Avatar de Desconhecido

Madrugada

Nada madrugada,

Tudo cabe,

Tudo arde,

Tudo pulsa,

Certeza vira dúvida,

Dúvida vira silêncio.

.

Na madrugada,

Não há paz,

Não há lenitivo,

E tudo que é vivo

Ao vivo jaz,

Se faz de morto.

.

Na madrugada,

A febre piora –

A vida piora –

E o sangue jorra

Por sobre as memórias:

Beco sem saída.

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Sussurrando…

Foi no silêncio que tudo aconteceu.

Longe das câmeras e dos flashes.

Ninguém viu, ninguém comentou,

E ficou.

Falou mais alto

O sussurro do amor.

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Sol de Outono

Que revela belezas esquecidas

Nos vãos da vida,

Nos trilhos da eterna viagem.

De onde vejo a paisagem

Pintada por sorrisos,

Borrada por lágrimas,

Mas ainda assim paisagem:

Quadros e retratos que sinto

Com os olhos da minha alma

Completamente escancarada.

Há beleza em tudo,

E hoje sei que as maiores belezas,

Das infinitas belezas do mundo,

Delicadamente me calam.

E quando estou mudo

É que mais ainda eu falo,

Pois ouço-me abissalmente,

Nas palavras que eu calo.

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Silêncios

No silêncio não há verdades ou mentiras.

É tudo subjetivo, opinativo,

E talvez por isso deveras mais dorido.

No silêncio tudo cabe.

Tudo é e não é

Em um piscar de olhos,

Nas memórias que carecem

De algum tipo de sentido ou explicação.

O silêncio cansa,

O silêncio machuca,

O silêncio ensurdece,

Ainda que não seja este o seu objetivo.

Pior do que isso é que sei

Que as respostas que procuro

Estão nestes silêncios

E dentro destes silêncios

Estou eu.

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Nada

Na ausência de palavras articuladas,
No silêncio sepulcral que não é meu,
Mas que me invade e me domina,
Arde-me e consome-me,
Tudo cabe,
Tudo é,
Tudo existe.

Não tenho medo de silêncios,
Mas tenho pavor a tudo que eles dizem,
Porque nunca sei se o que eles dizem
É o que de fato estão a me dizer.

Silêncios não me matam,
Mas silêncios me torturam.

E eu permaneço em silêncio,
No opróbrio do nada ignorar,
E do nada, do absolutamente nada, –
Posto que o silêncio é o nada –
Nada saber.

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Vim trazer verdades 36

Na dúvida, escolha o silêncio.

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Tente ficar em silêncio

Eu sobreviverei a todo e qualquer silêncio que você me imponha

Porque por dentro de você eu sei que sou puro barulho.

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Reiniciando

Não fale com o coração

Para quem mal de tá ouvidos

Para quem não escuta

Para quem não tenta ou se ocupa

Em tentar entender

Em tentar sentir

Aquilo que vai muito além das palavras brutas

 

Até porque

Mesmo sem querer

Um dia o vocabulário do coração se acaba

E mudo

Ele se acostuma

E perde aquela necessidade:

Já não tem mais nada a dizer

 

E depois disso tudo

Ele se escuta

E recomeça

Lentamente

A bater.

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Fiquei chato

Fiquei chato

 

Eu sei…

Repetitivo

 

Em busca de respostas

Tateando no escuro

Falando mais do que devia

Ouvindo o que não queria

 

Fiquei chato

 

Perdi o encanto

Virei pranto

Escondendo-me nos cantos

Nas sombras do que eu queria

 

Fiquei chato

 

Quando resolvi

Que precisava de certezas

Cartas sobre a mesa

Pés no chão

 

Fiquei chato

 

Quando quis materializar

Quando não quis só mais sonhar

Quando quis viver e ter

Quando quis simplesmente ser

 

Fiquei chato

 

Minhas palavras

De fato e nexo vazias

Buscando um sentido sentido

Nas palavras que você não dizia

 

Fiquei chato…

 

Mas como assim?

Amo – por você e por mim

Chato?

Não era e não sou assim.

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Escuta-me!

Escuta-me!

Percebe meu silêncio?

Estou aqui!

Em silêncio…

Não ouso me manifestar!

 

Palavras mil

Idéias em milhões

Resto de tudo

Náufrago de ilusões

 

Eu sei, amor protocolar

“Estou confusa”

Mas abro meu coração

Rasgo a minha blusa

Alma que sangra por um peito aberto

Completamente desnuda

 

Ah, meu amor!

Que falta faz seu cheiro

Seu sabor…

Saudades de tudo

Mudo…

Silêncio mudo

 

TUDO!

 

Aquela pizza

Aquele vinho

Aquele sushi

Tudo ali!

Saudades do que está de fato perto

Estou vivo

Você também

Estamos aqui!

 

Queria eu que fosse

Um passado esquecível

Mas nosso amor, outro nível

Inquestionavelmente crível!

Aquieto-me diante do meu infindável pranto

 

Mas é assim…

Tantas coisas para lembrar

Um futuro para achar

Dentro de um pretérito imperfeito

Que na fragrância abundante e melada de um amor

Encontrou visceral e inalienável direito

De um futuro que existe sem existir

De um amor que ora renasce e ora está por vir

 

Eternamente…

 

Em nossa existência e na esperança que existe –

E resiste! –

Na nossa razão e motivo para…

 

Sem rima…

 

TUDO!!!

 

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