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Sirius

Há algo no teu sorriso
Que me inquieta,
Que em mim tudo desperta,
Que me fascina.

Há algo na fumaça que sai da tua boca
Que me atravessa,
Que em mim é promessa,
Que me domina.

Há algo no teu corpo riscado
Que me testa,
Que em mim é festa,
Que me desatina.

Há algo em teus cabelos e olhos negros
Que me cativa,
Que a mim desajuiza,
Que me alucina.

Mas acima de tudo,
Há algo em tua alma
Que se traduz em luz,
Que irradia de teus poros,
E que iluminou
Os becos e vielas
Pelos quais já andei,
Sempre contigo por perto
(de alguma forma)
Ou com você em mim.

És uma estrela
De pujante fulgor
Que cintila em meu caminho,
E quando sigo em tua direção –
Estás em toda e qualquer direção –
És a única direção –
Sei que não estou sozinho.

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Mundo mudo

Mundo mudo

Mundo de agora

Me diz pelo vento

Que sopra lá fora

O dizer devido

Para esta hora

Quando foi embora

O aroma floral de outrora

Que exalava de dentro de mim.

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Olhos do coração

O não sempre traz consigo

A esperança de que dias melhores virão,

Pois a vida sempre será farta e bela

Quando vista pelos olhos do coração.

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Inversos

Eis aqui os meus últimos versos para ti:

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Besteira

Te amo neste fim de noite

Neste meio fio

Neste precipício

Nesta ribanceira.

Te amo contando trocados

Pedindo fiado

Engolindo poeira.

Tanto faz!

Porque tu és este amor

Que jorra de teu peito

E me fecunda por inteiro.

Te amo porque é o que sei fazer

É o que me faz ser quem sou

E o resto é pura besteira.

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Apenas pó

Nunca me olhaste nos olhos

Nunca me fizeste perguntas

Nunca ouviste a minha voz.

Me conheces por fotografia

Pelas minhas poesias

E só.

Sabes meu nome e sobrenome,

Mas não se gosto de chocolate

Ou de pão de ló.

Não sabes e prefiro que não saibas,

Pois pelo jeito que de mim falas

De ti só tenho dó:

És apenas pó.

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Se – Rudyard Kipling

O poema “Se”, do escritor inglês Rudyard Kipling, Prêmio Nobel de Literatura em 1907, é uma jóia de valor espiritual inestimável, que merece profundas reflexões. Desfrutemos agora destas palavras imortais e atemporais:

SE

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a desgraça e o triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas, e refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade;

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho;
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo, e – o que ainda é muito mais – tu és um Homem, meu filho!

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Falta

Fui ali me encontrar:

Volto já ou nunca mais.

Tanto faz se de mim sentirão falta.

A falta que sinto de mim mesmo nunca me faltará.

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Pintassilgo

Canta, coração!

Canta feito pintassilgo –

Preso –

Na gaiola invisível da paixão.

Canta, coração!

Canta até ficar rouco!

E se for chamado de louco,

Cante mais alto,

Pois o teu cantar

É o pulsar do coração.

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Das coisas do coração

Eu nem sei o motivo,
Muito menos a razão,
Das coisas do coração.

Mas estou vivo,
E por isso deve haver sentido
Tanto no sim como no não.

Mas e toda esta multidão,
Que pula de galho em galho,
Tal como se não houvesse chão?

Disso, não sei, não.

Eu nem sei o motivo,
Muito menos a razão,
Mas confio no meu coração,
E é esta crença que me mantém vivo.