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Vida sem rodinhas

Tem gente que acha que amor é doença, que felicidade é ilusão, que arriscar não é permitido, e que a idade e os compromissos são um impeditivo para viver. Tem gente que tem medo de não estar no controle, de flutuar, de borboletas no estômago, de sorrir sem motivo, de sonhar o até então impensável…

Eu? Eu não acho nada. Sei que a vida colocará em meu caminho o que for melhor para mim. Eu simplesmente acredito na minha capacidade de atrair o que é melhor e que nada acontece por acaso. Felizmente, eu já aprendi a viver a vida sem rodinhas. E quando a gente aprende, nunca esquece.

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Comigo

Não sei…

Não consigo me expressar

Deixo para que o tempo diga

O que o tempo dirá

Verborragicamente me calo

Silêncio…

Nem eu me aguento

Estou sem dó de mim

Espreito a chance

Aquele peculiar instante

O tórrido romance

Do meu eu contigo

E eu sigo

Confiante

Perto ou distante

Carrego-te comigo.

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Obra-prima inacabada

Ah! Este passado ausente
Que te faz discrente da vida
Do mundo, de tudo…
E se teu grito ficou mudo
Foi só para um alguém.

Por que te sentes assim?
Não há felicidade no adeus –
É claro que eu compreendo
Mas se o futuro vem para ti correndo,
Deves ignora-lo por capricho?

Atenta-te para o que não te falta!
Tens o mundo a teus pés
Loucuras, aromas, odores
Gostos, cheiros, sabores
Por ti e em ti – tudo teu!

E que não me obrigues a dizer
O que sempre achei de ti
Pois terei que fazer isso sem palavras
Libertando-te de tuas amarras
Para te fazer mais do que mulher.

E caso seja esta uma opção viável
Que tu uses e abuses de mim
Será meu prazer ser teu escravo
E meu prazer que só para ti narro
Será uma constante no teu dormir.

E no acordar também – que fique claro!
Não sou dos tipos que fogem durante a noite
Se queres dançar esse momento triste,
Que saibas que dentro de ti fogo ainda existe
E quero, preciso me queimar.

Não me leves a mal se por ora
Pareço abusar de sua aparente carência
Abusar-te-ia antes se pudesse
Se uma chance só por um acaso desse
Dentro de ti já teria sentido tudo que digo.

Amor, amante, amigo
Sou tudo menos teu inimigo
Só quero-te longe do precipício
Pois a tristeza não é teu ofício –
Tu nasceste para ser amada.

Sim. És obra-prima inacabada.

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Verossimilhança

Eu sou a sombra dos teus desejos
A parte deles que nunca dorme
A parte que sempre te acompanha
Por mais que o negues quando foges

Tua fuga me agiganta e de nada adianta
Fico mais forte – nunca ausente
Ainda que me renegues repetidas vezes
Faço parte de ti, sempre presente

Tua lógica não me enfraquece
Tua negação me faz rir
Não posso ser descartado, jogado fora
Por que insistes em insistir?

Se soubessem a fúria louca que tens pode dentro
Se soubessem da mulher que finges que não és
Teriam medo de ti como não tenho
Ou achariam isso tudo um grande revés?

Que sorte a minha serem tolos assim!
Deflagro-te ainda que à distância
És parte do que sou em essência
És minha mais pura e devassa verossimilhança

Não se queixes de eu existir
Sou o derradeiro conduíte da tua felicidade
Se impura fores, impura é nossa essência
Da qual nos regozijaremos por toda a só nossa eternidade.

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Por ti

Que não seja contigo

Mas é sempre por ti

É sempre em ti

 

És tudo

 

Absolutamente nada mais –

Posto que não há nada mais –

Cabe em mim

 

Tu me transbordas

És enchente

És vida

És o presente

És o ausente

És o nascer

És o poente

 

És tudo

 

Estás

Invariavelmente

Inexoravelmente

Nos milissegundos do sempre

Aqui.

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RSVP

De que me vale todo esse jardim

Se a flor que eu quero

Não exala seu perfume

Para mim?

