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Intolerância

A multidão fazia o que sabia:

Acusava

Julgava

Apedrejava

Matava

E ria!

E depois ia embora

A moral e os bons costumes

Defendidos no meio da via

Crueldade

Maldade

Hipocrisia

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Paradoxal

Ficou o perfume

A cama por fazer

Um vinho avinagrado

A vida por acontecer

E o amanhecer

Antes terno e doce

Agora um coice

Amargo feito fel

Quem sabe um dia

Por pura ironia

A vida nos mostre

Como a vida deveria ser

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Negue-se

Me negue teus beijos

Me puna por me amar

Reclame da tua vulnerabilidade

Da tua fragilidade

Do teu coração descompassado

Das tuas pernas trêmulas

Do teu desejo que tudo queima

Quando teus lábios

Encontram os meus

Me negue teus beijos:

Negue-se

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Nadar

Não quero ir

Só até aonde dá pé

Eu quero é me afogar

No teu mar

Te beber

Te brindar

Bem no fundo

Das tuas profundezas

Nadar no raso

Na superfície

É tolice

Não é verdadeiramente

Nadar

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Bolha de sabão

Meu coração

É tua querência

Tua terra

Teu chão

Meu coração

Já é todo teu

E nele eu resisto

Feito bolha de sabão

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Trust me

Trust me, my love

When I say yes to things

I should have said nay

It is not because I fear

Being alone, all by myself

It is a love statement

An open declaration

That I love you more

Than our differences

Or circunstances

But, my love

If you see any weakness

In what I do

Let me warn you:

I love you

And if what I concede

Is not perceived

As a love gesture

I will just pack

And follow the steps

Towards my principles

Even if they take me

Away from you.

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Cinzas

E foi no último café

No último trago

Do último cigarro

Que a vida virou cinzas

E se desfez a cortina de fumaça

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Escolhas

Se algum dia o prazer da minha ausência falar mais baixo do que a dor da minha presença, lembre-se disso: a escolha foi toda tua.

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Pores do sol

Aos poucos, o calor do verão se vai,

E o fim de tarde chega feito esperança:

Brisa leve, água de coco, andanças,

Pores do sol para admirar.

No coração certezas frágeis,

Ausências sentidas,

Distâncias doridas,

E a realidade para me abraçar.

O sonho está vivo,

Viver é preciso,

E os velhos lugares me sorriem,

Me chamando para ser e estar.

E volta e meia a saudade me cutuca,

Dá o ar da sua graça e o perfume da sua nuca,

Lembranças das quais não fujo,

Lembranças que insistem em ficar.

E quem sabe amanhã ou hoje ainda,

Neste por de sol que sempre fascina,

Tudo se resolva com um simples olhar:

Posto que tudo é simples e belo com os olhos do amar.

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Braillando

Queria que você me lesse em braille:

Há trechos com acentos para lá de agudos.