Para cada 10 centavos de afeto que dava
Guardava 1 centavo para si
Até que um dia se deu conta –
Pediu as contas –
E disse:
– Meu Deus! Como sou rico!

Para cada 10 centavos de afeto que dava
Guardava 1 centavo para si
Até que um dia se deu conta –
Pediu as contas –
E disse:
– Meu Deus! Como sou rico!

Entre as bolhas que murmuram
Na taça de espumante,
Vejo completamente nua
A minha alma e a tua.
Lembro-me do correr dos hojes:
Dos momentos,
Das conversas,
Do sol,
Dos ventos,
Dos aceites,
Das entregas…
No silêncio,
Ouço as bolhas do espumante
Mais ainda murmurantes,
Explodindo em meus ouvidos,
Chamando-me para aceitar o sentido
De tudo que vem acontecendo.
E agora,
Diante da taça vazia,
Aninho-me a teu corpo
E deixo-me ir
Para o amanhã,
Onde lutaremos pelo pão –
E por tudo mais que nos for
Essencial, verdadeiro e necessário –
De cada dia.
E desta vez, que nem tudo se exploda,
Só do espumante as infinitas bolhas:
Bolhas de alegria, alegria!
Posto que tu és revigorante euforia.

Nada a temer
Por nada esperar.
Deixou morrer a esperança,
E deste dia em diante,
Fulgiu e chamejou
A própria vida.

Esqueci meu juízo
Em algum lugar
Nao sei se tento
Ao menos procurar
Pois tanto faz perder
E tanto faz achar
O que de nada me serve
Deixa essa merda pra lá!

Não mereces o meu tédio,
Mas minhas melhores notícias,
Que abundam todos os dias
Que anseio por estar contigo.
Não és uma opção ou uma fuga
Dos dias turvos,
Da confusão mental,
Da fumaça dos carros,
Da empáfia dos covardes,
Da verborragia dos trastes.
És uma escolha,
A visceral,
A única.
E por seres única,
Fato é que não tenho opção:
Ou entrego-me pela razão,
Ou pelos horrores de sentir
As dores da tua carestia.

Pode apagar a minha fotografia,
Mas eu estou dentro e entro em você
Dia após dia,
Nesta saudade que não silencia.

Deixa eu te dar um beijo de despedida,
Porque eu vou ali viver a vida
Como a gente sonhou.
Vou suar minha camisa,
E vou contar minhas moedas,
Vou procurar nos bolsos das calças
Se necessário for.
Mas não, não vou falar de saudade,
Só de felicidade, de noites viradas,
E de histórias de amor.
E só quero que quem esteja ao meu lado
Tenha o cuidado de amar não o que tenho,
Mas o homem que eu sou.

Há um poema
Entre tuas pernas
Que foi escrito
Com minha língua
Há um poema
Em tua face
Que foi escrito
Com tua caligrafia
Há partes que não cabem
Há partes que não entram
Cheiros e gostos rimados
Por fora e por dentro
Nestes saraus devassos
Nossa história escrevemos
Lirismo que não se cala
Que ou grita ou está gemendo.

É estranho ver uma estranha
Que já foi tão próxima.
É estranho não saber nada
De quem já se soube tudo.
É estranho sentir essa estranheza,
Essa completa falta de conexão.
É estranho reconhecer as feições,
E ainda assim achar que é um vulto.
É estranho que tudo seja estranho,
Onde o amor já desfilou toda sua grandeza.
É estranho.
Eu, estranho.
Você, estranha.
Nós somos estranhos
E ao mesmo tempo,
Não somos mais nada:
Sequer nos estranhamos.

Há quem fale dos próprios erros,
Como se fossem dos outros,
Causados por outros,
Tal como se fossem vítimas
De uma trama
Que nunca sucedeu.
Já os meus erros,
Sob juramento, confesso:
Sou a eles apegado,
E são todos meus.
