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Atormenta

Repousa teus lábios nos lábios meus

E me deixa ver teu infinito.

Mostra os mares que são só teus

E as profundezas que eu agito.

Confessa os desejos que não são só meus

E admita que são infinitos.

Recebe teus mares com os mares meus:

Cala a minha boca, sente meus gritos.

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Eu escolho ser feliz

Quando você está mal, tanto faz o que está materialmente a sua volta.

Eu já chorei dentro de uma Mercedes. Eu já ri dentro de um Fusca.

E se alguém me perguntar, a resposta será sempre a mesma: eu prefiro ser feliz, ainda que seja a pé.

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P.S. 10

Se você não sabe ou não reconhece o valor e o significado do que tem em mãos, também não sabe se o lugar adequado para essa “coisa” é o cofre ou a lixeira.

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Nossa Senhora de Fátima – 2021

Ave Maria, cheia de graça, 
O Senhor é convosco, 
Bendita sois vós entre as mulheres 
E bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. 
Santa Maria, Mãe de Deus, 
Rogai por nós pecadores, 
Agora e na hora da nossa morte.

Amém!

Hoje é o seu dia! Obrigado por tudo, minha mãe! Muito, muito obrigado! Nós bem sabemos do tanto que Deus tem feito em minha e por minha vida! 🌹🌹🌹

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Quiçá

Diante do céu e do mar,

Pés nas areias do tempo,

Olhos fixos no horizonte:

Nada a temer ou lamentar.

O que é meu, meu será,

Aqui ou em outro lugar,

E o sol há de iluminar

Tudo que jaz adiante.

Ouço a brisa me lembrar

Dos abraços ainda por dar,

Dos beijos ainda distantes,

Lembrando-me do que já fui

E de tudo que existia antes.

Há vinhos ainda por tomar,

Conversas para embalar,

Segredos para confessar,

Muros para derrubar,

Pontes para edificar.

Por ora, sem demora,

As preces de outrora

Se fazem vivas na memória,

E sinto que o ontem,

Amanhã… Quiçá.

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Lágrimas e Deus

Eu aprendi que todas as vezes em que as lágrimas rolavam fartas em meu rosto, eu me conectava com Deus.

Depois, eu aprendi que as lágrimas que rolavam fartas em meu rosto eram uma maneira da qual Deus se utilizava para se conectar comigo.

Mais tarde, aprendi que se eu me mantivesse em conexão constante com Deus, as lágrimas que rolavam fartas em meu rosto sequer eram necessárias.

E foi aí que eu entendi tudo. Foi aí que eu entendi o quanto era, é e sempre será importante e fundamental a minha conexão com Deus.

Deus me livrou das lágrimas através das lágrimas. Ele tudo pode. Ele é Deus.

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Fracionado

Mais um gole
Mais um trago
Mais um beijo
Mais um algo
Mais alguma coisa

Mais
Mais
Mais
Sempre mais

Mais para esconder meus menos
Mais para afogar o insaciável
Mais para calar os gritos
Mais para sublimar as lágrimas
Mais para esquecer de lembrar
Mais para entorpecer o coração

Mais
Mais
Mais
Sempre mais

Mais porque não sei
Viver com essa subtração
Que fez de mim uma fração
Que não me deixa ser inteiro.

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Alice

Eram umas 4 horas da manhã. Eu tinha acabado de deixar a Alice na casa dos parentes. A nossa noite tinha sido para lá de especial. Eu estava feliz e ela também. O ano era 1995.

Eu estava voltando do Rio para Niterói dirigindo. Sempre gostei de dirigir na Ponte durante a noite. Não lembro qual rádio eu estava ouvindo, mas me lembro bem da música: “See you on the other side”, do Ozzy Osbourne. Até achei estranho ouvir a tal música na rádio, mas achei que era um presente de Deus ou algo assim. Apenas a senti e continuei a admirar a paisagem. Eu dirigia devagar. Eu queria que aquilo tudo que eu estava sentindo durasse para sempre.

A Alice morava em Goiânia/GO. Vinha para o Rio de 15 em 15 dias com os pais. Eles não sabiam que a gente se encontrava. Ela dizia que saía com as amigas, mas lá estava eu religiosamente buscando-a. Carro emprestado por um amigo. Eu mal tinha dinheiro para a gasolina, mas dava meu jeito digitando textos, programando… Eu fazia um pouco de tudo para poder comer uma pizza com a Alice, tomar um sorvete e coisas do tipo. Acima de tudo, eu gostava muito da companhia dela e achava o seu sotaque delicioso, envolvente, diferente.

