Áspera
À espera
A vida
Quem me dera
Ter-te aqui
Agora
Afinal
Seja como for
Sempre antes
Nunca depois.

Áspera
À espera
A vida
Quem me dera
Ter-te aqui
Agora
Afinal
Seja como for
Sempre antes
Nunca depois.

Uma pergunta… Só uma pergunta:

Eu digo que não!


Sou um náufrago
Tu és meu mar
Estou a tua inteira mercê
Que tudo decidas para onde me levar
Seja longe ou perto
O destino já é incerto
Sobreviver já seria muito
Viver, então, algo fortuito
Não me resta mais nem esperança
Esta é sempre a primeira que morre
Peço que sejas amável, porém
Enquanto sangue dentro de mim ainda corre
Mas estarei feliz
Se dessa vida eu me for
Partirei deliberadamente afogado
Inundado pelo teu amor.

Segunda-feira não é dia de reclamar
Sexta-feira não é dia de se entusiasmar
O que vale é o todo dia
O encontrar na rotina
Mil maneiras de ser e viver feliz
Porque felicidade não é coisa que dá e passa.

Seu cônjuge gosta de falar palavrão?
Fale também! Por que não?
Seu cônjuge acorda cedo?
Acorde cedo também! Por que não?
Seu cônjuge não come carne?
Não coma carne também! Por que não?
Seu cônjuge não bebe?
Não beba também! Por que não?
Seu cônjuge não tem religião?
Esqueça da sua também! Por que não?
Seu cônjuge não quer ter filhos?
Não os queira também! Por que não?
Seu cônjuge ama o PT?
Ame-o também! Por que não?
Quando A e B se conheceram, A comia carne e B não. Para se aproximar de B, A resolveu parar de comer carne também. Não parou por convicção, por conta de querer proteger os animais ou por achar que faria bem para a saúde. Parou simplesmente para agradar B.
Eu poderia listar um número quase infinito de concessões, em pequeno ou maior grau, que muitos cônjuges fazem para agradar o outro, mas creio que essa lista já é suficiente para ilustrar o meu ponto.

