Avatar de Desconhecido

(auto)enganos

Deixo a cargo do mar

Trazer ou levar

Esclarecer ou escancarar

Meus (auto)enganos.

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Ad nauseam

Na ponta dos dedos,

Aquele ponto, aquele momento,

Em que tudo foi posto a perder.

.

Sobraram palavras,

Faltaram ouvidos,

Sobraram medos,

Faltaram decisões.

.

Faz sentido perceber

O que é de fato sentido –

Deveras sentido,

Compartilhado,

Repetido Ad nauseam –

E que não há mais muito

(ou mesmo pouco)

Que se possa fazer.

.

A esperança é um dom

Que eu perdi,

Um dom que mataram,

Que deixaram em mim morrer.

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Cinza

Se algum dia,

Nossas cores deixarem de ser nossas cores,

Todo o mundo ficará cinza.

Irão embora os sabores,

Os cheiros das flores,

Cinza. Tudo cinza.

E do cinza, das nossas cinzas,

Nem lembranças restarão,

Pois o vento há de levá-las

Para um futuro ermo

De onde nunca voltarão.

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De passagem

A vida passa, meu bem.

Passaremos a vida a deixar

A vida simplesmente apressada passar?

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Com teu cheiro em mim

Espero que não te incomodes

Se eu ficar na cadeira

No canto do teu quarto

Velando teu sono

Enquanto imagino

Como serão

Todos os nossos dias –

Inevitavelmente todos –

Até o fim.

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Rosas secas

A decepção muitas vezes mora
Na frase que escapa da boca –
Mas não dos ouvidos –
Em uma conversa despretensiosa.

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Airbnb

Fui procurar

Te encontrei

Te reservei

(sem possível reembolso)

Pelo resto da vida.

.

Meu endereço é você.

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Breve

Breve

Urgente

A vida

A gente

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Perene

Faz de mim tua fundação,

Teu alicerce.

Constrói em mim teu abrigo,

Teu refúgio.

És parte de mim,

Assim como já sou parte de ti.

Também és minha fundação,

Meu alicerce,

Meu abrigo e refúgio.

E para que não restem dúvidas:

Eu só faço sentido

Quando moras em mim.

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Sem receios

Acredito no que sinto,

E o que sinto é meu guia.

Quando digo que te amo,

Não penso nas consequências,

Ou em qualquer burocracia.

Amo e pronto,

Sem demagogia,

Sem receios,

Pois teus seios

Nutrem todas minhas poesias.