Avatar de Desconhecido

Decerto

Há coisas que são só para os olhos

E há aquelas coisas

Que ousam –

Que pousam! –

No ventre,

No útero,

No nascer,

No adeus,

Em Deus,

 

Há coisas –

E de todas essas coisas –

Há o grito,

Calmo ou aflito,

Onde te penumbro,

E nunca te ofusco.

 

Há luz,

Há verdade,

Há claridade

Na cerca que não cerca,

No abraço que não prende,

Na doença que não e moléstia,

Na ausência que é presença

Farta e certa.

 

E tudo

No momento certo,

Quer seja no coração que sangra,

Ou no que o orgulho lacra –

Aberto! –

Renasce por suas próprias forças,

Posto que o amor

Ressurge e urge

No presente fingido,

Cujo futuro –

Decerto –

É comunhão,

Entrega,

Vida,

Sublime abnegação,

Água no deserto.

Avatar de Desconhecido

Em vão

Vem cá…

Vem me falar

De tudo que você acha

Que não precisa dizer

 

Lembra?

Antes de tudo eu era amigo

Abrigo…

O bom dia

O boa noite

E tudo mais que precisava ser

 

Deixo assim

Nas tuas mãos

O direito de ser feliz –

Ou não!

 

Mas se quiser me falar

Do seu coração

Continuo por aqui

Depende só de você

Confessar-se

Ou deixar o momento ir-se em vão.

Avatar de Desconhecido

Sinto muito

Sim

Eu realmente sinto diferente de você

Eu sinto o agora

A sexta-feira

As taças de vinho que não serão

Os beijos deixados pelo caminho

A flor

O espinho

Eu realmente sinto diferente de você

Porque te sinto

E sinto muito.

Avatar de Desconhecido

Não volto

Fui ali te buscar e

Sem pressa

Não adianta

Não volto.

Avatar de Desconhecido

Cravo & Canela

Reparei nela…

Comecei pela canela

Depois, café com pó de canela

Mais tarde, óleo de canela

E canela em pau

Obviamente

Só pra ela

Posto que eu cravo

Que nela vigorosamente canela.

Avatar de Desconhecido

Contrapé

A gente é o que é

Porque nosso orgulho

É maior que nossa fé

A gente não se fala

A gente deixa

Na esperança de que o outro

Faça o que deveria ser feito

A gente ignora

A gente some

A gente ama

Mas a gente chora

Porque o eu te amo fica guardado

Escondido na memória

A gente só queria que desse tudo certo

Mas a gente se cala

Em prosa e verso

A gente não se comunica

A gente assume que o outro sabe

A gente julga, condena e absolve

A gente é a hipocrisia

A gente é a vida e a morte

Mas no fundo

A gente sabe que não é porra nenhuma

Porque quem não sabe pegar uma porra de telefone para dizer que ama

Tem mais é que dormir sozinho, ainda que acompanhado na cama

A gente é o que decide que é

E se a gente se nega a ser o que de fato é

A gente vive por aí, em busca do que nos falta

Mas de fato só falta o que dizemos que não nos faz falta

E a gente vive por aí fodido, mentindo

Culpando a Deus, nossa criação, o universo, o destino

Até que a gente tome uma rasteira

E o tempo pegue a gente no contrapé

E aí vai ser o que de verdade é.

Avatar de Desconhecido

Nunca te esqueci

Que tu lembres sempre

Que nunca te esqueci

Nos altos e baixos

Nos picos e nos vales

Eu estava ali

Nem sempre perfeito

Algumas vezes sem jeito

Mas eu estava ali

Pronto para te escutar

Para te ouvir

É o mínimo que eu poderia fazer

Para mostrar o quanto eu te amava

O quanto eu te desejava

Mais do que todas as outras

Tu eras a única que me importava

 

Entreguei-me por inteiro

Fiel e verdadeiro

E quando parecia

Que estávamos diante de um espinheiro

Eu te carregava no colo

Para só eu me ferir

Ah! Minha parceira

Minha companheira

Meu par perfeito

Dói ver-te ao longe

Dói não sentir-te aqui

E se o destino assim quiser

Que sejamos homem e mulher

Que tu te lembres sempre

Que nunca te esqueci.

Avatar de Desconhecido

Absoluta

Não te amo por amar-te

Tu és como azeite

Que jorra de meus poros

Esperando aquele risoto de bacalhau

Que ainda não foi feito

 

Perdoe-me pela insistência

Por essa infantil carência

Que deseja-te feito dama e puta

Nada que te falo é verborragia fajuta

Sou teu sendo-me meu

És-me a verdade absoluta.

Avatar de Desconhecido

4 – Ira

É o aperto no coração

Que faz sangrar o que não deveria ser dito

 

Perguntas sem respostas

Cartas que vão e não voltam

Monólogos compartilhados

Ansiedade que dispara

O que fica para depois

O que nunca é antes

 

É o breve

O rápido

O descuido

O descaso

A ingratidão

Os pés no chão

Ainda que com asas

 

É a espera

O aleatório prognóstico

A comida que esfria sobre a mesa

Feito amor que saiu para comprar cigarros

E nunca mais voltou

 

São as fotos

A presença distante

O gosto do beijo

O vinho e o queijo

A incapacidade de lidar

Com o sim e com o não

 

É a mão estendida

A promessa não esquecida

A loucura da solidão

O medo do escuro

A esperança de que não tenha sido tudo em vão

 

Minha ira

Casca de ferida

Mais que dorida

Que não se cura

E que está sempre pronta para virar perdão.

lucas_edvaldo_o_amor_verdadeiro_nunca_morre_independent_lqyzw9e

1 – Gula

2 – Avareza

3 – Luxúria

4 – Ira

5 – Inveja

6 – Preguiça

7 – Orgulho

Avatar de Desconhecido

3 – Luxúria

Somos eu

Somos você

Muito mais que nós

É o que nos agride

É o que nos maltrata

É a falta da pele do outro

É a falta do cheiro e do gosto

É a abundância

É a fartura

É a perda da coordenação

É vício e fissura

É o toque

É o gesto

É a saliva

É o arrepio

É roupa que cai

É o gole que enlouquece

É o despejar de vida

É a láurea de quem não padece

É a beira da praia

É a beira da cama

É a beira da loucura

É essa coisa totalmente insana

É o despertar

É o dormir

É o comer até o fim

É não deixar ir

É destino

É o inteiro e o recorte

É querer mais que querer

É a brisa fraca e o vento forte

É o corpo suado

É a alma que sacode

É a arritmia das cores

É o cachorro que ladra e morde

É a eternidade

É o viver sem temer a morte

É amor e anistia

É o não precisar de sorte

E por fim

É o Sul e o Norte

É os fatos como são

É da felicidade o passaporte

Somos eu

Somos você

Muito mais que nós.

luxúria

1 – Gula

2 – Avareza

3 – Luxúria

4 – Ira

5 – Inveja

6 – Preguiça

7 – Orgulho