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P.S. 47

Aquele que se nega a ouvir o seu lado da história, não merece ouvir o seu lado da história.

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Verão

Que o tempo frio

Sirva de pretexto –

Talvez contexto –

Para unir corpos e almas

Em um só coração.

E então o inverno,

Com seu propósito eterno,

Nas labaredas dos mistérios,

Se tornará verão.

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Vim trazer verdades 61

Se você esteve no inferno, talvez leve algum tempo para se adaptar ao paraíso. A paz é uma estranha para quem vive em guerra. Não desista. Acostume-se.

Paraíso – Ilustração de Gustave Doré, inspirado na obra de Dante Alighieri (A Divina Comédia)
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A vida como é

Não há nada de errado:

Não há inocentes,

Não há culpados.

A vida continua doce

Na ira,

Na birra,

Na verdade

E na mentira.

A vida segue como é

E não como se fosse;

E confesso que se talvez fosse,

Não seria tão boa quanto é.

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Insanidade

Insanidade é acreditar
Que o outro é insano
Apenas porque
A insanidade do outro
É diferente da sua.

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Grandes mestres da poesia

Não foi por acaso que acabei de publicar algumas obras de grandes poetas e poetisas. Cada um deles com suas formas únicas de nos dizer o que vemos e vivemos, e que muitas vezes não conseguimos traduzir em palavras, quanto mais em versos.

Confesso que cheguei a me sentir ridículo na medida em que lia e relia as palavras dos mestres. E ao mesmo tempo, me sentia um aprendiz. E será que um aprendiz deve sentir vergonha de não ser capaz de criar algo tão magnífico quanto seus mestres? Não. Creio que não.

Eu, enquanto escrevo, nunca me preocupo com o que vão achar de minhas palavras. Elas são minhas, e nelas encontro algum sentido para o que vejo e sinto. Minhas poesias refletem o melhor e também o pior de mim.

Enfim… Minhas poesias são sinceras, assim como sou sincero em tudo que digo e faço. O resto eu deixo por conta de quem me lê. Sinto-me um privilegiado quando sou lido.

E portanto, muito obrigados aos grandes mestres! Simplesmente obrigado. Vocês me fazem e me fizeram ver que eu também sou capaz (ainda que seja só de tentar).

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Amor é fogo que arde sem se ver – por Luís de Camões

Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

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Lápide – por Ariano Suassuna

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em vão – Sangue insensato e vagabundo —
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!

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Vozes d’África – por Castro Alves

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?

Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes

Embuçado nos céus?

Há dois mil anos te mandei meu grito,

Que embalde desde então corre o infinito…

Onde estás, Senhor Deus? …

[…]

Hoje em meu sangue a América se nutre

Condor que se transformara em abutre,

Ave da escravidão,

Ela juntou-se às mais… irmã traidora

Qual de José os vis irmãos outrora

Venderam seu irmão.

Basta, Senhor! De teu potente braço

Role através dos astros e do espaço

Perdão p’ra os crimes meus!

Há dois mil anos eu soluço um grito…

escuta o brado meu lá no infinito,

Meu Deus! Senhor, meu Deus!!…

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Ora (direis) ouvir estrelas! – por Olavo Bilac

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”