Mundo mudo
Mundo de agora
Me diz pelo vento
Que sopra lá fora
O dizer devido
Para esta hora
Quando foi embora
O aroma floral de outrora
Que exalava de dentro de mim.

Mundo mudo
Mundo de agora
Me diz pelo vento
Que sopra lá fora
O dizer devido
Para esta hora
Quando foi embora
O aroma floral de outrora
Que exalava de dentro de mim.

Teu segredo
Se revelou de forma veemente
Quando gritou o teu coração
E tentou ignora-lo a tua mente
Não seria de mais valor
Ou talvez mais prudente
Deixares de fingir que é dor
O amor que deveras sente?
Ah! O amor…
Essa coisa insistente
Que não pede por favor
E que torna o completo carente!
Ah! O amor…
Do qual tu foges bravamente
Mesmo sabendo que não há vida
Quando parte de ti está ausente
Ah! O amor…
Não, não estás doente
Já que és tão racional
Que reconheças: estás impotente!
Ah! O amor…
Que te rendas a este insistente
Que subjuga-te a seus caprichos
Não se trata de mero acidente
E que fique claro que sua existência
Não depende do teu aceite
O amor é o amor
Abusado e insolente.

O não sempre traz consigo
A esperança de que dias melhores virão,
Pois a vida sempre será farta e bela
Quando vista pelos olhos do coração.

O mal causado pelo fruto maduro da indiferença e do descaso é muito mais contundente e doloroso do que o mal propositado, vingativo e intencional.

Eis aqui os meus últimos versos para ti:
Este que fazes sem forçar
Que é tímido e discreto
Obsceno e direto
Misterioso e incerto
Uma miríade de convites
Todos eles a me torturar
Cabelos que cobrem
O que precisa ser descoberto
Lábios que explodem
Que fascinam por completo
Presença que avassala
Água cristalina no deserto
E nesse meu sonho que tu és
Que vem, que vai
Devoro teus mistérios
Na certeza de que muitos são
Pois na tua pele eu encontro
Todos os meus desejos mais ébrios
O que pretendes?
Onde estás?
Para onde vais?
Talvez assim eu te encontre
Quer seja por mero acaso
Ou por seguir teu cheiro
Desejo-te
E meu desejo é mais que verdadeiro
Posto que tu és um universo inteiro

Te amo neste fim de noite
Neste meio fio
Neste precipício
Nesta ribanceira.
Te amo contando trocados
Pedindo fiado
Engolindo poeira.
Tanto faz!
Porque tu és este amor
Que jorra de teu peito
E me fecunda por inteiro.
Te amo porque é o que sei fazer
É o que me faz ser quem sou
E o resto é pura besteira.

Faz-se luz na noite do meu dia,
Quando desfilas calma, silenciosa,
Iluminando os alicerces de minh’alma,
Sem saber que o fazes, pois não me conheces,
Ainda assim atendes minhas lúgubres preces,
Seguindo teu destino que te funde ao meu.
Não sei por onde andas, aonde vais,
Pois também não te conheço,
Mas é inegável que tenho por ti grande apreço,
Pelo simples fato de saber que existes.
Dirijo-me para ti, de cabeça em riste,
Com meu lábaro manchado de sangue.
Açoitado fui, vítima de escárnio,
Mas ainda assim respeito as tiranias
Dos que se julgam senhores – pura verborragia!
Mesmo quando o desespero assolava meu leito,
Sonhava em ti, por ti, para que em teu peito
Pudesse alcançar a verdade por detrás.
E tu esperas por mim, sem perceber,
Caminhando os nossos turvejantes dias,
Para acabar de vez com nossa sentimental anemia.
Lembre-se que, quando chegares, nada será como antes,
E eu que ainda sou um mero cavaleiro errante,
Darei grande brado, para em nossa etérea plaga descansar.

Nunca me olhaste nos olhos
Nunca me fizeste perguntas
Nunca ouviste a minha voz.
Me conheces por fotografia
Pelas minhas poesias
E só.
Sabes meu nome e sobrenome,
Mas não se gosto de chocolate
Ou de pão de ló.
Não sabes e prefiro que não saibas,
Pois pelo jeito que de mim falas
De ti só tenho dó:
És apenas pó.
