Avatar de Desconhecido

Contador de estrelas

Escrevi e continuo escrevendo,

Muitas vezes, não mais no papel –

Nas nuvens e no céu –

Testemunhas das minhas andanças.

.

E eu que já fui criança –

E queria continuar sendo, confesso –

Me deparo com a rudeza da vida adulta,

Com a falta de esperança.

.

Aonde foram parar os sonhos

De um menino então risonho,

Que pensava que algodão doce

Era pedaço de nuvem?

.

Aonde foi parar o que eu nunca fui,

Mas que queria continuar sendo:

Um futuro farto de boas lembranças,

Um homem com o coração menos duro?

.

Valha-me, Deus, tudo é pranto!

Aonde foi parar o encanto

Do contador de histórias e de estrelas,

Que achava que viver era seguro?

Avatar de Desconhecido

A esperar

Olho para o mar

E no horizonte,

Vejo o ir e vir das embarcações.

Não vejo a que eu espero.

Não vejo a que sempre estive a esperar.

.

Olho para o mar novamente.

Desta vez com os olhos marejados.

A saudade escorre pelo meu rosto,

Pelo meu peito, até meus pés,

E me deixa de joelhos.

.

Seguro um punhado de areia

E o deixo escorrer por entre meus dedos.

Sou ampulheta viva

E a minha vida

Por mim está a passar.

.

Olho para o mar mais uma vez.

Quem sabe, talvez?

Entre motivos e porquês,

Há um coração que pulsa alto,

Esperando o amor aportar.

Avatar de Desconhecido

Antecipado

Fiz o combinado:

Amei-te para sempre.

.

Nos dias de chuva,

Nos dias ensolarados,

Nos dias nublados,

Nos dias que ainda não chegaram.

.

Sim, amor antecipado.

Por que esperar para amar,

Se esperar para amar

É amar atrasado?

.

Amei-te hoje,

Amei-te amanhã,

Como amei-te no passado.

.

Tempos verbais não tem voz no amor:

Meu coração foi desde sempre por ti antecipado.

Avatar de Desconhecido

Fora de estação

Não fosse o sol tímido

E a brisa fresca

Lambendo a minha face

Eu nem saberia que é inverno.

Porque no meu coração

É sempre verão

E nele habita aquecido

Tudo que me é eterno.

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Abusado e insolente

Teu segredo

Se revelou de forma veemente

Quando gritou o teu coração

E tentou ignora-lo a tua mente

 

Não seria de mais valor

Ou talvez mais prudente

Deixares de fingir que é dor

O amor que deveras sente?

 

Ah! O amor…

Essa coisa insistente

Que não pede por favor

E que torna o completo carente!

 

Ah! O amor…

Do qual tu foges bravamente

Mesmo sabendo que não há vida

Quando parte de ti está ausente

 

Ah! O amor…

Não, não estás doente

Já que és tão racional

Que reconheças: estás impotente!

 

Ah! O amor…

Que te rendas a este insistente

Que subjuga-te a seus caprichos

Não se trata de mero acidente

 

E que fique claro que sua existência

Não depende do teu aceite

O amor é o amor

Abusado e insolente.

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Avatar de Desconhecido

Olhos do coração

O não sempre traz consigo

A esperança de que dias melhores virão,

Pois a vida sempre será farta e bela

Quando vista pelos olhos do coração.

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Teu olhar

Este que fazes sem forçar
Que é tímido e discreto
Obsceno e direto
Misterioso e incerto
Uma miríade de convites
Todos eles a me torturar

Cabelos que cobrem
O que precisa ser descoberto
Lábios que explodem
Que fascinam por completo
Presença que avassala
Água cristalina no deserto

E nesse meu sonho que tu és
Que vem, que vai
Devoro teus mistérios
Na certeza de que muitos são
Pois na tua pele eu encontro
Todos os meus desejos mais ébrios

O que pretendes?
Onde estás?
Para onde vais?

Talvez assim eu te encontre
Quer seja por mero acaso
Ou por seguir teu cheiro

Desejo-te

E meu desejo é mais que verdadeiro
Posto que tu és um universo inteiro

um-olhar-pode-dizer-o-que-milhoes-de-palavras

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Pintassilgo

Canta, coração!

Canta feito pintassilgo –

Preso –

Na gaiola invisível da paixão.

Canta, coração!

Canta até ficar rouco!

E se for chamado de louco,

Cante mais alto,

Pois o teu cantar

É o pulsar do coração.

Avatar de Desconhecido

Das coisas do coração

Eu nem sei o motivo,
Muito menos a razão,
Das coisas do coração.

Mas estou vivo,
E por isso deve haver sentido
Tanto no sim como no não.

Mas e toda esta multidão,
Que pula de galho em galho,
Tal como se não houvesse chão?

Disso, não sei, não.

Eu nem sei o motivo,
Muito menos a razão,
Mas confio no meu coração,
E é esta crença que me mantém vivo.

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Bolha de sabão

Meu coração

É tua querência

Tua terra

Teu chão

Meu coração

Já é todo teu

E nele eu resisto

Feito bolha de sabão