 

Onde estás, minha rosa?

Onde estás?

Meu coração tem solo fértil

Não queres criar raizes

E por aqui ficar?

 

Ao menos

Que tu fiques com meu convite:

Individual

Intransferível

Data ainda a definir.

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Que nós tenhamos um lindo dia!

Lembra de como era no início?

Eu escrevia uma poesia

Você imediatamente lia

Imediatamente aparecia

Sorria

Agradecia

Ficava lindo o nosso dia!

 

Depois, virou rotina

Muito embora mais ricas as poesias

Mas nem sei se as lia!

Sequer aparecia!

Não sei se sorria

Agradecer, não agradecia

Ficava nublado o meu dia.

 

Mas você não vai me mudar

EU SOU ASSIM!

Eu sou poesia

Eu amo por amar

Escrevo por necessidade

Não por vontade

Quer seja por presença

Ou saudade!

 

Que nós tenhamos um lindo dia!

E que nossos corações se aqueçam

Quer seja com café

Ou com poesia.

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O amor nos iguala

Já ouvi dizer que é a morte que nos iguala. Ricos e pobres, pretos e brancos, vamos todos morrer. TODOS. Não há exceção.

Sempre me incomodou essa visão pessimista. Será que só somos iguais no fim de tudo? O que nos iguala no hoje, no agora? E cheguei a uma conclusão muito simples. Tão simples que chega a ser assustadora. O que nos iguala é o amor.

O amor não repara nesses detalhes. Sim! Não repara! O amor não repara e é irreparável. Ele simplesmente não se importa. Ele chega, quer seja na forma de uma paixão arrebatadora ou como uma brisa leve, e decide ficar. Essa é uma das características mais marcantes do amor. Ele fica. Não faz perguntas, não precisa de uma explicação, e não pede autorização. Ele pode. Ele decide. Ele é decisivo. Ele é agente de mudança. Ele é a mudança.

Não importa o tempo. Não importa a distância. Não importa a idade. Não importa a fase ou o momento da vida. Quando ele chega, ele chega. Ele existe. Ele é. Negá-lo é negar-se. Fugir dele é fugir de si mesmo. Esforço inútil. O amor vence. Sempre. O amor é em sua essência um vencedor. Ele não busca a vitória. Ele é a vitória.

Então, permita igualar-se antes que a morte chegue. Não tenha medo. Jamais! Ame! Seja amado! Entregue-se! A vida se encarrega de acertar os detalhes. E assim, sorria diante de sua morte, sabendo que foi e viveu tudo que poderia viver em vida.

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Por amor

Quando perdermos a conta de quantos outonos já passamos juntos, e chegar o momento de descansarmos pela eternidade, peço que Deus nos leve ao mesmo tempo ou que te leve antes de mim. Prefiro eu ficar com a dor da tua ausência do que ver-te sofrendo com a minha. Até porque sei que irei naturalmente logo depois de ti. Corações ligados pelo mais puro e sincero amor, não conseguem sobreviver se não estiverem juntos. Sinto e sei que somos para toda eternidade.

Nosso amor é a prova de que a eternidade existe.

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E era só domingo

E tanta coisa aconteceu…

Entre nós, nada de novo:
Não nos falamos
Nos ignoramos
Não existimos
Diante de nós mesmos
Diante dos outros
Oficialmente não somos nem alguéns

Mas não há nada mais oficial
Do que o que dói sem título
Do que é cicatriz sempre aberta
Do que é sangue morto-vivo
Do que é lacuna nunca cheia
Do que é enchente vazia
Repleta do que não se pode sorver

Talvez, um dia talvez
Mudem o nome da tua rua
Da nossa rua
Mudem a rota daquele ônibus
Mudem a cor daquele muro
Mudem aquela árvore de lugar
Cubram os trilhos do bonde
Cubram os antigos paralelepípedos
Mas nada jamais irá mudar
Queiramos ou não
Aquele domingo

E era só domingo…

E tudo isso aconteceu.

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