Avatar de Desconhecido

Anseios

Aonde eu estaria se não estivesse onde estou?

Seriam os sonhos os mesmos?

E os anseios, receios?

Teriam os mesmos nomes

E trariam consigo as mesmas dúvidas,

As mesmas paixões e amores?

Pitadas de solidão?

Do que eu me defenderia?

Para o que eu me abriria?

Padeceria de lonjuras

Ou me afogaria em presenças?

Riria de mim mesmo ou deixaria que rissem de mim?

Teria eu mais apelo?

Uma carta na manga… Algo assim?

Ou seria só um indolente,

Refastelado em uma poltrona decadente,

Com centenas de controles remotos (sem pilhas) nas mãos?

Está tudo bem, eu sei.

Me disseram que está tudo sob controle.

Que bom.

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Sentindo

No que pensar

Do que falar

Quando tudo ao redor

Parece não ter sentido,

Ainda que tenha sido sentido?

LOUCURA – de Natalicio Borges Jr
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Abrigo

Talvez eu fique fora da foto

Ou mesmo do agradecimento no livro

Tudo bem… Não preciso.

Me basta ter sido preciso

Quando tua alma precisava de abrigo.

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Pingado? Não, obrigado

Tomou só um café

E foi com fé

Nunca quis uma vida café com leite.

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É pela saudade

No café da manhã, enquanto ela lia as notícias e conversávamos sobre elas.

Na hora de dormir, vendo “O mundo visto de cima”.

Sinto falta de tudo que acontecia durante o dia.

Nunca senti uma saudade tão intensa.

Já xinguei Deus por conta disso. Já agradeci a Deus por tudo isso.

Tenho memórias e milhões de histórias.

Tenho sorrisos que aparecem por conta de lembranças. Também tenho lágrimas que aparecem pelo mesmo motivo.

Mas, acima de tudo, sempre muita saudade.

E quero viver com ela mais memórias e milhões de histórias.

Porque se não é pela presença, é pela saudade que eu vivo.

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Anil

Te olhar nem sempre é com os olhos.

Por vezes, sinto minhas entranhas atiçadas, pois és parte delas.

Por vezes, quando as minhas pálpebras fingem que dormem, lá estás, lá vives.

Nenhuma força é maior do que ti, e por isto acabaste com meu estado de natureza.

És o meu estado meu estado civil, e o céu se faz anil todos os dias, até nos dias que não te vejo.

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Natal – 2023

Presente de Natal?

Ter vivido algo

Digno de sair no jornal

(bem longe da seção policial)

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Sem você

Vinho sem você não tem contexto.

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Meninando

Menino sentado no muro
Vivendo o futuro
Antes que ele aconteça

Os pés descalços
As mãos para o alto
Tentando pegar uma estrela

E agora que virou adulto
É só mais um vulto
Tentando meninar
Revivendo o passado
Antes que desaconteça.

94c98jato

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Despidas

E nas madrugadas
Nunca, nunca frias
Sentiam-se invisíveis e imunes
Protagonistas de seus próprios dias:
Nada, nada temiam
Pois o medo não lhes reconhecia.

E nas vielas quase escuras
Em retas e curvas
Seus corpos queimavam
E se consumiam
Sem nenhum pudor –
Puro resplendor –
Que em seus corpos flamejantes ardia.

Cegavam olhos curiosos
De pregadores –
Pecadores! –
Zelosos tentando manter ao longe
Aqueles que tinham a galhardia
De ser a soma fecunda e profunda
Do estarrecedor desejo que a eles consumia.

Tendo a Lua como única testemunha
Da sua luxúria e devassidão
Não se importavam
Em fazer ouvir aos outros
Os inúmeros
“Eu te amo”
Ditos entre suas peles e almas despidas.