Amor sem doses de sacrifício e renúncia não passa de efêmera paixão com eventuais toques egóicos de apego.

Amor sem doses de sacrifício e renúncia não passa de efêmera paixão com eventuais toques egóicos de apego.

A frase nem sempre precisa ser dita.
Ela existe e insiste em se fazer presente
Nos atitudes e nos simples gestos que se mostram amiúde.
.
A frase escancara e soleniza sem pompa
O que já foi dito no toque corriqueiro,
No desejo que se esvai líquido e infinito,
Tangenciando as curvas cirúrgicas do tempo,
Rumo ao início de tudo que desde sempre deveria ter sido.
.
Não é sobre dizer eu te amo:
É sobre o rio que busca o mar
E sempre, de olhos cerrados, o encontra.
.
Em nosso leito,
Não resta pedra sobre pedra,
Seixo sobre seixo.
Só queixo sobre queixo,
Só eu e você.
.
E para não deixar dúvidas, mais uma vez,
Insisto na frase que nem sempre precisa ser dita –
E que de mim grita:
Eu para sempre te amo.

Eu sei que é segunda-feira
Mas todo o meu desejo
Toda falta que me fazes
Tudo que em mim queima e arde
Jaz vivo a meus pés:
Caminho em brasas.
.
Não há nada que possas me dizer
Nesta comum segunda-feira
Que acalme a serpente
Que trafega em minhas veias
E me traz extra sístoles:
Quero inocular-te.
.
Comigo estou em guerra
E isto é um fato
Uma parte de mim vive de lembranças
A outra vive a espera das tuas cheganças
E por um acaso é segunda-feira
Mas assim é todos os dias da semana.

Um cara feio
E uma moça feia
Se encontraram
Bateram de frente
Ficaram juntos
E se tornaram
Lindos.
.
Um cara feio
E uma moça linda
Se encontraram
Bateram de frente
Ficaram juntos
E se tornaram
Lindos.
.
Um cara lindo
E uma moça feia
Se encontraram
Bateram de frente
Ficaram juntos
E se tornaram
Lindos.
.
A beleza
Presente –
Sempre –
Nos olhos
De quem
Acredita.
.
Na beleza
Do lindo
E do feio
Eu acredito.

Queria ser salvo da vida,
Mas não pela morte –
Salvação inevitável –
Mas pela sorte de entender
Que é uma tremenda sorte
Estar vivo.
.
Como eu gostaria que Deus,
Descesse dos céus e me dissesse:
“Estás vivo; já não é o bastante?”
Mas Deus anda ocupado,
E eu tenho reclamado
Muito mais do que agradecido.
.
Vivo!
E no fundo eu sei que é bom estar vivo,
Mas que isso não me impeça
De morrer para certas coisas –
Ou de matar certas coisas –
Para me manter
Vivo!

Nos domingos, as cores são outras.
O verde é da Heineken e da salada com folhas para lá de frescas (com tomate cereja, por favor).
O amarelo é da batata frita, da farofa.
O branco é do arroz (que eu não como, mas que não pode faltar).
O rosa é da carne mal passada, quase ao ponto (ao ponto de alguém reclamar que está “crua”).
O preto é do carvão, que aquece e acolhe, que traz vida.
Mas o vermelho… Este é de paixão, do amor, do desejo, dos sonhos e dos beijos, da vida, do hoje, do ontem e do amanhã.
Um brinde aos domingos!
Nos domingos, além da carne, o fogo a alma queima.

Que seja verdadeiro:
O amor distante.
O amor presente.
O amor último.
O amor primeiro.
O amor em todas as partes.
O amor por inteiro.
…
O amor que existe e independente das circunstâncias.
O amor que vive e sobrevive em todas as instâncias.
…
O amor que é resiliente e paciente.
Que ora é silêncio, e ora é saliente.
Amor para todas os gostos e estações,
Sempre com o dulçor e o frescor da primavera.

Prometa estar comigo aos domingos.
Só aos domingos.
Todos os domingos.
Prometa que antes do primeiro raio de sol –
E muito depois do último! –
Tu estarás a meu lado
Corpo colado
Mão com mão.
Porque não há domingos sem ti
E hoje é só mais um domingo…
E domingos tem o cheiro das tuas coxas,
E este cheiro permeia, encanta e semeia
Nas minhas bochechas e no céu da tua boca,
De domingo a domingo.

A saudade não respeita nada e nem ninguém.
Não respeita momento, lugar, tempo, distância.
A saudade é implacável.
Transforma um vinho na geladeira em uma noite de amor sem fim,
Transforma uma escova de dentes deixada para trás em uma série no Netflix ainda por terminar,
Transforma o estar sentado em um antigo restaurante na materialização de presença física, feito quem espera o outro voltar do banheiro,
Transforma uma praia em uma sessão de fotos com voz, cheiro, gosto, toques, cabelos, sorrisos, gemidos, planos, anos, vidas, filhos, viagem, carro, unhas, aliança, aeroporto, rodoviária, almoço de domingo, café, mel, mamão, salada de frutas, ovos mexidos, pão.
A saudade não é o amor que fica.
É muitas vezes a vontade de não ter conhecido, de não ter vivido, de não amar como nunca se amou na vida, como ainda desesperadamente se ama.
A saudade é a tortura e a alucinação de quem ama e repousa em uma cama que não deixa dormir.
É o chamado incessante e silencioso de quem deixa o corpo e a alma em chamas.
Eu sou um incêndio vivo.

Sinto o teu gotejar no meu rosto,
E logo sorvo da tua cadência,
Afogando-me em teu ritmo,
Que se alterna do piano ao fortissimo,
Fazendo verter teus pensamentos.
.
Minha boca conversa com teus lábios,
E na busca do que tens por dentro,
Falo línguas ainda não criadas,
Provocando a origem dos teus tremores:
Teu entumecido epicentro.
.
E para que tudo bem se acabe,
Tua boca engole meus argumentos,
A verborragia escorre em teu paladar,
Não paro de falar,
És um tormento!
