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Ainda assim

Alguns dias são muito difíceis.

A dor não vem leve.
Ela pesa.
O corpo sente antes mesmo do pensamento conseguir se organizar.
O peito aperta.
O ar falha.
Há momentos em que tudo parece próximo de parar.

E surge a pergunta:
“O que eu fiz para merecer isso? Aonde foi que eu errei?”

Há momentos em que eu gostaria de ser o culpado —
inteiramente responsável —
apenas para ter o que mudar,
para ter por onde começar.

Mas nem sempre existe causa clara.

A dor não bate à porta.
Ela entra.
E ocupa.

Não há para onde ir.
Não há como evitar.
Não há argumento que alivie,
nem distração que alcance.

Resta apenas atravessar.

Atravessar com o que ainda resta de mim,
Com respeito e dignidade,
sem negar o que foi vivido,
sem diminuir o que senti.

Porque algumas dores não são pequenas.
Não são passageiras.
São daquelas que atravessam por inteiro —
corpo, memória, silêncio —
e por alguns instantes,
parecem não ter fim.

E ainda assim… a dor cede.

Não porque deixamos de sentir,
mas porque algo em nós aprende a suportar.

E quando ela cede,
já não somos mais os mesmos.

Talvez mais firmes.
Talvez mais conscientes.

Sobretudo, ainda de pé.
Ainda assim.

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Sem amarras

Céu sem amarras:

o que parte de mim

volta vento.

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Amar é aceitar perder

Há uma ilusão confortável que nos protege, mas também nos impede de viver: a ideia de que podemos amar sem nos expor de verdade.

Como se fosse possível sentir profundamente sem pagar o preço disso.

Não é.

O amor não entra em quem está inteiro demais, protegido demais, intacto demais.

Ele atravessa falhas. Ele exige fissuras. Ele pede risco.

E o risco é sempre o mesmo: perder.

Amar é abrir uma porta para dentro de si mesmo sabendo que alguém pode sair por ela.

Perder o outro. Perder a si mesmo. Perder o lugar. Perder aquilo que, por um instante, pareceu definitivo.

Amar é, inevitavelmente, aceitar essa possibilidade. É entrar sabendo que não há garantia.

É dizer “fica” sem poder impedir que alguém vá.

É oferecer o que há de mais verdadeiro sem saber se isso será cuidado ou deixado de lado.

E por isso há quem se paralise…

Não por falta de amor, mas por medo de sentir demais e depois ficar com o vazio.

Porque amar expõe. Amar vulnerabiliza. Amar retira as defesas que sustentam a ilusão de controle.

E, sem controle, surge o medo.

O medo de abandono. O medo de não ser escolhido. O medo de não ser suficiente.

Mas há uma verdade que, cedo ou tarde, se impõe: tudo que se protege demais deixa de acontecer.

Quem não se arrisca, não encontra.

Quem não se abre, não toca.

E o amor, quando fica só na intenção, não passa de uma ideia bonita.

Ali, nada vive.

Eu aceito isso hoje com mais clareza: posso ser deixado, posso não ser escolhido, posso sentir falta.

Mas também sei que, sem atravessar esse risco, nada acontece de verdade.

Viver sem que algo verdadeiro aconteça é, no fundo, uma forma silenciosa de ausência.

Prefiro o risco.

Prefiro o encontro que pode terminar ao vazio de nunca ter começado.

Porque, no fim, amar não é garantir permanência.

É ter coragem suficiente para não impedir que algo real exista, mesmo sabendo que pode não durar.

Amar é abrir uma porta para dentro de si mesmo sabendo que alguém pode sair por ela.

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O ar frio da espera

A distância não é feita de quilômetros. Ela é feita de silêncios que pesam, de chamadas que não acontecem, de mãos que se estendem no escuro, encontrando apenas o ar frio da espera.

Dizem que o tempo cura, mas o tempo longe de quem ama é um auditor impiedoso: mostra que a cada instante distante, uma fibra da alma se rompe.