Eu não tinha celular e nem ela. Ela tinha o número da minha casa e eu tinha o número da casa dela. Apesar disso, eu nunca tinha ligado para a sua casa. Afinal de contas, os pais não sabiam e era algo que eu respeitava. Era sempre a Alice que me ligava (e tenho certeza que os pais dela deveriam se tocar das fortunas gastas com o DDD).

Quando chegava de volta em Goiânia, a Alice me ligava. Algumas vezes era só para dizer que tinha chegado bem. Coisa de minutos. E naquela segunda-feira, ela não me ligou. Somos “criaturas de hábitos” e aquilo me deixou de orelhas em pé. Preferi ignorar. Me ligaria mais tarde. Certeza.

A segunda-feira foi embora sem nenhum telefonema. Tive dificuldades para dormir e ao mesmo tempo a certeza de que ela me ligaria no dia seguinte. E ela não ligou. Cheguei até a testar o meu telefone para ver se estava funcionando e de fato estava. Pensei em ligar para a casa dela e me lembrei de seus pais. Lembrei do nosso beijo de despedida e tive a certeza de que não havia nada de errado entre nós. Havia de fato algo de errado, só que eu não sabia o que era.

Não dormi de terça para quarta-feira. Antes do meio dia da quarta, resolvi ligar para a casa dela. Pensei nos pais e resolvi ligar mesmo assim. Sei lá… Eu diria que era um amigo ou algo do tipo.

– Bom dia! Eu poderia falar com a Alice, por favor?

Uma voz masculina me respondeu.

– É o Fábio quem está falando?

Eu estremeci. Não sabia o que dizer ao certo.

– Sim, sou eu. É o pai dela quem está falando?

Silêncio do outro lado da linha. Ouvi um suspiro profundo.

– Sim, Fábio. Sou eu… Ela me falou de vocês durante o voo de volta para Goiânia.

– Olha… O senhor me desculpe… Eu queria contar, mas ela achou melhor deixar para depois…

Novo silêncio, até que a voz embargada de um homem me respondeu.

– Ela faleceu, Fábio. Morreu em um acidente de carro terrível enquanto ia para a faculdade.

Eu explodi em lágrimas. Não era possível! Será que eu tinha ligado para o número errado? Será que estávamos falando da mesma Alice?

– Eu ia te ligar para dar a notícia, mas imagino que saiba o quanto está sendo difícil para nós lidar com isso tudo…

Eu não conseguia dizer nada. Só chorava… E ele complementou.

– Ela tinha dito que queria se mudar para o Rio… Que queria continuar os estudos aí… Ela me disse que estava apaixonada… E era por você, Fábio. E eu não te conheço, rapaz… Mas saiba que ela se foi assim, com você no coração…

Não lembro do que falamos depois disso. Nada. Nem uma palavra. Sei que desliguei o telefone e fui para a rua. Enchi a cara. Nem sei como cheguei em casa. Só sabia que a Alice tinha ido embora.

E então me lembrei da música e a música se tornou uma prece. E a Alice sabe, onde quer que ela esteja, que mais de 25 anos depois não há uma única vez em que eu ouça essa música sem lembrar dela, sem lembrar de nós, e novamente explodir em lágrimas.

Não sei se daria certo. Éramos muito jovens, mas também era fato que estávamos apaixonados. E foi com a Alice que eu aprendi que tudo que importa é o hoje, porque o amanhã de fato pode não existir.

Dedico essa música a ela e peço a quem me lê: ame como se fosse o último dia, porque de fato pode ser.

I will see you on the other side, Alice.

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Crisol

O que eu procurava
Em mim já existia
E se transformava em poesia
A todo instante

Um universo inteiro
A lua e o sol
Na vida um crisol
De tudo que é verdadeiro

Vivos e gritantes
Os abraços e os beijos
As paixões e os desejos
As taças que já bebi

Todas as minhas vísceras
As tristezas e os medos
As confissões e os segredos
O amálgama de mim

Era essa a minha loucura
Procurar o que eu já tinha
O que em mim se aninha
O que estou disposto a oferecer

É tudo gratuito
Pois nada tem preço
Porque tudo que ofereço
É porque só sei ser assim.

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P.S. 6

Se eu pudesse te amar, eu te atenderia no primeiro toque (ou até mesmo antes da tua ligação).