Não sou ponto de partida
Não sou ponto de chegada
Eu sou a jornada
Sou a reticência
O et cetera
Id est
A presença
A saudade
O sonho
A realidade
O brilho
A certeza
O finalmente!
O ufa!
O até que enfim
O para sempre
O até o fim.

Não sou ponto de partida
Não sou ponto de chegada
Eu sou a jornada
Sou a reticência
O et cetera
Id est
A presença
A saudade
O sonho
A realidade
O brilho
A certeza
O finalmente!
O ufa!
O até que enfim
O para sempre
O até o fim.

Nunca fugi de ti
Sempre fugi de mim
Em teus braços
Descobri-me
Vi-me
Pela primeira vez
E o eu que existia
Destronou-se de mim
Percebi com clareza
O quanto eu era “meio”:
Meio feliz
Meio realizado
Meio completo
Meio inteiro
Meio vivo
Eu era só metade
Metade de mim
Não aceito!
Não quero mais ser meio
Quero ser inteiro
Viver intensamente
Ser potencialmente
Tudo que de fato sou
Tudo que jazia absorto
Talvez morto
Dentro de mim
Processo irreversível
Ainda mais agora que sei
Que somente juntos
Tu e eu somos infinitos
Nas risadas
Nas lágrimas
Nos pensamentos
Nos carinhos
Nos gemidos e gritos
Somos o nexo causal
De vidas plenas
Destino presente
Transparente
Certo
E para deixar claro
Em fugir
Já nem penso mais
Pois já não há mais paz
Em fugas e atalhos
Que me levem
Para longe de ti
Em teus braços
Encontrei o aqui
O agora
Só te peço que sem demora
Permita-me ser inteiro
Teu inteiro
Permita que sejamos
O tu e eu verdadeiros
Por fim e sem fim
Derradeiro.

Sem pressa…
Sempre haverá o dia seguinte
Até o dia seguinte
Não a ver mais.

Que não seja contigo
Mas é sempre por ti
É sempre em ti
És tudo
Absolutamente nada mais –
Posto que não há nada mais –
Cabe em mim
Tu me transbordas
És enchente
És vida
És o presente
És o ausente
És o nascer
És o poente
És tudo
Estás
Invariavelmente
Inexoravelmente
Nos milissegundos do sempre
Aqui.

Já ouvi dizer que é a morte que nos iguala. Ricos e pobres, pretos e brancos, vamos todos morrer. TODOS. Não há exceção.
Sempre me incomodou essa visão pessimista. Será que só somos iguais no fim de tudo? O que nos iguala no hoje, no agora? E cheguei a uma conclusão muito simples. Tão simples que chega a ser assustadora. O que nos iguala é o amor.
O amor não repara nesses detalhes. Sim! Não repara! O amor não repara e é irreparável. Ele simplesmente não se importa. Ele chega, quer seja na forma de uma paixão arrebatadora ou como uma brisa leve, e decide ficar. Essa é uma das características mais marcantes do amor. Ele fica. Não faz perguntas, não precisa de uma explicação, e não pede autorização. Ele pode. Ele decide. Ele é decisivo. Ele é agente de mudança. Ele é a mudança.
Não importa o tempo. Não importa a distância. Não importa a idade. Não importa a fase ou o momento da vida. Quando ele chega, ele chega. Ele existe. Ele é. Negá-lo é negar-se. Fugir dele é fugir de si mesmo. Esforço inútil. O amor vence. Sempre. O amor é em sua essência um vencedor. Ele não busca a vitória. Ele é a vitória.
Então, permita igualar-se antes que a morte chegue. Não tenha medo. Jamais! Ame! Seja amado! Entregue-se! A vida se encarrega de acertar os detalhes. E assim, sorria diante de sua morte, sabendo que foi e viveu tudo que poderia viver em vida.

Quando perdermos a conta de quantos outonos já passamos juntos, e chegar o momento de descansarmos pela eternidade, peço que Deus nos leve ao mesmo tempo ou que te leve antes de mim. Prefiro eu ficar com a dor da tua ausência do que ver-te sofrendo com a minha. Até porque sei que irei naturalmente logo depois de ti. Corações ligados pelo mais puro e sincero amor, não conseguem sobreviver se não estiverem juntos. Sinto e sei que somos para toda eternidade.
Nosso amor é a prova de que a eternidade existe.
Impressiona…
O quanto se diz em silêncio
Talvez devêssemos ficar mudos
Para todo o sempre.
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Havia tanto a dizer
Que não disse…
Coitado!
Morreu soterrado por suas palavras.
E havia tanto a dizer
Que não teve tempo…
Coitada!
Viverá para sempre com suas palavras.
O amor é assim
Se até o que é dito é subjetivo
O que falar do que não é?
O silêncio é o assassino inconfesso dos amores
Sugestão?
Não perca tempo e confesse.
