Fui procurar
Te encontrei
Te reservei
(sem possível reembolso)
Pelo resto da vida.
.
Meu endereço é você.

Fui procurar
Te encontrei
Te reservei
(sem possível reembolso)
Pelo resto da vida.
.
Meu endereço é você.

Breve
Urgente
A vida
A gente

Faz de mim tua fundação,
Teu alicerce.
Constrói em mim teu abrigo,
Teu refúgio.
És parte de mim,
Assim como já sou parte de ti.
Também és minha fundação,
Meu alicerce,
Meu abrigo e refúgio.
E para que não restem dúvidas:
Eu só faço sentido
Quando moras em mim.

Acredito no que sinto,
E o que sinto é meu guia.
Quando digo que te amo,
Não penso nas consequências,
Ou em qualquer burocracia.
Amo e pronto,
Sem demagogia,
Sem receios,
Pois teus seios
Nutrem todas minhas poesias.

Amor sem doses de sacrifício e renúncia não passa de efêmera paixão com eventuais toques egóicos de apego.

Não me beijes hoje,
Não me abraces hoje,
Porque posso não estar aqui amanhã,
Porque posso não acordar de novo.
Faz tudo isso –
De novo, e de novo, e de novo,
Porque amanhã sei que me quererás,
Assim como sei que hei de te querer
De novo, e de novo, e de novo,
Feito hoje.

A frase nem sempre precisa ser dita.
Ela existe e insiste em se fazer presente
Nos atitudes e nos simples gestos que se mostram amiúde.
.
A frase escancara e soleniza sem pompa
O que já foi dito no toque corriqueiro,
No desejo que se esvai líquido e infinito,
Tangenciando as curvas cirúrgicas do tempo,
Rumo ao início de tudo que desde sempre deveria ter sido.
.
Não é sobre dizer eu te amo:
É sobre o rio que busca o mar
E sempre, de olhos cerrados, o encontra.
.
Em nosso leito,
Não resta pedra sobre pedra,
Seixo sobre seixo.
Só queixo sobre queixo,
Só eu e você.
.
E para não deixar dúvidas, mais uma vez,
Insisto na frase que nem sempre precisa ser dita –
E que de mim grita:
Eu para sempre te amo.

Que pode uma criatura senão,
Entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar,
Amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
Sozinho, em rotação universal, senão
Rodar também, e amar?
Amar o que o mar traz à praia,
O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
O que é entrega ou adoração expectante,
E amar o inóspito, o áspero,
Um vaso sem flor, um chão de ferro,
E o peito inerte, e a rua vista em sonho,
E uma ave de rapina.
Este o nosso destino: Amor sem conta,
Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
Doação ilimitada a uma completa ingratidão,
E na concha vazia do amor à procura medrosa,
Paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
E na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Eu sei que é segunda-feira
Mas todo o meu desejo
Toda falta que me fazes
Tudo que em mim queima e arde
Jaz vivo a meus pés:
Caminho em brasas.
.
Não há nada que possas me dizer
Nesta comum segunda-feira
Que acalme a serpente
Que trafega em minhas veias
E me traz extra sístoles:
Quero inocular-te.
.
Comigo estou em guerra
E isto é um fato
Uma parte de mim vive de lembranças
A outra vive a espera das tuas cheganças
E por um acaso é segunda-feira
Mas assim é todos os dias da semana.
