Avatar de Desconhecido

Sem demora

me conta mais de você
me fala dos seus planos
para os próximos 15 minutos
para os próximos 30 anos

mas por ora só o agora
onde nada planejamos
vamos inundar lençóis
onde nunca naufragamos

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Guarda-me

Guarda-me dentro de ti

Porque é só dentro de ti

Que eu (r)ex(s)isto.

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Orvalho

Vapor de água que se condensa

E escorre por entre tuas pernas.

Todos os dias tu me orvalhas;

Todos os dias eu me hidrato;

Todos os dias és um fato;

Um oásis que me inunda e se esbarra

Em tudo que de mais sacro há em mim.

Minha seiva,

Meu tormento,

Meu alimento:

Bebo-te,

Trago-te,

Fodo-te…

Dia após dias,

Do início ao fim.

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Litros

Litros do corpo dela em minha boca.

Meus joelhos sangrando litros rente ao chão.

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Insuficiente

O de vez em quando

Nunca me foi suficiente.

Suficiente só me seria

O de uma vez

O diariamente

O cotidianamente

O constantemente

O literalmente

O deliberadamente

O veemente

O incrivelmente

O espontaneamente

O reciprocamente

O ridiculamente

E mais que tudo isso

O para sempre.

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P.S. 34

Ela diz para todos que sou o grande erro da sua vida, e ainda assim ela erra compulsivamente todas as sextas e todos os sábados (domingos a combinar) desde que nos conhecemos.

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O nada é o tudo

O amor não acaba de repente. Vai desaparecendo aos poucos, em câmera lenta, e não morre. Simplesmente deixa de existir. Se transforma em nada.

Você pensa em ligar, em mandar mensagens, mas como você sabe qual rumo a conversa irá tomar, dá preguiça. Vira para o lado e dorme.

Você vê uma foto que já disse muito e que já foi até a foto de fundo do seu celular, mas simplesmente a apaga. Não há porque mantê-la.

Você ouve aquela música, que era a música do casal, e não cai uma única lágrima. O peito não aperta. Nada de borboletas no estômago. A música não mais desnuda a tua alma. Por melhor que seja, vira só mais uma entre tantas de uma quase infinita playlist.

Você muda de assunto quando falam do passado. Não porque não goste de falar de algo que foi doloroso em tua vida, mas porque não há mais nada a ser dito. Você não quer mais a tua presença ou a tua imagem associada com quem ficou para trás.

Você sente aquele perfume antigo, que já te disse tanto, se tornar apenas mais um entre tantos. Se liga em novos cheiros, em novos gostos, em novas combinações, e fica animado com as possibilidades.

Você se deixa tocar por outra pessoa. Beija, abraça, fala de tesão, paixão, amor. Vai para a cama e não sente a sensação de estar traindo alguém. Está só vivendo e sendo feliz. Sem pressa. Sem desespero. É você com quem estiver com você e mais nada.

Você reencontra velhos amigos, marca 300 eventos, e em cada um deles se sente plenamente presente, integral. Esquece onde deixou o celular. E se termina a noite chorando, é porque bebeu demais e lembrou da tua falecida bisavó dando sermão no grupo de crianças chatas das quais você fazia parte.

Você se olha no espelho e se sente bem em tua companhia, tranquilo, em paz com a tua consciência e em paz com as tuas escolhas e lembranças. Está seguindo em frente sem olhar para trás.

Difícil escrever um texto sobre o que não mais existe. Ainda assim, este texto é sobre o nada, porque foi no nada que me encontrei e em seguida encontrei tudo.

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Em todo lugar

Já disse tantas vezes que te amo

E todas as vezes que disse que te amo

Foram pouco perto do meu querer.

E hoje, que não mais digo que te amo

Amo-te ao ponto de sequer precisar dizer que te amo

Posto que meu amor por ti está no canto dos bem-te-vis

Lá, ali e aqui.

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Lembro-me

Do teu perfume e da tua maquiagem sutil,

Da cor e do corte do teu cabelo,

Da gargantilha e do pingente,

Da cor das tuas unhas,

Dos anéis e dos dedos,

Das leveza das tuas mãos,

Da pulseira e da bolsa,

Da tua roupa e do teu salto,

Da tua cadeira e do teu sentar,

Da água e do vinho,

Da tua mão segurando a taça,

Do nosso brinde e de seus motivos,

Dos assuntos e das conversas,

Das palavras e das entonações,

Dos segredos e das confissões,

Dos sorrisos e das risadas.

Muitas risadas… Todas as risadas…

Do prato principal e da sobremesa,

Da vontade de te ter sobre a mesa,

Da vontade de rolar no chão.

Do motorista do Uber e do curto trajeto,

Das mãos entre as tuas pernas,

Da calcinha que desapareceu,

Dos teus braços me segurando diante do desafio que eram as pedras portuguesas,

Do boa noite para os porteiros,

Da falta de limites no lobby,

Da ânsia inequívoca do elevador,

Da chave magnética que o paraíso abria,

Da tua nudez de corpo e alma,

Da pressa absurda pelo abrigo e para o perigo,

Das almas de joelho,

Dos corpos no espelho,

Das roupas pelo chão,

Do prazer, do desespero, do gozo e da sofreguidão,

Do caos e da falta de limites,

Dos lençóis inutilizados,

Da tua cabeça no meu peito,

Dos teus e dos meus suspiros,

Da sensação de que ali estava tudo e que era só seguirmos em frente…

Quando me perguntam se eu já fui feliz um dia,

É deste dia que me lembro

E corrijo quem me pergunta:

Desde este dia,

Eu sei o que é ser feliz

E a felicidade

É tudo que de ti me lembra.

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Lisérgica

Por que toda vez que eu te lambo,

Por que toda vez que eu caio de boca em ti,

Eu nunca mais volto a ser o mesmo de antes,

De antes de você existir?

Percebes que eu naufrago em tuas águas?

Percebes que não me falta fôlego ou vontade?

Em ti e por ti eu sou o impossível!

Derrama-me!

Escorra-me!

Porque toda vez que de ti saio ou de ti me esvaio

Explodo-me na confidência de que só em ti e em ti sei explodir.

Exploda-me!

Foda-me!

Foda-me!

Ad infinitum…