Avatar de Desconhecido

Partituramente

Durante um ano inteiro

Executamos a nossa música

 

Lembra?

 

Mais ou menos assim:

Eu te amo

Água na boca

Delícia

Saudades

Gemidos

Voz rouca

Cheiro, calor, sabor, comichão, sufoco

Só para economizar reticências!

 

Transcrita

Minha partitura

Minha mais essencial

E atemporal

Essência

 

Ao longe

A melodia

O ritmo

A harmonia

O clássico

O meio sem jeito

Mas acima de tudo

Pretérito

Presente

Futuro

Muito mais do que perfeito.

corpo

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Só um instante

Lembra daquela fração de segundo

Daquele momento acordante?

 

Lembra do que aconteceu

E do que éramos antes?

 

Veja agora o que somos…

Bastou só um instante

Para gerar busca eterna

Vontade quase que incapacitante

Inquietante

Gritante

Comichão alucinante!

 

Bastou só um instante

Um eterno

Um indestrutível

Um incurável

Um indestrutível

Um inesquecível

Um insubstituível

Instante.

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Só um café?

Há dias em que adio

E tenho medo…

E ainda assim

Mais do que desejo

Sabes que tenho fé

E se não for só um café?

E se forem ruídos

E gemidos

Corpos ardentes

Despidos

Chama que me chama

Almas que se encontram

Que fazem sentido?

Insisto!

E se não for só um café?

E se for tiramisu

Lambido sobre seu corpo nu?

Diante de seus olhos e cabelos

Os motivos de todos

Os meus infinitos desesperos

E se também for doce

O que transborda do seu corpo

E me lambuza como se fosse –

Como de fato é –

O melhor que a vida já me trouxe?

Desisto!

Que não seja só um café!

Que seja como Deus quiser

Que no meio do espresso

Seja por nós dois espresso

O inconfesso

O incontroverso

Nosso direito de ter

E de ser

Nosso próprio

E incontido

Universo

Almas unidas por um café

Amor

Paixão

Ou simplesmente

Naturalmente

E absurdamente

Vulgar sexo.

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Unhas vermelhas

Seriam só unhas

Se não fossem tuas

Tais navalhas divinais

Sobrenaturais

Surreais

Animais

 

Das tuas garras sou presa

Prato principal e sobremesa

De banquete que nunca acaba

De onde sempre se espera

E se quer mais

Sempre muito

Muito além do mais

 

Tal cor é conveniente

Pois é também da cor

Vermelha

E não por acaso se assemelha

À cor do sangue

Que jorra aos borbotões

Enquanto repousamos na cama

Nossos frenéticos

Pulsantes

Ululantes

Urrantes

Alucinantes

Corações

 

Unhas vermelhas

Eram só unhas

Mas como são tuas

Tinham que ser vermelhas

Pois tu bem sabes

Que do amor sou daltônico

Não vejo perigo

Só paixão e devassidão

Seria eu anacrônico?

nails

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Imperfeitamente perfeito

Diga-me quem és

Porque bem sei quem sou

Tenho todos os defeitos típicos

De quem se apaixonou

 

Não há sentimento de sua parte

Essa parte eu até entendo

Mas por que dizes ser imperfeito

O amor pelo amor que estou tendo?

 

Deixe-me amar, me apaixonar!

Faço disso disso tudo bom proveito

Não imaginas o que sinto ao acordar

E bradar: Deus, sou imperfeito!

 

O amor e a paixão são assim

Realizam-se na imperfeição

Não devem explicações a meu cérebro

Somente a meu pulsante e esfuziante coração.

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Mero acidente

Cada coisa a seu tempo

Nas caminhadas

Ar em movimento

Um sorriso matreiro

Que fareja o melhor momento

 

Feito cão de caça

Olhos fixos na presa

Que refuga, disfarça

Enquanto ajeita seus cabelos

Égua da mais pura raça

 

E no esbarrão criminoso

Mãos que agarram pela cintura

E em tom vulgarmente jocoso

Trocam palavras absurdas

Com conteúdo para lá de apetitoso

 

E enquanto escondem o que sentem

Acreditam em quase tudo

Que suas bocas propositalmente mentem

Querem apenas gastar o tempo

Para fazerem o que quer que pensem

 

E somem pela madrugada

Vagando pelo mundo cinzento

Silhuetas que aos outros não dizem nada

Mas que sabem da noite que os espera:

Suntuosa, impetuosa e depravada.

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Você está aqui

Vejo o sol nascer quadrado

Mas não estou preso

Já meu coração…

 

Não há habeas corpus

Fuga ou rebelião

Que o livrem desta prisão

 

Carece de grades

De motivo ou razão

É involuntária tal situação

 

O crime praticado?

Amar feito um condenado

E para isso não há perdão.

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Silhueta

Há vários tipos de mulheres

E gosto de todos eles

Na prática, tanto faz

Desde que seja você.

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Sincronicidade

Eu estive nas entranhas do seu corpo

Quis o destino que nossos sonhos

De carne e osso

Se materializassem

E criassem esse grande colosso

 

Do que falo?

Repare no seu corpo enquanto falo

Repare no meu corpo enquanto falo

Não é controlável

Não é domável

É selvageria de dar gosto

 

Como é quando se lembra de mim

E não estou por perto?

Eu sei… Parece loucura

Mas essa sincronicidade

Sem limites

É brutalmente real

Como dentro, assim fora

Assim aflora

Ora lógica difusa

Ora lógica nítida

Ora réu que a todos acusa

 

No lugar de nossos arquétipos

Desejos e sonhos reais

Manifestação de seres racionais

Que descobriram que o descoberto

Não era suficiente, pelo contrário

Os deixava inquietos, boquiabertos

Deliciosamente incertos

Na busca do que transcende ao eu

E os sublima em nós

Quando estamos a sós

Diante de nós mesmos

 

Quem é o comandante desta nau?

Entenda… Não há comando

Esse é o desafio

Estamos à mercê do vento

Eufemismo dos nossos pensamentos

Que se revelam em segredo

Quer seja no início do dia

Quer seja no meio da noite

Sabemos como desenrola-se tal enredo

 

Inapropriadamente perfeitos

Inadvertidamente direitos

Pura e perfeita confissão

Somos tempestade, raio e trovão

Desejo, amor e paixão

Existimos somente na nossa sanidade

Que faz questão absoluta de emergir

Para nos mostrar que nunca

Absolutamente nunca

É tarde para existir.

sincronicidade

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Poliglotismo

Nem de longe

E muito menos de perto

Digo as palavras certas

E isso não quer dizer

Que eu não sinta ou esteja certo

 

Eu até conheço algumas palavras –

Não todas, obviamente –

Mas o problema não sou eu…

Meu coração fala uma língua que é só dele

E só quem o entende é o teu

 

Portanto, não me escutes com teus ouvidos

É prudente usarmos apenas o coração

Para que tudo adquira inequívoco motivo

E que guardemos os nossos cinco sentidos

Para nossas noites de amor e inclemente paixão.

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