Quando A e B se apaixonaram, A e B eram pessoas diferentes. Eram INDIVÍDUOS, e por detrás de indivíduos está o conceito de INDIVIDUALIDADE, que não pode ser perdido no casamento ou em uma união estável de qualquer natureza. Por que? Porque no longo prazo não funciona! Simples assim.
Notem que não estou falando de escolhas conscientes e acordadas entre os dois: não vamos viajar esse ano, porque nosso objetivo é ter uma casa própria. Por detrás de uma escolha consciente, o conceio de indivíduo e individualidade permanecem intactos.
Os exemplos que citei, que em um primeiro momento parecem inofensivos, ao longo do tempo fazem com que o indivíduo perca a sua individualidade, e se torne igual ou muito similar ao outro. Muito bom, não é mesmo? NÃO! Isso é absolutamente terrível! Por que? Porque A e B se apaixonaram como indivíduos, e quando essa individualidade se acaba, pode ser que a própria relação se acabe. O motivo é simples: no intuito de agradar ao outro, o que primeiramente uniu o casal simplesmente deixou de existir. A individualidade é um dos princípios de qualquer relação.
Há três possíveis fins para relacionamentos desse tipo:
1) A e B, quer seja por questões morais que lhes foram passadas ou por qualquer outro motivo, vivem uma vida bem abaixo de sua plenitude. Se confrontados, dirão que fazem isso por suas famílias. Perderam por completo a noção do EU. No fundo, se sentem frustrados de maneira que não conseguem explicar. Culpam o destino, karma, conjunturas políticas e econômicas, etc. Se esqueceram tanto do EU que são incapazes de olhar para dentro!
2) Seguindo o exemplo da carne, A fez todos os tipos de concessão para B no sentido de “ser aceito”, “evitar brigas”, etc. A deixou de ser EU, e portanto esqueceu-se de sua própria felicidade e vontades. E para surpresa de A, B um dia chega para A e diz: “Acabou! Não reconheço mais você! Você não é a pessoa pela qual me apaixonei!” Vira as costas e vai embora. E A, depois de 10 anos ou mais de concessões, sente-se completamente perdido, sem saber o que fazer da vida, e culpando-se por não ter feito mais para que B não fosse embora. Percebem o caso clássico do feitiço virando contra o feiticeiro? Deixando de lado o julgamento do mérito da ruptura, fato é que A vai precisar reencontrar o próprio EU, e enquanto este não for encontrado, viverá relações destrutivas de todos os tipos.
3) Tamém seguindo o exemplo da carne, A fez todos os tipos de concessão para B no sentido de “ser aceito”, “evitar brigas”, etc. A deixou de ser EU, e portanto esqueceu-se de sua própria felicidade e vontades. Entretanto, diferentemente do que foi citado acima, A começa a perceber que deixou de ser EU e angustia-se. Começa a perceber que anulou-se durante anos por conta de um alguém que muitas vezes sequer reconheceu seu valor. Sobe-lhe um sopro de vida que assusta e que é ao mesmo tempo irresistível. E então, A resolve recuperar o tempo perdido, e muitas vezes vê em B o seu algoz, muito embora a responsabilidade sobre sua felicidade seja inteiramente sua. “B, estou indo embora. Eu me anulei por sua conta. Preciso viver!” E B, possivelmente, não vai entender do que se trata. “Como assim? A tem vontades? Devem ser os amigos ou a terapeuta que estão gerando influências negativas! Talvez seja maluca!” Tanto faz… Como o mundo girava no entorno de B, B é incapaz de perceber o que aconteceu com A. B é incapaz de perceber que A também precisava de seu EU.
Notem que essas relações são destrutivas. Quem conscientemente faria escolhas desse tipo? Entretanto, escolhas desse tipo são feitas TODOS OS DIAS, e muitas vezes percebidas apenas depois de longos e penosos anos.
Convido a todos que reflitam sobre suas vidas e sobre suas relações. Somos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade, e com certeza há no mundo pessoas que nos aceitam com todas as nossas qualidades e defeitos. Há pessoas que amam o EU do outro e que desejarão viver eternamente ao lado dele.
Sejamos felizes e plenos!
Não fosse por você
Eu seria bem mais feliz
Não fosse por você
Eu jamais saberia o quão pequeno
Era o meu conceito de felicidade.
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Toda vez que ouço a palavra racionalidade, por um motivo ou por outro, imagino um filhote de pássaro na beira do ninho, prestes a voar pela primeira vez. O filhote não sabe o que é gravidade, muito embora sinta os efeitos dela. Seu instinto de sobrevivência o faz respeitar a altura, mas isso não o impede de tentar. É fato que alguns caem na primeira tentativa e alguns talvez até morram tentando, mas esse é seu instinto. Os pássaros precisam voar. Eles sabem disso. Não fogem e não hesitam. Eles simplesmente vão.
Tento trazer essa analogia para o nosso mundo de alguma forma, e confesso que encontro todo o tipo de dificuldade. Imagino como seria no ninho se os filhotes fossem racionais:
“Minhas penas estão bonitas?”
“Eu até queria voar, mas eu me recuso a seguir os padrões impostos pelos meus pais, pela natueza.”
“Tá maluco? Acha que vou me atirar dessa altura sem participar de algum treinamento adequado?”
Somos assim. Somos racionais. E por mais que isso tenha feito de nós a espécie que subjugou todas as outras no planeta Terra, essa mesma racionalidade nos tráz um monte de limitações. A principal delas é a que precisamos ser socialmente aceitos. Somos seres sociais. E para isso, precisamos encontrar alguma caixinha, algum rótulo que possamos utilizar para conviver com outras pessoas. Racionalmente falando, somos irracionais ao ponto de acreditarmos que o que os outros fizeram antes de nós é perfeito e ideal para nos definir enquando indivíduos. Incrível, não?
Poucos, de fato, são aqueles que vieram ao mundo com a coragem de desafiar a sua própria racionalidade. Em geral, são conhecidos como loucos:
“Você tinha um emprego tão bom! Por que saiu?”
“Se eu fosse você, não faria Biologia Marinha. Onde você vai trabalhar com isso?”
“Você precisa se casar. Já passou da idade.”
Somos bombardeados por frases desse tipo durante toda a nossa vida. Essas mensagens são emitidas por quem nos ama, por quem nos odeia, por quem sabe do que está falando, por quem não sabe do que está falando, e pior ainda: por nós mesmos. Precisamos entrar dentro de uma caixinha socialmente definida para recebermos a chancela de indivíduos padrão.
E dessa maneira, ignorando que o mundo pode nos oferecer muito mais do que caixinhas, nos dizemos felizes. Não podemos ou mesmo sequer ousamos ouvir o que nosso coração tem a dizer sobre nossa vida. Temos que ser racionais, claro. Irracionalmente racionais.
Há uma sequência de frases que ilustra perfeitamente o que quero dizer:
É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver.
A autoria (não confirmada) dessas frases é de Martin Luther King.
Eu aprendi que viver fora da caixinha dá medo, mas também aprendi que a verdadeira felicidade pode estar fora dela. Largar um emprego para tentar algo que nunca fiz na vida? Por que não? Mudar-me para um lugar diferente? Por que não? Sentir algo diferente? Por que não? Não vai ser o meu medo que vai me definir enquanto pessoa, e muito menos o que a sociedade espera que eu seja. Eu preciso voar e nada nem ninguém vai me impedir de fazer isso. O limite superior da minha felicidade é infinito, e a responsabilidade sobre a minha felicidade é única e exclusivamente minha.
E você? Está preparado para o seu primeiro ou próximo vôo? Que seja irracional, talvez. Siga seus instintos. Experimente novos níveis de consciência. Conheça-se. Explore-se. Descubra sua essência. Seja você mesmo. Visto de cima, o mundo é muito, muito maior.

