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Exponencialmente

A dor

De se ver a dor

De quem se ama

Doendo

E nada poder fazer

Além de

Exponencialmente

Sentir dor

 

Descomunal

Desumana

A dor do amor

Mas eis que não há

Nunca houve

Nunca haverá

Amor sem dor.

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Estrela

Cai do céu

E deita aqui comigo

Vem aqui iluminar

Livra-me do perigo

 

Esquenta-me já

Coração nu a esperar

Por uma chance

De bater sem descompassar

 

A qualquer hora

Em qualquer lugar

O que fazer

Além do esperar?

 

Eu não sei

Como ir buscar

O que preciso

Para me acalentar

 

Estrela, seu sei

Precisa brilhar

E eu só quero

Sentir e ser o seu cintilar.

estrela-cadente

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Nas profundezas

Eis-me aqui no porto seguro de todas as naus: o fundo do mar.

Ah! Mar…

Sou um náufrago do amar.

naufragio

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Adormecido

Acordei mais cedo que meu sonho

E ele permaneceu em minha cama

Adormecido…

 

Talvez um dia acorde

Talvez não

Talvez acorde e ainda seja sonho

Talvez não.

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Martírio

As horas avançam

E a necessidade encrustrada desperta

E revela planos

Tramóias e enganos

Verdades incompletas

Que não escondem

A porta que deixas aberta

Em teu peito

Durante a noite

Onde me escondo

Deliciosas descobertas

 

E no teu sussurro desconexo

No teu gemido que sai rouco

Nas marcas que deixas em meu corpo

No teu vigor que me deixa louco

Entrego-me

Renego-me

Nossa unicidade plena

Não é doxa ou paradoxa

É teorema

 

E nessas sessões de tortura consensual

Reciprocidade arreganhada

Desavergonhada

Toques e retoques

Tudo pleonasticamente abissal

Fazemos-nos homem e mulher

E que seja feito o que o universo quiser

Desse fogo que nos rasga

Nos assa e amassa

Enquanto nos comemos à colher

 

E a manhã que chega úmida

Fronhas e lençóis

Que escorrem

E que nos fazem lembrar

Que não há melhor prazer na vida

Que por a roupa de cama para lavar.

20071004010020-sabanasblancas

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Efeito borboleta

Ouvi aquela música

Coloquei aquele perfume

Senti aquele cheiro

Fui naquele restaurante

Pedi aquela comida

Senti aquele gosto

Tomei aquele café

Vi aquele filme

Tomei aquele banho

Usei aquele sabonete

Folheei aquele livro

Pensei naquele assunto

Dormi daquele jeito

Sonhei aquele sonho

Sim…

Você sabe do que estou falando

Estava comigo para todos os efeitos

A saudade me faz replicar de longe

Todos os nossos cotidianos e banais feitos

Eu confesso! Eu confesso!

Meu maior e mais grave defeito

É deseja-la rotineiramente

No futuro do pretérito do presente perfeito

Nua…

Totalmente nua…

Batendo asas no meu leito.

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Quase me perco de mim

E me encontro

Quando te encontro

Em cada desejo

No safado gracejo

Que só a você faz rir

 

É automático

Sintomático

Intergalático

Nunca burocrático

O sorriso que brota

E que vai de porta em porta

Querendo se mostrar

Querendo fazer o mundo sorrir

 

É contagiante

Grande feito um elefante

Raro como diamante

Droga super alucinante

Que descobrimos juntos

E para qual não há antagonista

Que vicia e conquista

E faz parar o tempo

Nos nossos momentos

Atemporalmente únicos

 

Únicos…

 

Únicos…

 

Há temporais únicos.

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Um belo vestido

Um belo vestido

Uma bela festa

A melhor bebida

A melhor comida

 

Um coração rouco

De tanto gritar por socorro

Um coração morto

Apesar de ainda vivo

 

Esconda-se no perfume, na maquilagem

No sorriso plástico, no corpo perfeito

Esconda-se, não deixe que eu ache

Para que se desnude sem rodeios

 

E por fim, quando o cansaço chegar

Sozinha ou acompanhada

Em todo e qualquer lugar

Um nome e um amor que consome

Que chegou sem pressa e sem avisar

E sem permissão ou consentimento

Decidiu que vai ficar.

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Carpe Diem

Contratei uma carpideira

E ela se negou a chorar

Depois de ouvir minha desgraça

Disse que eu deveria me alegrar

 

Resultado?

 

Não paguei pelo serviço

E fomos tomar um chopp no bar

Rimos muito!

Há graça no sofrer sem necessitar.

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Ad infinitum

Podes negar minha presença

Mas não podes negar a falta que faço

Podes negar minha voz

Mas não o que eu te digo em silêncio

Podes negar meus beijos

Mas não o desejo que transborda de teu corpo

Podes negar o óbvio

Mas não o que obviamente sentes

 

Podes me negar todos os dias

Várias vezes ao dia

Podes fazer isso por semanas

Por meses, por anos

 

Tu podes tudo

Podes até escolher

Não seres feliz

Mas o tempo há de mostrar

Que tudo que fiz

Foi mostrar o que teu coração

Que pulsa descompassado

Escancaradamente diz

 

E quando a noite fechares os olhos

Sozinha ou acompanhada

Ouvirás o chamado que de ti emana

Angelical, não?

É tua alma

Que sempre

Ruidosa e desesperadamente

Me chama.

Me chama..

Me chama…

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