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Uns e outros

contador

Para uns, um contador de visitas

Para outros, um revelador de sonhos

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Nesfit

Queira me desculpar

Mas que perfume você usa?

É que ele fica na minha blusa

Quando eu saio da academia

 

Eu nunca tinha reparado

Mas hoje não deu para ignorar

Quando prendeu seus cabelos

Tal perfume invadiu o ar

 

Sim, combina com você

Flutuando quando anda

E apesar de pouco do assunto entender

Sei que não se trata de simples lavanda

 

Não se incomode comigo

Sou bastante respeitoso

Mas é inegável que se trata

De algo deveras delicioso

 

Sim, falo do perfume

De você eu mal sei

Prazer, meu nome é Fábio

Hum… O seu agora eu sei

 

Aceita um Nesfit?

Compartilho com prazer

Para quem está com fome

Qualquer comida se transforma em algo gourmet.

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Alegria e Felicidade

Tudo é transitório

Tudo é mutável

Menos a minha eterna vontade

De distribuir alegria e felicidade

 

Porque isso fica com as pessoas

É o presente maior que posso dar

Não se compra, não se vende

E deixo pegarem a vontade

 

Sempre que posso, mais do que gosto

De deixar lembranças boas para as pessoas

É uma maneira de me fazer eterno para elas

Eu tenho essa singela necessidade

 

Porque o bem que fiz

A alegria e a felicidade que causei

Fazem de mim pura alegria e felicidade

E assim torno-me um ponto de luz na estrada da eternidade.

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Poesias para dummies

De vez em quando, alguém me faz uma pergunta que me deixa sem chão. Em geral, são perguntas sobre algo que eu disse que faria ou sentia nas minhas poesias.

Vamos começar pelo básico: a leitura da poesia Autopsicografia, de Fernando Pessoa. Insisto… Continue somente APÓS ler esta poesia.

Talvez você já tenha entendido o porque de eu pedir para que lesse a poesia. De qualquer maneira, faço questão de explicar: O POETA É UM EXAGERADO! Já imaginaram como seria uma poesia sem esses toques sutis (ou não) de exagero, sem certa dramatização? Poesia não é notícia de jornal! Ela tem que causar impacto. Tem que ser como um soco no estômago. Então, é um lugar para não se medir palavras. Vida real? Tudo bem diferente…

Um exemplo? Uma poesia de minha autoria: Desista! Novamente, insisto que continue a leitura somente APÓS ler esta poesia.

Pois bem… Alguém realmente acredita que o sujeito desta poesia seja um stalker? Que tipo de pessoa consegue viver em uma corda bamba para sempre, sendo humilhado, ofendido, preterido, etc.? E é justamente nesse momento que as pessoas se perdem ao ler as poesias. Sendo um exagero, está mais do que na cara que o conteúdo da poesia quer mostrar tão somente a determinação do sujeito em estar com sua amada. Só isso. Nada mais. É um exagero da verdade com o objetivo de mostrar uma intenção, e não um plano macabro que será levado a cabo de qualquer jeito.

Na vida real, eu sou uma pessoa… Real! Uma pessoa que ama, que é amada, e que sabe muito bem o momento de tirar o seu time de campo quando necessário. É certo que luto por aquilo em que acredito, mas se a resposta final for um não, por exemplo, é não e fim de papo! Não vai ter barraco, ligações de madrugada, porres, etc. Pode haver tristeza, algum sofrimento, e sentimentos correlatos que todos sabem que são passageiros, mas loucuras? A vida real é bem diferente da vida poética. Bem diferente.

Quem gostaria de ter a seu lado uma pessoa indecisa, por exemplo, para o resto da vida? Quem ama e de fato sabe o que é o amor, também sabe que o amor precisa ser recíproco para funcionar. Até porque quando se insiste no amor não correspondido, a pessoa começa a ficar insuportável, se justificando demais, perdendo a sua própria naturalidade, o que só dá mais motivos para que a outra parte se afaste. Em suma, a pessoa deixa de ser ela mesma. O resto é pura poesia. Não serei hipócrita ao ponto de dizer que se o amor é seu, deve deixa-lo livre e blá, blá, blá… É preciso deixar claro que ama, que quer estar perto e tal, mas até para isso existe um limite. Reciprocidade é a palavra-chave. E quando existe a tal reciprocidade, NÃO EXISTE NADA E NEM NENHUM OBSTÁCULO que consigam acabar com esse amor. Sim, é simples assim.

Acho importante as pessoas terem isso em mente ao lerem as minhas poesias. Amar é uma coisa. Ser masoquista é outra. A vida real é uma coisa. A vida poética é outra. Para amar alguém é preciso, antes de mais nada, ter amor próprio, autoestima. É preciso reconhecer o seu próprio valor e esperar de quem você ama nada menos do que o tratamento, o respeito e a cumplicidade de quem de fato também ama (reciprocidade, certo?). E saber também até onde ir, mantendo a cordialidade e a serenidade, tendo a certeza de que a vida é uma fonte de infinitas possibilidades. Afinal de contas, não é possível prever o amanhã, e todos são absolutamente livres para fazerem suas próprias escolhas. E sim… Livres e obrigados a conviver com as consequências destas mesmas escolhas. Acreditar na vida e no futuro é algo absolutamente fundamental. É preciso ter fé.

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Todas as cartas de amor são ridículas – por Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, in “Poemas”
Heterónimo de Fernando Pessoa

pessoa

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100 sentidos

Há dias que adias os dias

Será que tu não

Ouvias ou vias

Tudo que havia nas vias?

 

O agente por deter gente

Com detergente

Acusa, usa e abusa da siracusa

E da medusa que parece musa

 

Diga-me um senão

Se não eu digo não

A fim do fim afim

Outrossim, outro assim sim!

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Quebrado

Há dias em que eu simplesmente queria

Estar fora da área de cobertura

E que ninguém tentasse me ligar mais tarde

 

E queria também, que após o sinal sonoro

Não me deixassem recados

Pois serão tarifados

E eu estou de saco cheio.

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Desista!

Serei claro de uma vez por todas:

 

Não há confusão ou zorra que você promova

Que me faça menos altruísta

 

Não há planos de médio e longo prazos

Que façam de mim um derrotista

 

Não há ofensa ou descrença que você profira

Que façam com que eu não insista

 

Não há medo, culpa ou desculpa

Que façam com que você resista

 

Até quando?

 

DESISTA!

desistir

 

 

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Sem arrependimento

Nada me faz mais falta do que ainda não vivemos

Acho que merecíamos, quem sabe

Usufruir do direito de nos arrependermos

 

Eu deito minha cabeça no travesseiro e sinto

Que por mais que insistamos nos rodeios

Fugimos do inevitável, do que não pode ser extinto

 

E assim, nessa disputa de para lá de infantil

Vamos em frente, confiantes, próximos e distantes

Ignorando que foi o amor que nos chamou e nos uniu

 

Felicidade, espera por nós!

Talvez em alguma curva ou atalho do caminho

A encontremos novamente

Por favor, nos perdoe por isso…

Não se deve fugir ou ignorar o que se sente

 

Se essa era a lição

Que venha a próxima

Não vamos desistir nunca

NÃO!

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Ossos quebrados

E eu fico aqui me perguntando:

Como seria sua vida

Se eu não existisse?

 

Não cheguei para repetir

Vim quebrar paradigmas

E paradigmas são como ossos:

Quebra-los faz parte do meu ofício.

 

P.S.: Uma vez quebrados, paradigmas não se recuperam.

ossos