Avatar de Desconhecido

Com teu cheiro em mim

Espero que não te incomodes

Se eu ficar na cadeira

No canto do teu quarto

Velando teu sono

Enquanto imagino

Como serão

Todos os nossos dias –

Inevitavelmente todos –

Até o fim.

Avatar de Desconhecido

Airbnb

Fui procurar

Te encontrei

Te reservei

(sem possível reembolso)

Pelo resto da vida.

.

Meu endereço é você.

Avatar de Desconhecido

Breve

Breve

Urgente

A vida

A gente

Avatar de Desconhecido

Perene

Faz de mim tua fundação,

Teu alicerce.

Constrói em mim teu abrigo,

Teu refúgio.

És parte de mim,

Assim como já sou parte de ti.

Também és minha fundação,

Meu alicerce,

Meu abrigo e refúgio.

E para que não restem dúvidas:

Eu só faço sentido

Quando moras em mim.

Avatar de Desconhecido

Sem receios

Acredito no que sinto,

E o que sinto é meu guia.

Quando digo que te amo,

Não penso nas consequências,

Ou em qualquer burocracia.

Amo e pronto,

Sem demagogia,

Sem receios,

Pois teus seios

Nutrem todas minhas poesias.

Avatar de Desconhecido

Vim trazer verdades 68

Amor sem doses de sacrifício e renúncia não passa de efêmera paixão com eventuais toques egóicos de apego.

Avatar de Desconhecido

Mandala

Não me beijes hoje,

Não me abraces hoje,

Porque posso não estar aqui amanhã,

Porque posso não acordar de novo.

Faz tudo isso –

De novo, e de novo, e de novo,

Porque amanhã sei que me quererás,

Assim como sei que hei de te querer

De novo, e de novo, e de novo,

Feito hoje.

Avatar de Desconhecido

Seixos

A frase nem sempre precisa ser dita.

Ela existe e insiste em se fazer presente

Nos atitudes e nos simples gestos que se mostram amiúde.

.

A frase escancara e soleniza sem pompa

O que já foi dito no toque corriqueiro,

No desejo que se esvai líquido e infinito,

Tangenciando as curvas cirúrgicas do tempo,

Rumo ao início de tudo que desde sempre deveria ter sido.

.

Não é sobre dizer eu te amo:

É sobre o rio que busca o mar

E sempre, de olhos cerrados, o encontra.

.

Em nosso leito,

Não resta pedra sobre pedra,

Seixo sobre seixo.

Só queixo sobre queixo,

Só eu e você.

.

E para não deixar dúvidas, mais uma vez,

Insisto na frase que nem sempre precisa ser dita –

E que de mim grita:

Eu para sempre te amo.

Avatar de Desconhecido

Amar – Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
Entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar,
Amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
Sozinho, em rotação universal, senão
Rodar também, e amar?
Amar o que o mar traz à praia,
O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
O que é entrega ou adoração expectante,
E amar o inóspito, o áspero,
Um vaso sem flor, um chão de ferro,
E o peito inerte, e a rua vista em sonho,
E uma ave de rapina.

Este o nosso destino: Amor sem conta,
Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
Doação ilimitada a uma completa ingratidão,
E na concha vazia do amor à procura medrosa,
Paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
E na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Avatar de Desconhecido

Sussurrando…

Foi no silêncio que tudo aconteceu.

Longe das câmeras e dos flashes.

Ninguém viu, ninguém comentou,

E ficou.

Falou mais alto

O sussurro do amor.