Todos os dias ao acordar Travo comigo diálogos intensos: O que se tornou o que seria? O que se tornou o que calhou de não ser?
E fito o céu e fito o mar Na esperança de encontrar Nos tons de azul e cinza Nas nossas cinzas espargidas Algo que o fogo do tempo Inclemente Não tenha lambido Não tenha transformado em pó.
E reconto nossas histórias Nossos dias de incólume glória Para uma plateia de Deus comigo Na esperança de que Ele Da vida o grande diretor Mude o final do nosso filme.
Eu já não deveria mais Pensar em dizer que te amo E por mais que tudo seja profano Eu te amo, eu te amo, eu te amo!
Pode ser que eu esteja condenado Mesmo sendo inculpado A ter que conviver para sempre Com esse lancinante dessabor Com esse inclemente ardor De sentir ainda o calor da tua pele E do teu retumbante coração Que marca os passos do meu.
Mas se for esse o preço – O preço do que não tem preço – Ainda assim eu teria escolhido viver Milímetro por milímetro Toque por toque Do que foi e do que restou Do que para mim nunca acabou.
A saudade bate forte no peito.
Não avisa quando chega,
Mas chega, dizendo que a distância,
Ou mesmo nossa ignorância,
Não são fortes o suficiente para nos separar.
E procuramos no mundo,
Algo que seja forte o bastante,
Para calar nosso desejo,
Nosso amor, nossos beijos,
Nossa dor, nossa solidão.
Mas o amor é implacável,
Invencível, tenaz, inquebrável,
E insiste em dizer, todo os dias,
Nas manhãs enevoadas e vazias,
Nas noites tão frias e baldias,
Como é viver sem nos ter.
Saudade,
Sim! Muita saudade,
De tudo o que fomos,
Pois o que somos
É pouco, muito pouco,
Quando dizemos que o amor está morto,
Muito antes dele morrer.
Se algum dia eu deixar de te amar, Meu grande amor, Saibas que serás a primeira a saber.
Dói-me pensar nisso, Mas é porque contigo penso em tudo, Por mim e por ti.
Se todo este amor que sinto, Se toda esta paixão que me aquece, Um dia for embora, acredite: Eu serei o primeiro a por isso sofrer.
Porque não está e nem nunca esteve Nos meus planos mais sinceros Deixar de te amar, de te ter, Ainda que isto possa acontecer.
E digo essas palavras Sem antever nada disto!
Não se trata de um aviso ou algo parecido.
É apenas uma declaração de amor invertida, Dorida… Sofrida…
Porque no dia em que eu deixar de te amar, Não serei mais digno de tua presença, E serei forçado a me retirar da tua vida, Mas não sem antes me despedir.
Não fugirei do meu dever de dizer Que não mais te amo.
Não deixarei que saibas por terceiros O que sinto ou deixei de sentir.
Porque hoje és a minha vida, E ainda que um dia deixes de sê-la, Também eu deixarei de ser A minha parte que só em ti e por ti existe.
Se algum dia eu deixar de te amar, É porque parte de mim mataram Ou parte de mim morreu.
Entre as bolhas que murmuram Na taça de espumante, Vejo completamente nua A minha alma e a tua.
Lembro-me do correr dos hojes: Dos momentos, Das conversas, Do sol, Dos ventos, Dos aceites, Das entregas…
No silêncio, Ouço as bolhas do espumante Mais ainda murmurantes, Explodindo em meus ouvidos, Chamando-me para aceitar o sentido De tudo que vem acontecendo.
E agora, Diante da taça vazia, Aninho-me a teu corpo E deixo-me ir Para o amanhã, Onde lutaremos pelo pão – E por tudo mais que nos for Essencial, verdadeiro e necessário – De cada dia.
E desta vez, que nem tudo se exploda, Só do espumante as infinitas bolhas: Bolhas de alegria, alegria! Posto que tu és revigorante euforia.