A grande maioria das atitudes das pessoas passa pela crença de que, para serem aceitas, precisam seguir algum tipo de padrão ou ordem. E quando assim não o fazem, estão fadadas à desgraça, ao desprezo, ao esquecimento. Sim, estão.
O mundo em que vivemos não está preparado para a autenticidade. As pessoas perguntam por perguntar, fazem por fazer, casam por casar, e assim por diante. E assim, em meio ao politicamente correto, vivem, ainda que eu ache que isso não seja viver.
Mas de que adianta viver do jeito que eu acho? Portas serão fechadas. Empregos serão perdidos. Amizades serão desfeitas. Amores se esfacelarão. Sobrarão a dor, a desilusão. Sobrará o que cabe ao autêntico: o último passo antes do abismo.
Nunca espere nada de ninguém. Nunca espere nada! Seja apenas um repetidor. Aprenda com quem faz, seja lá quem for, e exaustivamente repita. Copie; não invente. Chame a cópia de sua obra-prima. Não tenha valor. Venda-se. Foda-se. E no mundo em que vivemos, seja feliz. Muito mais feliz que eu.
Não seja você jamais! Lembre-se disso! Essa é a regra número 1 dos novos tempos. Caso contrário, você será julgado e considerado culpado por crimes que sequer sabia que existia. Será abandonado, largado, relegado ao esquecimento. Sendo autêntico, irá interagir com outro somente diante de um espelho, espelho este que é sua vida, sendo o outro você mesmo.
Não creia que se trata de um conselho errado. Você jamais terá depressão ou achará que vive em um mundo de valores invertidos. Vai ser feliz, eu garanto! Não vai ser mal interpretado jamais, e todas as glórias serão suas. O coletivo será seu. O mundo também. Todos estarão a seus pés. Todos beijarão suas mãos.
E se portas se fecharem diante de você, lembre-se: você está errando de alguma forma. Está sendo você demais. Precisa corrigir isso. Vá ser feliz! Seja o que esperam que você seja e nada mais que isso. Seja humano ou bicho. Tanto faz. Só não seja você.
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Sim, é isso que eu penso de toda essa felicidade aparente que transborda nesse mundo artificial. Se o que me restar for apenas meu espelho, que fique claro que todas os ciclos e portas que se fecharam, de uma forma ou de outra, me fizeram ser o que sou. Diferente, inconformado, preocupado, grato, sincero, ingênuo, prudente, nunca ausente, nunca omisso. Ser assim nos dias de hoje é difícil, e é esse difícil que me faz feliz.