Avatar de Desconhecido

P.S. 34

Ela diz para todos que sou o grande erro da sua vida, e ainda assim ela erra compulsivamente todas as sextas e todos os sábados (domingos a combinar) desde que nos conhecemos.

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Inefável

Falar de ti é difícil,
Porque falar contigo
Sobre tudo –
É o que há de mais fácil.

Falar de ti é definir-te,
E tua natureza é indefinível,
Presente nos sorrisos que esbanjas,
Nos abraços que aquecem a alma.

Falar de ti é um vício,
E fiz disto um ofício,
Nos bares da vida te procuro,
E sorvo-te até em beijos que não são teus.

Quero-te em níveis absurdos,
Mas sei que o maior dos absurdos
É acordar e não ver-te em minha cama,
E lembrar que não sou mais teu.

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Em todo lugar

Já disse tantas vezes que te amo

E todas as vezes que disse que te amo

Foram pouco perto do meu querer.

E hoje, que não mais digo que te amo

Amo-te ao ponto de sequer precisar dizer que te amo

Posto que meu amor por ti está no canto dos bem-te-vis

Lá, ali e aqui.

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Mergulho

Do meu orgulho me dispo,
Mas não sem antes fulminar
Com a fúria enlouquecida de meus dentes,
O que com um reles e vadio olhar
Não antes rasguei da tua roupa.

Não percebes que ficaste nua na mesa?
Não percebes que tua calcinha ficou pelo chão?

És o molho e a calda,
A refeição e a sobremesa.

FODA-SE TUDO!
FODAM-SE TODOS!

Fodamos nós…
A sós…
Ou sobre a mesa
Sobrecoxa
Sobre tuas coxas
Sobremaneira!

PORRA!!!

O teu gozo é a ladeira
Para o infinito.

Eu grito!
Eu urro!
Entre nós
Não há muros.

Eu só vivo
E só quero –
Exatamente –
Tudo do que em ti
E em mim mais ainda
Mergulho.

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Escuridão

Não é de fato um adeus
Aquele que é lamentado em palavras
E chorado em poesias.

Talvez seja o prenúncio
De que um adeus que está por vir,
Mas não é mais do que isso.

O derradeiro adeus é mudo,
Cego e surdo:
É a morte do porvir.

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Nada

Na ausência de palavras articuladas,
No silêncio sepulcral que não é meu,
Mas que me invade e me domina,
Arde-me e consome-me,
Tudo cabe,
Tudo é,
Tudo existe.

Não tenho medo de silêncios,
Mas tenho pavor a tudo que eles dizem,
Porque nunca sei se o que eles dizem
É o que de fato estão a me dizer.

Silêncios não me matam,
Mas silêncios me torturam.

E eu permaneço em silêncio,
No opróbrio do nada ignorar,
E do nada, do absolutamente nada, –
Posto que o silêncio é o nada –
Nada saber.

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Lembro-me

Do teu perfume e da tua maquiagem sutil,

Da cor e do corte do teu cabelo,

Da gargantilha e do pingente,

Da cor das tuas unhas,

Dos anéis e dos dedos,

Das leveza das tuas mãos,

Da pulseira e da bolsa,

Da tua roupa e do teu salto,

Da tua cadeira e do teu sentar,

Da água e do vinho,

Da tua mão segurando a taça,

Do nosso brinde e de seus motivos,

Dos assuntos e das conversas,

Das palavras e das entonações,

Dos segredos e das confissões,

Dos sorrisos e das risadas.

Muitas risadas… Todas as risadas…

Do prato principal e da sobremesa,

Da vontade de te ter sobre a mesa,

Da vontade de rolar no chão.

Do motorista do Uber e do curto trajeto,

Das mãos entre as tuas pernas,

Da calcinha que desapareceu,

Dos teus braços me segurando diante do desafio que eram as pedras portuguesas,

Do boa noite para os porteiros,

Da falta de limites no lobby,

Da ânsia inequívoca do elevador,

Da chave magnética que o paraíso abria,

Da tua nudez de corpo e alma,

Da pressa absurda pelo abrigo e para o perigo,

Das almas de joelho,

Dos corpos no espelho,

Das roupas pelo chão,

Do prazer, do desespero, do gozo e da sofreguidão,

Do caos e da falta de limites,

Dos lençóis inutilizados,

Da tua cabeça no meu peito,

Dos teus e dos meus suspiros,

Da sensação de que ali estava tudo e que era só seguirmos em frente…

Quando me perguntam se eu já fui feliz um dia,

É deste dia que me lembro

E corrijo quem me pergunta:

Desde este dia,

Eu sei o que é ser feliz

E a felicidade

É tudo que de ti me lembra.

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Lisérgica

Por que toda vez que eu te lambo,

Por que toda vez que eu caio de boca em ti,

Eu nunca mais volto a ser o mesmo de antes,

De antes de você existir?

Percebes que eu naufrago em tuas águas?

Percebes que não me falta fôlego ou vontade?

Em ti e por ti eu sou o impossível!

Derrama-me!

Escorra-me!

Porque toda vez que de ti saio ou de ti me esvaio

Explodo-me na confidência de que só em ti e em ti sei explodir.

Exploda-me!

Foda-me!

Foda-me!

Ad infinitum…

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Um brinde!!!

Me perdoes por não olhar-te
Como se fosses o prato do dia.

A minha fome não é de comida:
Eu preciso alimentar meu coração
Dar de comer a minha alma
E nada disso se dá
Em uma só refeição.

Somos incompatíveis
Não porque nos falte afinidade –
Que mais do que há, diga-se de passagem –
Mas porque o que tens para me oferecer
É justamente o que não preciso
E o que tenho para te oferecer
Soa-te como completa falta de juízo.

Não é uma crítica –
Que fique claro –
São duas almas buscando um caminho
Que vamos seguir como se entre nós
Nada tivesse acontecido
Até – quem sabe? – tudo acontecer de novo
E de novo, e de novo, e de novo, e de novo…

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Também

Não preciso de ti para nada
E sei que não precisas de mim para nada também.

Somos despretensiosamente voluntários
Das longas conversas,
Das longas caminhadas,
Dos longos abraços,
Dos longos beijos,
Dos corpos em chamas,
Das nossas almas em chamas também.

Sei que tens receio de dizer:
“Eu te amo”,
E eu tenho também.

Mas se houver verdade nisso,
Diante de todos os indícios,
Saiba apenas que eu também.