Há algo no teu sorriso Que me inquieta, Que em mim tudo desperta, Que me fascina.
Há algo na fumaça que sai da tua boca Que me atravessa, Que em mim é promessa, Que me domina.
Há algo no teu corpo riscado Que me testa, Que em mim é festa, Que me desatina.
Há algo em teus cabelos e olhos negros Que me cativa, Que a mim desajuiza, Que me alucina.
Mas acima de tudo, Há algo em tua alma Que se traduz em luz, Que irradia de teus poros, E que iluminou Os becos e vielas Pelos quais já andei, Sempre contigo por perto (de alguma forma) Ou com você em mim.
És uma estrela De pujante fulgor Que cintila em meu caminho, E quando sigo em tua direção – Estás em toda e qualquer direção – És a única direção – Sei que não estou sozinho.
O poema “Se”, do escritor inglês Rudyard Kipling, Prêmio Nobel de Literatura em 1907, é uma jóia de valor espiritual inestimável, que merece profundas reflexões. Desfrutemos agora destas palavras imortais e atemporais:
SE
Se és capaz de manter tua calma, quando, todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa. De crer em ti quando estão todos duvidando, e para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares, ou, enganado, não mentir ao mentiroso, Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, e não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires, de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores. Se, encontrando a desgraça e o triunfo, conseguires, tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas, em armadilhas as verdades que disseste E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas, e refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada, tudo quanto ganhaste em toda a tua vida. E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, resignado, tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo, a dar seja o que for que neles ainda existe. E a persistir assim quando, exausto, contudo, resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, e, entre Reis, não perder a naturalidade. E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade;
Se és capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo valor e brilho; Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo, e – o que ainda é muito mais – tu és um Homem, meu filho!