Não creias no meu não falar de amor.
Sufocado pela saudade,
Em silêncio,
Cada poro meu por ti grita.

Não creias no meu não falar de amor.
Sufocado pela saudade,
Em silêncio,
Cada poro meu por ti grita.

Nada madrugada,
Tudo cabe,
Tudo arde,
Tudo pulsa,
Certeza vira dúvida,
Dúvida vira silêncio.
.
Na madrugada,
Não há paz,
Não há lenitivo,
E tudo que é vivo
Ao vivo jaz,
Se faz de morto.
.
Na madrugada,
A febre piora –
A vida piora –
E o sangue jorra
Por sobre as memórias:
Beco sem saída.

Que revela belezas esquecidas
Nos vãos da vida,
Nos trilhos da eterna viagem.
De onde vejo a paisagem
Pintada por sorrisos,
Borrada por lágrimas,
Mas ainda assim paisagem:
Quadros e retratos que sinto
Com os olhos da minha alma
Completamente escancarada.
Há beleza em tudo,
E hoje sei que as maiores belezas,
Das infinitas belezas do mundo,
Delicadamente me calam.
E quando estou mudo
É que mais ainda eu falo,
Pois ouço-me abissalmente,
Nas palavras que eu calo.

No silêncio não há verdades ou mentiras.
É tudo subjetivo, opinativo,
E talvez por isso deveras mais dorido.
No silêncio tudo cabe.
Tudo é e não é
Em um piscar de olhos,
Nas memórias que carecem
De algum tipo de sentido ou explicação.
O silêncio cansa,
O silêncio machuca,
O silêncio ensurdece,
Ainda que não seja este o seu objetivo.
Pior do que isso é que sei
Que as respostas que procuro
Estão nestes silêncios
E dentro destes silêncios
Estou eu.

Na ausência de palavras articuladas,
No silêncio sepulcral que não é meu,
Mas que me invade e me domina,
Arde-me e consome-me,
Tudo cabe,
Tudo é,
Tudo existe.
Não tenho medo de silêncios,
Mas tenho pavor a tudo que eles dizem,
Porque nunca sei se o que eles dizem
É o que de fato estão a me dizer.
Silêncios não me matam,
Mas silêncios me torturam.
E eu permaneço em silêncio,
No opróbrio do nada ignorar,
E do nada, do absolutamente nada, –
Posto que o silêncio é o nada –
Nada saber.

Na dúvida, escolha o silêncio.

Eu sobreviverei a todo e qualquer silêncio que você me imponha
Porque por dentro de você eu sei que sou puro barulho.

Não fale com o coração
Para quem mal de tá ouvidos
Para quem não escuta
Para quem não tenta ou se ocupa
Em tentar entender
Em tentar sentir
Aquilo que vai muito além das palavras brutas
Até porque
Mesmo sem querer
Um dia o vocabulário do coração se acaba
E mudo
Ele se acostuma
E perde aquela necessidade:
Já não tem mais nada a dizer
E depois disso tudo
Ele se escuta
E recomeça
Lentamente
A bater.

Fiquei chato
Eu sei…
Repetitivo
Em busca de respostas
Tateando no escuro
Falando mais do que devia
Ouvindo o que não queria
Fiquei chato
Perdi o encanto
Virei pranto
Escondendo-me nos cantos
Nas sombras do que eu queria
Fiquei chato
Quando resolvi
Que precisava de certezas
Cartas sobre a mesa
Pés no chão
Fiquei chato
Quando quis materializar
Quando não quis só mais sonhar
Quando quis viver e ter
Quando quis simplesmente ser
Fiquei chato
Minhas palavras
De fato e nexo vazias
Buscando um sentido sentido
Nas palavras que você não dizia
Fiquei chato…
Mas como assim?
Amo – por você e por mim
Chato?
Não era e não sou assim.