A distância machuca – não por afastar o corpo, mas por obrigar a conviver com o fantasma de quem escolheu ficar onde não se alcança.

Quando o caminho se torna longo demais, o coração aprende, por sobrevivência, a parar de bater na porta de quem fez da distância o seu lugar.

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Perene

Faz de mim tua fundação,

Teu alicerce.

Constrói em mim teu abrigo,

Teu refúgio.

És parte de mim,

Assim como já sou parte de ti.

Também és minha fundação,

Meu alicerce,

Meu abrigo e refúgio.

E para que não restem dúvidas:

Eu só faço sentido

Quando moras em mim.

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Aquilo que permanece – Parte 1/3

O que falta também ocupa lugar.

I. Lado Ausente

Olhei para o seu lado da cama.

Você estava —
como sempre fica
tudo o que em mim
ainda insiste.

Estendi a mão.
Nada toquei.

O vazio
não recua.


II. Vestígio

A posição do travesseiro
ainda guarda
um gesto antigo.

Nada ali se move.

E, ainda assim,
algo se repete.


III. Medida

O colchão sabe
onde você esteve.

Eu
já não alcanço.


IV. Forma

Não havia você,
mas o espaço
seguia com a sua forma.

Respirei fundo.

O ar não traz de volta
o que insiste em faltar.


V. Interrupção

Fechei os olhos.

Ali,
você sem falha
estava.

Abri.

E tudo desaba
sem ruído.


VI. Limite

A noite deita ao meu lado
sem tentar substituir.

Ela sabe
o que não é.


VII. Verdade

A cama fria
não mente.

Ela não lembra,
não tenta,
não inventa.

É mais honesta
que a memória.


Aquilo que permanece – Parte 1/3 | Agora Babou

Aquilo que permanece – Parte 2/3 | Agora Babou

Aquilo que permanece – Parte 3/3 | Agora Babou

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Reverbera

Na cozinha ainda tem você.

Não em corpo,

Mas no espaço que ficou.

.

O copo, o gesto, a presença que parecia casa.

.

Havia algo ali – simples, suficiente.

E agora não há mais nada acontecendo,

Mas tudo ainda reverbera em mim.

.

Não foi você quem ficou:

Foi o que eu senti ao seu lado

E que ainda respira por aqui.

.

E dói.

.

Talvez não fosse para ser.

Talvez…

Mas, por alguns instantes,

Pareceu inteiro,

Pareceu verdadeiro.

Pelo menos para mim.

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Deságua

Fé na corrente:

o rio não escolhe o mar,

mas nele chega.

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Nossa Senhora de Fátima – 2026

Sempre fui devoto de Nossa Senhora de Fátima e o dia 13 de Maio sempre foi especial para mim. Cheguei a achar que era por conta de grande parte de minha família ser portuguesa, mas não. Não mesmo. É algo que eu tenho dentro de mim e não sei sequer explicar.

Na primeira vez que estive no Santuário de Fátima, meu mundo mudou, minha vida mudou, tudo mudou. Eu passei a sentir uma presença constante em minha vida, e todas as vezes que eu me sentia perdido de alguma forma, sem perceber era a Ela que eu recorria, na esperança de que ela intercedesse diante de Nosso Senhor Jesus Cristo. E ela sempre intercedia.

Muitas vezes, parecia que a minha vida estava indo para trás, quando na verdade era Ela evitando que eu enfrentasse um problema maior. Dois passos para trás seguidos de mil passos para a frente.

Então, no dia de hoje, nada tenho a pedir. Só quero agradecer o que Ela tem feito por mim e por minha família. Sinto-me abençoado e abraçado por Ela todos os dias.

Ave Maria

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.

Que o amor de Nossa Senhora de Fátima esteja nos lares de todos vocês!

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Artemisia absinthium

Preciso confiar mais no meu instinto:

Menos amor

Mais absinto.