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É preciso!

É preciso se permitir sentir

Longe dos olhos e das bocas dos outros

Longe das fisionomias

E da linguagem corporal

Que sem saber dos fatos, julga

 

É preciso olhar para dentro

E de dentro olhar para fora

Ver como só se pode ver

Quando as luzes se apagam

E todo mundo já foi embora

 

É preciso crer na intuição

Ouvir a voz do coração

E sentir-se dono do sim e do não

E pensar não no caminho

Mas no que faz chegar ao futuro

 

É preciso saber o que é preciso

É preciso saber o que é da alma

É preciso saber que o tempo passa

É preciso saber que tudo muda

 

Menos aquilo… Aquilo não…

Aquilo não muda

 

É preciso saber qual é o nosso aquilo

Sorrir… Viver… Ser feliz…

E transformar o aquilo no isso

Pois no fundo

Com o coração desnudo

É do isso

É de tudo isso que se precisa.

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Badulaque

Tirando a essência

De ser o que se é

O resto é puro badulaque

Por mim

Que fique

SEMPRE

Nua.

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Desmascarando

Máscaras…

Já não te valem mais nada

Caíram

Despedaçaram-se

Simplesmente sumiram

 

Vi teus olhos marejados

Na despedida

As gargalhas desmedidas

Abundantes fagulhas e centelhas de vida

O teu olhar de admiração

Que fez tua alma ficar despida

Teu corpo contraindo-se em turbilhão

Enquanto repousas em mim, exaurida

 

Foram-se todas as máscaras

Mas tu não podes

E nem queres ir mais:

De que adianta ires só de corpo

E tua alma ficar para trás?

 

E quanto as minhas máscaras

Como bem sabes

Nunca as tive:

Na presença ou na ausência

No sorriso ou no pranto

O amor por ti eternamente reside.

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Sexto sentido

As palavras são insuficientes para definir o que o coração vive e sente.

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Aperitivo

Há mel em seus lábios

Teu corpo inteiro em chamas

Cheiros e gostos incomuns

Especiarias que em mim derramas

 

De onde vem esta loucura

Que nos fulmina na cama

Só para ressurgir instantes depois

Ainda mais colossal e insana?

 

Acho melhor nem tentar entender

Já se tornou repetitivo

O nosso agora ao futuro pertence

Somos eterno aperitivo

 

E se tu tentares resistir

Deixo-te logo este aviso

Sim, sempre fazemos amor

Mas fodo teu corpo, tua alma e teu juízo.

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Expiação

De joelhos

Minha fraqueza

Meu cansaço

Eu confesso

E rogo por perdão

Do amor em mim

Sempre manifesto

E que agora

Faz tremer

Meu coração

Que deságua

Em sangue

De meus olhos

Funestos

 

Eis-me aqui

Ao léo

Diante deste

Tenebroso

E assombroso

Céu

Firmamento?

Puro tormento

Cilício da alma

Cruz do que sou

Não há nada

Por inteiro

Todo sangue

De mim

Já jorrou

 

E que essa dor

Seja cura

Para meu corpo

Ante a súplica

Que dessa carcaça

Emudecida

E apodrecida

Ainda ferozmente

Urra

E que o amor –

Ora carrasco

Ora salvador –

Purifique a alma

E traga-me a calma

Para acreditar

Ser concebível

Ainda que impossível

Amar sem sentir

Ou sem ser

Pura

E infinita

Dor.

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Sancho Pança

Andando pelas brumas da minha alma

Gostei muito do que vi:

Quixotesco

Cavaleiro

Andante e errante

Mas sempre cavaleiro

 

Confrontei gigantes

Exércitos alucinantes

Libertei escravos

E me tornei um herói

Ainda que desconhecido

Mas nunca imaginário

Daqueles que maturam

E que o tempo não corrói

 

Dulcinéia del Toboso?

Nunca ouvi falar!

Meu mundo é real

Mas minha busca imaterial

E nas brumas da minha alma

Uma dama caminha

Não sei seu nome

Só sei que ela é minha…

Quixotescamente minha.

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Ad infinitum

Podes negar minha presença

Mas não podes negar a falta que faço

Podes negar minha voz

Mas não o que eu te digo em silêncio

Podes negar meus beijos

Mas não o desejo que transborda de teu corpo

Podes negar o óbvio

Mas não o que obviamente sentes

 

Podes me negar todos os dias

Várias vezes ao dia

Podes fazer isso por semanas

Por meses, por anos

 

Tu podes tudo

Podes até escolher

Não seres feliz

Mas o tempo há de mostrar

Que tudo que fiz

Foi mostrar o que teu coração

Que pulsa descompassado

Escancaradamente diz

 

E quando a noite fechares os olhos

Sozinha ou acompanhada

Ouvirás o chamado que de ti emana

Angelical, não?

É tua alma

Que sempre

Ruidosa e desesperadamente

Me chama.

Me chama..

Me chama…

a-saudade-e-a-nossa-alma-dizendo-para-onde-ela

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Sou do avesso

Que não te esqueças de mim

Quando a noite chega

Não tenho medo do escuro

Mas fico reflexivo, taciturno

À mercê dos perigos do mundo

 

E estes me rondam

Sondam-me

Provocam-me

Para que meu pior aflore

Que se mostre e devore

Tudo do qual não careço

Ou nutra qualquer apreço

 

Sim, quase tudo tem seu preço

E eu que não estou a venda

Fui por ti do fim ao começo

E irei do começo ao fim

Cabeça erguida

Eu sou assim

Uma ovelha desgarrada

Uma alma do avesso.

a-vida-te-vira-do-avesso

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Muito sinto

Fosse só mais uma, mas é a uma

Será que disso se esqueceu?

Fala como se fosse substituível, esquecível

Quem lhe deu esse direito?

Repete o que eu disse sem me deixar esclarecer

Isso gera algum proveito?

Abusa, confusa, e rotula de devaneio, de surreal

E não é real o clamor de nossas almas e o fogo em nosso peito?

Fala coisas lindas, indescritíveis, do fundo de seu coração

Imagina a saudade que assola meu leito?

E eis que fico em silêncio –

Não por querê-lo –

Mas por receio

De dar qualquer palpite

De alguma forma

Parece que tudo que eu pense

Tudo que eu diga ou faça

Pode ser usado contra mim

(até esse próprio texto!)

E eis que fico em silêncio

Mas sinto – e como sinto!

A sua ausência, a sua presença distante

E uma saudade tão grande que não cabe em mim.

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