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Talvezes

Talvez se a gente bater aquela fotografia
E ela virar poesia de alguma forma
Algum dia
Vai que você a posta no Instagram?
Para que vejam a sua mãe e sua irmã
Para que saibam de mim
Ainda que não me aceitem
Mas para que saibam que eu existo.

Talvez se eu lhe oferecer mais um trago
Um aceno, um abano
Um aperto, um agrado
Talvez… Talvez…
E talvez você me entenda:
É tudo pessoal
Vivo e sentimental
Lógico e irracional
Coração na ponta dos dedos
No tato, no toque, na escrita
Em tudo
E meus pés nunca tocam o chão.

Talvez, meu amor
O maior de todos
Você, meu amor
Quem sabe assim eu caiba
De alguma maneira
Nas músicas do Ed Sheeran
Que eu queria ter escrito
Vivido com você.

E talvez (com certeza)
Se restassem apenas 10 centavos
E eu tivesse que apostar na Mega Sena
Eu viveria em uma Teimosinha com você.

Você não é os meus talvezes
É todos os meus porquês
Meu fundo de panela
Alho, cebola e pimenta do reino
Meu cravo e minha canela
Meu hoje, meu ontem
Meu sempre

Talvez não!
Nunca talvez
Todos os dias
Você sempre.

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Nem doía

De todas as vezes que senti

(e foram muitas),

Esta foi a que doeu mais.

Talvez porque agora eu esteja pronto

Para sentir tudo aquilo que eu dizia antes

Que nem doía.

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Vitamina D

No calçadão da praia, o sol me recebeu feito velho amigo.

Me deu um abraço forte, puxou uma cadeira e me pediu para sentar.

Perguntou da minha vida, dos meus sonhos, dos meus planos, e me ouviu sem pressa, sem me julgar.

Eventualmente, me olhou com profunda compaixão e empatia, e me incentivou onde eu parecia hesitar.

E antes de eu ir embora, me deu outro abraço, desta vez mais longo e forte, e disse que adoraria me ver com mais frequência, pois minha ausência era sentida por toda a gente.

Todos nós precisamos de sol. E que eu possa ser ao menos parecido com o sol na vida das pessoas. A tal da vitamina D é capaz de fazer milagres.

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Sob meu colchão

Tenho pedidos

E entregas,

Perguntas

E respostas,

Dúvidas

E certezas,

Risos

E lágrimas

Guardados sob meu colchão.

.

E durante a noite,

Quando menos espero,

Eles dão o ar de sua graça

E me acordam aflito.

.

Mas a aflição tem diminuído,

E aos poucos

Estou me acostumando a lidar

Com o que me parecia impossível.

.

Outro dia ouvi a nossa música

E peguei o violão.

Arrisquei uns acordes.

Preciso arriscar mais.

Preciso praticar mais.

Preciso viver mais.

Preciso xingar mais.

.

Tenho me arriscado cada vez mais a viver,

Ainda que haja coisas sob meu colchão.

.

Que um dia elas estejam sobre meu colchão.

.

Que um dia elas não estejam mais em meu colchão.

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Basta deixar

Vou te chamar de esperança e te convidar para jantar.

Vou te mandar rosas vermelhas e bombons de licor para acompanhar.

Vou te dar bom dia e o teu dia abençoar.

Vou te ouvir com atenção e teus segredos abraçar.

Vou me aninhar em teus braços e me apaixonar.

E pode acreditar: será de verdade.

É só o teu coração deixar.

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Sismologia

Sinto o teu gotejar no meu rosto,

E logo sorvo da tua cadência,

Afogando-me em teu ritmo,

Que se alterna do piano ao fortissimo,

Fazendo verter teus pensamentos.

.

Minha boca conversa com teus lábios,

E na busca do que tens por dentro,

Falo línguas ainda não criadas,

Provocando a origem dos teus tremores:

Teu entumecido epicentro.

.

E para que tudo bem se acabe,

Tua boca engole meus argumentos,

A verborragia escorre em teu paladar,

Não paro de falar,

És um tormento!

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Eriçada

Te lembro nua em nossa cama,

Enquanto minha fala jocosa implicava:

“Estás com frio? Estás eriçada!”

A mordida em teus próprios lábios me respondeu sem palavras,

Que eras e querias ferro em brasa,

E que de frio em ti não havia ou cabia absolutamente nada.

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Espelho do banheiro

Me olhei no espelho do banheiro e não te vi a meu lado.
Foi a primeira vez em muito, muito tempo.

Senti uma dor aguda –
Dor de morte.
Nenhuma lágrima –
Estado de choque.

E então me ocorreu que fiz de tudo –
Talvez mais do que devia –
Para evitar este reflexo dorido,
O “nós dois” esquecido,
O caminhar rumo ao desconhecido,
Rumo a outros braços – outro coração.

Agradeci a Deus por tudo.
Somente um obrigado – mudo!
Recordações de todos os tipos –
Paixão, amor, tesão, vício –
E um senso de que nada foi em vão,
Nada mesmo –
Nem as manchas que ficaram no colchão.

Me olhei no espelho do banheiro e não te vi a meu lado.
Foi a primeira vez em muito, muito tempo,
Que eu me vi.

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P.S. 54

O que você não está mudando na sua vida, você está escolhendo viver.

(leia novamente)

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Não obstante

No teu último pensamento
Nas costuras da fronha do teu travesseiro
Nas dobras do lençol que não rimam com teu corpo
Nas pernas que se movem sem saber para onde ir
É aí que estou.

Porque o dia pode passar sem mim
As risadas podem disfarçar a minha ausência
O trabalho pode abafar as nossas indecências
A música alta pode abafar os gritos da tua alma
Mas é aí que estou.

E não estou aí porque pedi
Não estou aí porque quero
Estou porque me queres
Porque tuas lembranças te inundam
E deixam marcas indeléveis nas tuas coxas.

Estou aí.

No mosaico de pensamentos conflitantes
Na busca interminável e arfante
Por uma droga que possa aplacar
O fogo que dança no meio do teu peito
E que se renova em tuas fugas incessantes.

Estou aí
Continuo aí
Nos teus gozos
Nas tuas cicatrizes
Não obstante.