.S. 13

Você me toca de uma forma que eu nunca havia sido tocado.

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Praia de Camboinhas

Fica em Niterói, cidade do Estado do Rio de Janeiro, terra onde eu nasci. Leva esse nome por conta de um navio cargueiro que encalhou na praia. Maiores detalhes aqui.

Mas nem é esse o motivo desse post. Há tempos que eu não ia nessa praia, e no final de semana passado tive a chance de matar as saudades. Foi um reencontro, digamos assim. Deus me brindou com um dia lindo, que foi registrado em uma fotografia que mais parece uma pintura.

Ao fundo, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor vistos de fora da Baía de Guanabara, de um ângulo pouco conhecido pelos cariocas (tecnicamente, niteroienses não são cariocas – são fluminenses). Aliás, dizem que a melhor coisa de Niterói é a vista para a cidade do Rio de Janeiro. Eu não concordo, mas também não discordo… Há como discordar vendo essa fotografia?

Era só isso mesmo. E na vitrola, não poderia ser outra música…

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Atormenta

Repousa teus lábios nos lábios meus

E me deixa ver teu infinito.

Mostra os mares que são só teus

E as profundezas que eu agito.

Confessa os desejos que não são só meus

E admita que são infinitos.

Recebe teus mares com os mares meus:

Cala a minha boca, sente meus gritos.

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Contrastas

Impossível não arfar

Com o contraste de tua pele

Nas peças de renda branca.

Nem que me peças,

Deixo-te em paz.

Vestida assim,

Bandeira branca

Contigo?

Jamais!

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Pegadas no céu

Eu até me via
Do teu lado no altar
Agradecendo a Deus por tudo
Indo de encontro ao mundo
Sem precisar sair do lugar

E os meus versos repetidos
Repeti-los-ia todos os dias
Porque não eram só versos
Eram orações e preces
Agradecimentos e euforias

Havia verdade nos fartos goles
Paixão nas inesquecíveis garfadas
Desejos confessos com os olhos
Declarações em todos os gestos
Afagos entre almas apaixonadas

E nas areias vida afora
Nas pegadas que deixamos no céu
Conversas que transbordam a memória
Muitas, todas inesquecíveis histórias
De um amor que foi tudo, menos vão.