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Hão de florir

Na estrada
Que leva ao nada
Encontrei-te
A seguir

Na estrada
Que leva ao nada
Encontrei-te
E precisei partir

É porque preciso
Chegar
Ser
E estar
E na estrada
Que leva ao nada
Não posso existir

Mas se quiseres
Chegar
Ser
E estar
Abandona a estrada –
A mesma que leva ao nada –
E outros caminhos hão de florir.

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Ciclo viciado

Não amo-te apenas quando estou ébrio:
Apenas me eviscero
Diante dos teus olhos
Quando estou

Sou assim

A culpa
É inteiramente tua:
Teus fluidos
É que me embebedam

Releia a poesia
Até nunca chegar ao fim.

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Assassinato

Mentir –
Olhando bem no fundo dos olhos
De quem lhe dá o fundo dos olhos
Para serem olhados –
Não é mentir:
É assassinar.

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Ônibus

Só preciso do que for atemporal.

O passageiro
Eu deixo no próximo ponto.

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Quanto vale um abraço?

A roupa nova
O carro importado
A viagem para a Europa
A próxima mansão pós moderna…

Ficou tudo para depois

Precisou um vírus
Parar o mundo
Para pararmos
Para ver
Que parados
Nada temos
E sequer
Conseguimos ser!

Só precisamos de um abraço
Um abraço…
Que nos devolva os laços
E o prazer de poder viver
Sem de quase nada precisar
E ao mesmo tempo –
De volta –
Nos ter.

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Meio besta

Eu te tinha
Não, tu não eras minha
Mas eras dona do meu coração

As risadas que dávamos juntos
A tua implicância
A tua maneira de me fazer rir…

Eu te achava linda…
Mas eu era imaturo e não entendia
Que eras bem mais do que aquecia meus sentidos

Hoje, só de reconhecer isso
Já sinto algum tipo de alívio:
Fazer as pazes com o passado é imperativo

O café está de pé
A churrascaria vegana também
E tudo mais o que quiseres

A vida apronta –
Ela não vem pronta –
E confesso:

Eu era meio besta.

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Beija-me

Beija-me
Com gosto de café
Beija-me não apenas com a boca
Beija-me com a alma
Beija-me com tudo –
Toda! –
Beija-me da cabeça até os pés.

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Vim trazer verdades 13

A maior covardia que existe é acusar um ser humano ou imputar a ele fatos e comportamentos percebidos como inadequados, e condena-lo sem dar a ele chance de ampla defesa. Quem assim procede por livre e espontânea vontade, o faz apenas para tentar justificar ou esconder os reais motivos do julgamento. Uma condenação sem direito a defesa é uma confissão das más intenções de quem julga. É um ato desesperado de pura e cruel covardia.

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Volta e meia

Perdão:
É aquilo que fui capaz de lhe dar
Sem você ter sido capaz de pedir

E fiz isso por mim:
Para que minhas memórias –
Nossas histórias –
Me invadam
E me façam sorrir
Coisa que volta e meia
Acontece
Sem querer
Ou pedir

Não
Eu não fui um erro
Não

Em silêncio
Pergunte de mim
Para o seu coração

Você sabe disso
E talvez justamente por isso
É que tenha tanto medo –
Tanto receio –
De sentir
E para si mesma pedir
Perdão

A vida segue
E o que é
Prossegue
Longe do toque
Dos dedos
Impresso na alma
E talvez
Mais vivo que nunca
Na negação

Volta e meia…
Volta e meia…
Volta e meia…

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Café com você

Quando tudo isso passar –
Seja lá o que tiver que passar –
A primeira coisa que vou querer
É tomar um café com você

E que seja com bolo de fubá
Cheio de erva doce
Para a gente aproveitar
Tudo que a gente sempre negou
Mas que a vida sempre quis que fosse.