A multidão fazia o que sabia:
Acusava
Julgava
Apedrejava
Matava
E ria!
…
E depois ia embora
A moral e os bons costumes
Defendidos no meio da via
…
Crueldade
Maldade
Hipocrisia
A multidão fazia o que sabia:
Acusava
Julgava
Apedrejava
Matava
E ria!
…
E depois ia embora
A moral e os bons costumes
Defendidos no meio da via
…
Crueldade
Maldade
Hipocrisia
Ficou o perfume
A cama por fazer
Um vinho avinagrado
A vida por acontecer
…
E o amanhecer
Antes terno e doce
Agora um coice
Amargo feito fel
…
Quem sabe um dia
Por pura ironia
A vida nos mostre
Como a vida deveria ser
Me negue teus beijos
Me puna por me amar
Reclame da tua vulnerabilidade
Da tua fragilidade
Do teu coração descompassado
Das tuas pernas trêmulas
Do teu desejo que tudo queima
Quando teus lábios
Encontram os meus
…
Me negue teus beijos:
Negue-se
Não quero ir
Só até aonde dá pé
…
Eu quero é me afogar
No teu mar
Te beber
Te brindar
Bem no fundo
Das tuas profundezas
…
Nadar no raso
Na superfície
É tolice
Não é verdadeiramente
Nadar
Meu coração
É tua querência
Tua terra
Teu chão
…
Meu coração
Já é todo teu
E nele eu resisto
Feito bolha de sabão
Trust me, my love
When I say yes to things
I should have said nay
It is not because I fear
Being alone, all by myself
It is a love statement
An open declaration
That I love you more
Than our differences
Or circunstances
…
But, my love
If you see any weakness
In what I do
Let me warn you:
I love you
And if what I concede
Is not perceived
As a love gesture
I will just pack
And follow the steps
Towards my principles
Even if they take me
Away from you.
E foi no último café
No último trago
Do último cigarro
Que a vida virou cinzas
E se desfez a cortina de fumaça
Se algum dia o prazer da minha ausência falar mais baixo do que a dor da minha presença, lembre-se disso: a escolha foi toda tua.

Aos poucos, o calor do verão se vai,
E o fim de tarde chega feito esperança:
Brisa leve, água de coco, andanças,
Pores do sol para admirar.
No coração certezas frágeis,
Ausências sentidas,
Distâncias doridas,
E a realidade para me abraçar.
O sonho está vivo,
Viver é preciso,
E os velhos lugares me sorriem,
Me chamando para ser e estar.
E volta e meia a saudade me cutuca,
Dá o ar da sua graça e o perfume da sua nuca,
Lembranças das quais não fujo,
Lembranças que insistem em ficar.
E quem sabe amanhã ou hoje ainda,
Neste por de sol que sempre fascina,
Tudo se resolva com um simples olhar:
Posto que tudo é simples e belo com os olhos do amar.

Queria que você me lesse em braille:
Há trechos com acentos para lá de agudos.
